Prazer, meu nome é urubu

janeiro 18, 2010

Trecho de um longo diálogo entre dois jornalistas, na semana passada, comentando os acontecimentos dos últimos dias, em especial o terrível terremoto que devastou o Haiti

- Nossa, você viu as cenas no Haiti?

- Vi sim, que horrível, né?

- Demais, fiquei chocada.

- Eu também. Terrível.

- Eu queria estar lá agora…

- É, eu também… Peraí, não queremos ir pelo mesmo motivo, né?

- Acho que não…

- Você estar lá para ajudar o povo, né?

- Sim, e você?

- Não, eu queria estar lá pra fazer matéria…

Previsões 2010. Ainda dá tempo?

janeiro 8, 2010

A idéia era fazer um singelo calendário de previsões para 2010, mas metade do que previ já aconteceu nestes primeiros dias de janeiro. Fazer o quê? Vamos seguir com a bagaça…

23 de janeiro – Véspera de feriado prolongado em São Paulo, por conta do aniversário da cidade. Todo mundo some da Paulicéia e entope as marginais. No final da tarde, uma forte chuva faz os rios Tietê e Pinheiros transbordarem. Centenas de milhares de pessoas ficam isoladas por conta da cheia, sem poderem seguir em frente nem retornar para suas casas. O prefeito da cidade, Gilberto Kassab, sobrevoa a região. Criticado pela imprensa, ele se defende das acusações de negligência apontando dois novos piscinões recém construídos. Tratam-se na verdade, dos bairros Jardim Romano e Pantanal, que ainda acumulavam água da enchente anterior e ficaram totalmente alagadas.

Fevereiro - o Campeonato Paulista começa a ferver. Mas o Corinthians, que começou embalado, começa a puxar o freio de mão. Ronaldo se submete a uma nova lipoaspiração. Roberto Carlos assina contrato milionário com indústria de meias e fica duas semanas longe dos treinos. André Sanchez promete trazer Riquelme na segunda fase da Libertadores. O São Paulo amarga três derrotas seguidas e diretoria do clube toma providência drástica: demite o presidente da Comissão de Arbitragem da FPF.

Março – o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, inaugura rodovia inacabada no Piaui, acompanhado de Dilma Roussef. José Serra faz a inauguração de estação de metrô em São Paulo, igualmente inacabada. Os eventos contam com a participação, respectivamente, de José Sarney e Michel Temer.

Abril – Caetano Veloso lança três discos simultâneos: “A paz é branca”, “A Alegria é Azul” e “A paixão é vermelha”. Canções como “O abaeté da minha vida”, “Canô, can o” e “Badulaque Sagarana” ganham as rádios e aberturas de novelas. A “Ilustrada”, caderno cultural da Folha de S. Paulo, saúda os álbuns como “O testamento de um gênio”. “A juventude grisalha”, vaticina o “Caderno 2″, do Estado de S. Paulo. O “Segundo Caderno” de O Globo é ainda mais efusivo. “Brasil, somos felizes porque temos Caetano”.

Julho – Depois de sofrer fortes críticas por seu mau desempenho na primeira fase da Copa do Mundo, a seleção brasileira para de falar com a imprensa, mas reforça sua união e, com atuações de gala, supera Espanha, Itália e Argentina nas fases finais, conquistando o hexacampeonato. Eufórico com a conquista, Dunga esbraveja com a imprensa nos microfones: “vão tomar no cu ceis tudo”

Agosto – O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, anuncia um planejamento especial e altamente detalhado para que a seleção brasileira faça bonito na Copa de 2014, que jogará em casa. E anuncia Carlos Alberto Parreira como técnico, Mário Jorge Lobo Zagalo como coordenador técnico e Vanderlei Luxemburgo como Manager.

Outubro – MTV promove mais uma edição do Vídeo Music Brasil. Fresno ganha prêmios de melhor clip de rock, clip do ano e Escolha da Audiência, que tem Pitty como segunda colocada. Charlie Brown Jr. ganha prêmio especial pela carreira. Ponto alto da festa foi o retorno da banda Polegar, que iniciará turnê nacional com o objetivo de arrecadar fundos para Rafael Pilha, digo, Ilha, novamente internado em clínica de desintoxicação.

Novembro – Depois de manter a liderança do Campeonato Brasileiro desde a primeira rodada, Palmeiras cai para a quarta posição, após perder em pleno Palestra Itália para o Atlético-GO, lanterna do campeonato. O técnico Muricy Ramalho é demitido e a diretoria começa os contatos com Tite, Mário Sérgio e Paulo Bonamigo. Diego Souza, que no início do Campeonato era sondado por Barcelona, Real Madrid e Manchester United, agora está em baixa e a melhor proposta feita a ele vem da Moldávia. O inferno astral do jogador chega no final do mês, quando é espancado por integrantes da Mancha Verde.

Dezembro – Disco e Especial de Roberto Carlos, disco natalino da Simone e especulações nos cadernos de esporte. Esqueci-me de algo?

E se os mitos envelhecessem? (2)

dezembro 9, 2009

Tempos atrás, fiz um exercício de suposições sobre o que aconteceria com alguns mitos da música se eles não morressem tão cedo. A idéia era fazer outros textos em sequência, mas só agora tive a oportunidade de prosseguir.

Renato Russo
Depois de gravar o disco “A Tempestade”, Renato retoma sua carreira solo paralela. Em 1997, grava um disco só com músicas de compositores mineiros. A primeira canção de trabalho é “Ponta de Areia”, de Milton Nascimento. O arranjo “disco club” e o título dúbio transforma a nova versão em um hino gay, o que rende dissabores com Milton. Os dois acabam se estranhando em uma das edições do Vídeo Music Brasil, da MTV. Caetano Veloso e Chico Buarque defendem o mineiro e Renato Russo, revoltado, afirma que jamais voltará a cantar em português. E anuncia, ao vivo e sem consultar seus colegas de banda, o fim da Legião Urbana.

Agora sozinho, Renato Russo procura jovens músicos britânicos para montar uma banda indie. Conhece um talentoso rapaz chamado Stuart Murdoch e consegue uma vaguinha em seu grupo, o Belle & Sebastian. A parceria vai para o vinagre quando Renato sugere mudar o nome da banda para Eric Russel Band. O cantor brasileiro é expulso.

O pior ainda estaria por vir. Em 2000, queimado com as gravadoras, Renato surta quando ouve o novo disco do Belle and Sebastian: segundo ele, os trechos finais de “The Model” são um plágio à introdução de “Índios”, em sua versão acústica. Quando a banda britânica toca no Free Jazz, em 2001, Renato tenta invadir o palco para acertar contas com Murdoch e é surrado por seguranças.

Depois do vexame, Renato passa à reclusão e só aparece na mídia para esporádicas entrevistas. Em uma delas, no ano de 2005, anuncia estar gravando um novo disco, no estúdio instalado em sua casa, e que disponibilizará as canções gratuitamente pela internet. Mas antes de realizar seu intento, a casa é arrombada e vários bens são levados, inclusive um laptop com todas as músicas inéditas. Meses depois, o Capital Inicial lança o disco de inéditas “Música Urbana 3”, que logo faz grande sucesso. Dias depois, Renato Russo se suicida, deixando apenas um bilhete-trocadilho com os dizeres: “Banda de ladrões filhos da puta”.

Jim Morrisson
O ano é 1970. O cantor deixa definitivamente os Doors, que anunciam seu fim meses depois. Vivendo em Paris, o cantor passa longo tempo sem produzir nada, até que um belo dia convida John Lennon e Paul McCartney para trabalharem juntos. Só o segundo aceita. Surge “Live and Let Light My Fire”, disco com 5 músicas, sendo que apenas a faixa título tem menos de dez minutos. Todas as faixas têm leituras de poesias e grunhidos e o álbum se torna um completo fracasso.

Depois do mico gigantesco, Jim Morrisson resolve abandonar a carreira musical. Como havia torrado com drogas todo o seu dinheiro, passa a trabalhar como pequeno fornecedor de LSD e heroína em Los Angeles. Em poucos anos, se torna um dos maiores traficantes da costa oeste americana.

Em 1985, Morrison conhece um músico brasileiro que procura cocaína de qualidade para presentear seus colegas de banda. Depois de muita conversa, acabam decidindo gravar um disco juntos: no mês de setembro daquele mesmo ano, chega ao mundo “Sou Nós”, disco de rock repleto de letras de poesia concretista. A polícia invade a festa de lançamento do disco e prende Morrisson por tráfico de drogas, assim como seu parceiro no disco, Arnaldo Antunes.

O disco foi detonado pela crítica, mas a prisão jogou holofotes para a obra, que se tornou um sucesso no Brasil. Animado, Morrison resolve se instalar definitivamente no país e, após a libertação, convida Ronald Biggs e Serguei para montar uma banda. Ambos aceitam mas, no primeiro ensaio, Serguei mata Jim Morrisson com três tiros. “Antes de morrer, o cantor norte-americano ouviria do seu algoz. “Isso é por ter comido a Janis em 1969”.

Clique aqui e leia a primeira parte do texto

Querem enganar a quem?

novembro 30, 2009

É impressão minha ou todo mundo pirou? Sim, porque nos meus constantes arroubos de otimismo, prefiro achar que caiu um parafuso da cabeça de cada indivíduo deste Brasil varonil do que achar que a hipocrisia virou epidemia ainda mais contagiosa e mortal que a dengue e a gripe suína juntas. E como não podia deixar de ser, eis que o esporte segue sendo contaminado por defensores da moral e dos bons costumes.

A primeira vítima da onda moralista foi o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo. Nos últimos dias ele foi enxovalhado pela imprensa esportiva por conta de um vídeo que vazou na internet, em que ele usa a frase “Vamos matar os bambis” em um evento da Mancha (Alvi)Verde. Claro, os arautos da ética já falaram que Belluzzo, logo ele, estava pregando a violência contra a torcida do São Paulo.

Na verdade, a alusão era apenas futebolística (na ocasião, o Palmeiras era líder isolado e o São Paulo tinha acabado de perder partida importante). Qualquer idiota sem más intenções perceberia que Belluzzo comemorava o fato de o Palmeiras estar muito perto do título àquele momento. Ah, mas usar a expressão “matar” é feio, incita a violência. Tá bom, cara pálida, então o que me diz de a própria imprensa esportiva utilizar as expressões “artilheiro” e “matador” há décadas para falar de jogadores que marcam muitos gols?

Evidentemente, os palmeirenses ficaram putos com a hipocrisia dos jornalistas. Mas infelizmente sofrem do mesmo mal. Ontem, vários ficaram putos pelo fato de o Corinthians ter “entregado” o jogo ao Flamengo. Ora, pílulas: se o Corinthians vencesse o Flamengo, deixaria São Paulo ou Palmeiras, seus maiores rivais, com chances enormes de ficar com o título brasileiro. Que reação vocês esperariam dos gambás? Será que, se estivéssemos no lugar deles, não faríamos o mesmo? Duvido muito que não.

Faço um paralelo com o comportamento dos torcedores do Internacional. Estes estão conformados com a perda do título. Afinal, eles precisam vencer e torcer para que o GRÊMIO vença o Flamengo no Maracanã. Quase impossível, não? E os colorados nem reclamam, certamente porque sabem que, se a situação fosse inversa, o Inter jamais se esforçaria para ganhar um jogo e dar o título ao maior rival.

Se tal atitude é condenável, e não deixa ser mesmo, são outros quinhentos. Agora, brincar de indignado a esta hora me deixa com muito mais asco que a atitude do Corinthians.

Que feriado? Num sei*

novembro 20, 2009

O doutor Emmet Brown deu uma passadinha por aqui e deixou um material que eu tinha encomendado: jornais de 2019 (sim, eles ainda vão existir!). Selecionei as matérias referentes ao Feriadão da Consciência Negra. Confira

 

Feriadão da Consciência Negra: 10 milhões nas estradas

O feriadão prolongado da Consciência Negra deste ano foi responsável por mais um recorde de tráfego nas estradas paulistas: nada menos que dez milhões de pessoas deixaram a capital e a grande São Paulo rumo ao litoral e interior do Estado. Foi o feriado com o maior fluxo de veículos do ano e superou em mais de 20% o volume registrado no feriado de 2014, ano que havia registrado a maior marca.
Segundo a polícia rodoviária, o número de acidentes cresceu 19%. “O crescimento foi grande, mas seguiu a mesma margem de aumento no tráfego. Mas o grande problema é no primeiro dia de folga, quando todos querem viajar o quanto antes para aproveitar o feriadão e por isso abusam da velocidade”, comentou o sargento da polícia rodoviária, Rodrigo Nascimento.
Apesar de apontar a velocidade como causa de muitos acidentes, o policial cita que houve pontos de grande lentidão nas estradas. “Na Dutra os carros ficaram parados durante quatro horas na altura de Arujá e também de São José dos Campos. Na Ayrton Senna, a situação também ficou complicada, assim como em Atibaia, onde a ligação entre a D. Pedro e a Fernão Dias ficou congestionada durante todo o sábado”, comentou Nascimento.


Kassab promete “quadruplicação” de rodovias

O governador de São Paulo, Gilberto Kassab, anunciou que no próximo ano apresentará o projeto executivo para novas duplicações das rodovias Ayrton Senna-Carvalho Pinto, D. Pedro I e do sistema Anchieta-Imigrantes. Segundo ele, os megacongestionamentos registrados em todo o estado no Feriadão da Consciência Negra motivaram o anúncio das obras, que vêm sendo chamadas de “quadruplicação”.
“Infelizmente o estado não está com muito dinheiro em caixa e o ideal seria esperar mais uns anos, mas a situação se mostrou catastrófica e não podemos esperar mais”, afirmou o governador, que admitiu que, para financiar o projeto, as rodovias terão de ganhar novos pedágios. “Teremos uma praça a cada 50 quilômetros, com cobrança nos dois sentidos”.
Kassab afirmou que vai entrar em contato com a presidente da República, Heloísa Helena, para que ela ajude o Estado. “Pretendo me reunir com ela para ver se o governo federal poderá também ‘quadruplicar’ as rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias, bem como a Rio-Santos”. Apesar dos anúncios de obras, ele afirmou que a duplicação da Mogi-Bertioga está descartada. “Vamos recuperar alguns trechos e construir terceira pista em outros, nada além disso”.


População desconhece origem do feriado

Há mais de dez anos o Brasil celebra o Dia da Consciência Negra e há exatos cinco anos, aproveita o feriado nacional. No entanto, a grande maioria da população desconhece os acontecimentos históricos que deram origem à data. A reportagem foi às ruas e perguntou às pessoas o que elas sabiam sobre a data. A maioria afirmou não fazer a maior idéia. Quem se arriscou a responder não conseguiu acertar. “Teve a ver com a ditadura militar, não é?”, comentou a dona de casa Dulcinéia de Jesus. Informada sobre Zumbi, ela não deu o braço a torcer: “É verdade. Ele foi torturado pelos militares, não é?”
Jenifer de Couto Prado, estudante de 34 anos, creditou o feriado à libertação dos escravos: “É sobre a princesa Isabel, não é? Não sei muito bem. Parece que já teve esse feriado este ano”.
Apesar da obrigatoriedade do ensino de História Afro-brasileira nas escolas, as crianças também não estão bem informadas sobre a data. Os irmãos gêmeos Rogério Ceni e São Marcos de Oliveira, de 10 anos, atribuem a origem do feriado a um acontecimento esportivo de 1958. “Naquele ano teve Copa do Mundo e vários negros foram afastados da seleção brasileira acusados de serem pipoqueiros. Eu acho que foi isso”, disse Rogério. O irmão endossa a opinião. “Depois houve um movimento para colocaram o Pelé, o Garrincha e o Djalma Santos no time e eles garantiram o título”.
Na verdade, a data de 20 de novembro foi escolhida como o Dia da Consciência Negra por marcar a morte de Zumbi dos Palmares. Em 2003, a lei 10.639, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabeleceu a data como parte do calendário escolar brasileiro. A mesma lei tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira. Em 2012, o sucessor de Lula, Frank Aguiar, instituiu o feriado obrigatório, aprovado no Congresso graças a emenda constitucional.

* Texto escrito em 2007 e devidamente atualizado

Quando a maldade abunda no coração

novembro 7, 2009

Casal caminha na Paulista. Ao passar por uma igreja, vê um carro em frente à entrada principal. Dentro dele, uma noiva conversando ao telefone.

- Nossa, que coisa. Usando celular na hora do casamento?
- Ela deve estar ligando pro amante, antes de ir pro altar.
- É, e daqui a pouco ela vai pegar o Blackberry e colocar no Twitter: “estou em frente à igreja, vou entrar pro meu casamento em dois minutos”.

*****

Casal caminha na Avenida Jabaquara. De repente, um pequeno grupo de garotos maltrapilhos passa correndo pela calçada. Entre eles, uma criança muito nova, que parecia ter acabado de aprender a correr.

- Olha que pequenininha…
- Pois é, tão novinha e já aprendendo a fazer arrastão…

*****

Casal passeia no Rio de Janeiro no feriado prolongado. Num domingo, dia de chuva, a cidade fica deserta, com todas as lojas fechadas. No dia seguinte, o tempo abre totalmente, mas às dez da manhã (ou da tarde, como preferirem), todas as lojas, inclusive o Shopping Center, continuam fechados.

- Putaquipariu, como assim? Tudo fechado de novo?
- Pois é, deve ser por causa do sol…
- Ah, não. Quando chove não abre nada, e quando o sol abre também não? Como pode estar tudo fechado numa cidade turística, em pleno feriado, com a cidade cheia de gente?
- Vai ver foi todo mundo pra praia…
- Porra, mas então quando esse povo trabalha? Será que eles fazem como no litoral paulista? Trabalham o triplo na alta temporada? No Carnaval, por exemplo?
- Lógico que não? Ou você acha que eles vão perder os desfiles?

Salve geral e a hipocrisia no cinema

outubro 29, 2009

Não se trata de nenhuma “apologia ao crime”, como muita gente andou dizendo por aí. Mas a verdade é que “Salve Geral”, do diretor Sérgio Rezende, age como verdadeiro advogado do diabo. Ou do PCC, ao justificar os atentados provocados pela facção criminosa por todo o Estado de São Paulo, em março de 2006.

O filme conta o drama da viúva Lúcia (Andréa Beltrão), professora de piano endividada que se acaba se envolvendo com pessoas ligadas ao PCC para proteger seu filho, preso por assassinato. Tal história corre em paralelo com o momento em que os líderes da facção começam a se articular para desafiar o governo estadual, com rebeliões e atentados a políticos e magistrados.

O filme segue a tendência recente do cinema nacional de enfocar a violência urbana, que surgiu com o sucesso de “Cidade de Deus”. Por isso mesmo, tem ação de sobra, momentos de forte tensão e um grande esforço para criar diálogos reais. Sem falar nas boas atuações do elenco, especialmente de Andréa Beltrão. O grande problema do filme é mesmo seu conteúdo político.

Se por um lado Rezende acerta ao apontar a corrupção do estado como um dos alimentos do PCC nos presídios, por outro idealiza de força estúpida a mobilização dos presos por, aham, “melhores condições”. A citação constante do lema do PCC – Paz, Justiça e Liberdade – colabora para criar uma imagem distorcida da situação. O resultado é que os líderes do grupo aparecem como grandes heróis revolucionários, enquanto alguns dos detentos vestem a pele de idealistas românticos. É de dar engulhos.

O filme embarca em uma triste tendência do cinema nacional recente: crítica social vazia e demagógica, para fazer média com o público. Defender bandidos, de uma hora para outra, se tornou pré-requisito para quem deseja mostrar a todo mundo sua “consciência social”. No fundo, são as mesmas pessoas que maltratam a empregada doméstica ou reclamam que os pretos “não conhecem seu lugar”. Então tá bom, né?

Palmeiras, um time de bambis?

outubro 26, 2009

bambisDurante muitos anos, minha diversão era irritar meu irmão são-paulino falando do São Paulo de 2001. Naquela época, bastava eu falar que o São Paulo era “um time de bambis” para ele vociferar em alto volume. E, depois de soltar seu rosário de impropérios, ele resmungava, bem baixinho. “Vou falar o quê? São um bando de bambis, mesmo. Time filho da puta…”

 

A equipe em questão era, ao menos no papel, um timaço. Tinha três jogadores que hoje estão na seleção brasileira: Luiz Fabiano, Kaká e Julio Baptista. Outros viviam bom momento, como França, Beletti e Gustavo Nery. Era time para ganhar vários títulos, mas tudo o que conseguiu foi um magro torneio Rio-São Paulo. De impactante, o único legado que deixou foi o estigma de freguês do Corinthians, que perdura até hoje. Foi nessa época que surgiu a famosa piadinha de que o estádio do Morumbi era o salão de festas do Corinthians. Restou também a pecha de time pipoqueiro: geralmente o time ia muito bem nas fases iniciais e capotava em qualquer jogo importante que aparecesse pela frente.

Pois bem: oito anos se passaram e tem um time disposto a ocupar o lugar dos são-paulinos: o Palmeiras. Uma equipe que tem Marcos, Pierre, Diego Souza, Cleiton Xavier e Vagner Love, além de Muricy no banco, lidera um campeonato com cinco pontos de vantagem sobre o segundo colocado e joga essa vantagem no lixo é um time que não merece respeito. Levando-se em conta que o clube não vence tal campeonato desde 1994, a coisa fica ainda mais séria.

Há quem diga: “ah, mas queda de rendimento é normal”. Sim, é normal: quando a causa é cansaço físico, problemas táticos ou simplesmente nervosismo. Mas não é o caso. Também não é dinheiro o problema: os salários têm sido pagos em dia e a premiação já foi fechada há muito tempo.

O que temos no Palmeiras é uma guerrinha de egos inadmissível até mesmo para ambientes tradicionalmente carregados de vaidade, como desfiles de moda, redações jornalísticas ou quetais. A chegada de Vagner Love fez com que jogadores como Cleiton Xavier e Diego Souza fossem corroídos pelo ciúme. E agora um não passa a bola para o outro.

Ciúme? Sim, ciúme. E como você chamaria um ser humano do sexo masculino de nutre ciúmes de outro ser do mesmo sexo: de bambi, oras!!!!

O Palmeiras pode ser campeão do mundo 70 vezes, pode ficar 134 anos ou 13 mil jogos sem perder do São Paulo, vencer cinco libertadores seguidas sem perder um jogo ou espancar todos os jogadores do Boca Juniors em plena Bombonera, mas se não ganhar esse Brasileirão vai se sacramentar para sempre como o time bambi, o time de bundas-moles, o time de garotas afetadas que não liga em perder o campeonato mais ganho da história do futebol, desde que apareça mais na TV do que aquela outra mocréia que joga no ataque. E nunca mais nenhum palmeirense vai ter moral ou razão para chamar um são-paulino de bambi.

A arte da superação

outubro 22, 2009

Quando eu já começava a pensar que as capas da Veja eram as piores da imprensa brasileira, eis que uma outra turma chega disposta a usurpar o trono da “indispensável”.

 

E vocês da Época, querem um bom conselho, também?

MUDEM DE PROFISSÃO!!!

Comédia estreia sexta no Ruth Escobar

outubro 15, 2009

Clique aqui, imprima e pague menosPelo visto, meu amigo Paulo F. curtiu trabalhar com comédias. Depois de dirigir a hilária peça “Mulheres, Bobeiras e um Ataque de Risos”, ele agora surge com mais uma carta na manga. Trata-se da peça “Sedutor por Acaso”, que estreia nesta sexta-feira, dia 16 de outubro, no Teatro Ruth Escobar.

“Sedutor por acaso” mostra a história de Daniel, um rapaz tímido e inseguro, que curte uma longa fossa por ter sido abandonado por Linda, sua ex-namorada. As confusões em sua vida começam depois que ele é hipnotizado por seu analista e se transforma em um sedutor irresistível.

A peça é uma divertida comédia de erros, que brinca com o temas como relacionamento entre homem e mulher, insegurança masculina e a necessidade de terapias e métodos alternativos para descobrir quem somos.

Se você está a fim de rir a valer, fica a recomendação. Todas as sextas, às 22h30, no Teatro Ruth Escobar. A peça tem duração de 60 minutos. Ou seja, dá tempo de pegar o metrô e voltar pra casa.

Se você quiser um desconto especial é só clicar no banner aí em cima e imprimir.

SAIBA MAIS

Sedutor por Acaso (comédia)
Texto e direção: Paulo F.
Teatro Ruth Escobar – Sala Miriam Muniz
Estréia: 16 de outubro
Até: 11 de dezembro
Censura: 14 anos
Em cartaz: Sextas, às 22h30
Elenco: Antonia Futuro, Géssica Alvarenga, Júlia Mariano, Paulo F. e Tadeu Pinheiro
Sinopse: Após uma experiência mal sucedida em sua sessão de terapia, um jovem nerd acaba se tornando um exímio conquistador, causando diversas confusões e maus entendidos em sua vida.
Duração: 60 minutos
Ingresso: R$ 30


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.