Oasis e a síndrome do terceiro disco

A crítica musical consagrou a expressão “síndrome do segundo disco” para classificar bandas que estréiam com um grande disco e, depois, somem ou não conseguem repetir o êxito no álbum seguinte. Mas poucos devem ter percebido que muito mais grave é a “síndrome do terceiro disco”. Afinal, 90% das bandas que pipocam num segundo disco não tinham lá tanto conteúdo mesmo. Em geral, levaram uns dez anos para conseguirem gravar um disco recente. Para repetir a dose, precisariam de outro tanto. Como não dispõem desse luxo, o resultado é sabido.

No entanto, se uma banda apresenta dois bons (ou ótimos discos) e patina no terceiro, é sinal de que algo mais grave aconteceu. E quem perde somos nós, ouvintes, que de uma hora para outra podemos deixar de ouvir canções antológicas para aguentar mais do mesmo ou uma queda acentuada de qualidade nos trabalhos seguintes.

NirvanaO Nirvana talvez corresse tal risco, se Kurt Kobain não tivesse se matado há quinze anos (sim, crianças, preparem os lenços que os necrófilos vão abrir o baú). Depois de gravar um disco ótimo (“Bleach”, que passou batido) e outro sensacional (“Nevermind”, que explodiu), o trio de Seattle gravou o confuso “In Utero”, negativamente influenciado pelas brigas entre a banda e o diretor Steve Albini, a intromissão desmedida de Courtney Love no estúdio e os excessos do vocalista com a heroína. Se a coisa continuasse nesse ritmo e Kurt vivesse um pouquinho mais, o Nirvana certamente gravaria um belo cocô em seguida.

oasisComo Kurt resolveu o problema a tempo, sobrou para os irmãos Gallagher que, apesar de abusar das drogas, tiveram o azar de continuar vivos. Na esteira da vinda do Oasis ao Brasil, muita gente tem se agitado com a possibilidade de ouvir grandes canções como “Champagne Supernova”, “Supersonic”, “Live Forever” e, claro “Wonderwall”, que chegou a ser eleita em uma eleição a “canção da década”. Mas a coisa vai desandar se eles resolverem privilegiar músicas dos discos mais recentes.

E eis aí um exemplo cabal da “síndrome do terceiro disco”. Uma banda que produz dois álbuns como “Definitely Maybe” e “(What’s the Story) Morning Glory” não pode ser considerada uma banda ruim, certo? Mas e uma banda que cria duas obras-primas do rock contemporâneo e depois passa uma década sem fazer nada que preste? Ok, “Don’t believe the Truth” é um disco bonzinho, mas só isso. E “The Masterplan” é um disco de sobras dos dois primeiros, não conta. E fica a pergunta: por que uma banda que tinha tudo para ser sensacional não acerta a mão há tanto tempo? Talvez tenham sido alguns fatores similares aos que acometeram o Nirvana. Mas a verdade é que, passado todo esse tempo, o Oasis se tornou uma banda passadista.

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2 Respostas to “Oasis e a síndrome do terceiro disco”

  1. josue mendonca Says:

    acho que esses artistas passam por muitas ”ondulações” emocionais..e isso deve tanto ajudar como também atrapalhar a elaboração de um trabalho.. talvez essa seja a maldição de quem possui um espírito artístico………

  2. Ricardo Rayol Says:

    tá aí, eu nunca ouvi uma nota desses pulhas. só leio quando os irmãos arrumam confusão ampardos pelos seguranças.

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