A guerra do jornalismo

O jornalismo brasileiro entrou, há algum tempo, em uma perigosa guerra fratricida. A mesma pela qual passou entre os anos 40 e 60, quando grandes barões da imprensa resolveram defender seu terreno de forma autoritária e tudo fizeram para destruir os pequenos e médios jornais e esmagar a mídia independente.

Hoje, em tempos de internet e novas mídias que vão conquistando cada vez mais espaço, a guerra está de volta, dividida em várias frentes. E várias destas representam uma luta de anão contra gigantes.

Uma destas frentes é o embate entre a poderosa Folha de S. Paulo e do pequeno mas influente site Congresso em Foco, do veterano jornalista Sylvio Costa. Há uns bons anos o site vem realizando um trabalho importantíssimo de cobertura política em Brasília. E recentemente ganhou uma grande repercussão nacional por conta de seus furos jornalísticos sobre a farra das passagens aéreas protagonizada por parlamentares.

Tal episódio bastou para que a Folha de S. Paulo, que citava continuamente o site por conta de tais matérias, o fizesse com um estranho interesse, inclusive apontando grandes empresas como financiadoras do site.

As seguidas matérias despertaram a revolta de Costa, que publicou em seu site uma carta-desabafo:

De 27 de fevereiro de 2009 até hoje, o jornal Folha de S. Paulo publicou quase 20 matérias ou artigos citando este site. Em vários casos, levou à sua influente primeira página os resultados da apuração de nossos repórteres, baseando-se exclusiva ou fundamentalmente em informações que você, leitora ou leitor do Congresso em Foco, leu aqui antes. Alguns dos mais importantes, e respeitáveis, colunistas do jornal utilizaram nossas informações para fazerem análises interessantes, pertinentes. Somos, sincera e profundamente, gratos por isso. Aproveito para estender nossa gratidão a todos os colegas dos demais veículos que nos estão abrindo a porta, abrindo a porta principalmente pra força renovadora da internet.(…) 

Lamentável, mas parece que isso incomoda… e incomoda… ahn… à própria Folha?! Permito-me aqui uma liberdade. Tenta visualizar aí, amiga ou amigo: imagens de um Brasil em movimento, esperançoso, clamando por liberdade e mudanças… 

Década de 1980. Ao aderir à campanha das diretas-já e adotar uma série de inovações que levaram à revisão de antigas práticas organizacionais e editoriais das redações, a Folha de S. Paulo torna-se uma referência em termos de jornalismo.

Voltamos. A conversa é de novo textual. Seguimos. E, gente, o tempo passa… Passa, e, como é notório, a credibilidade da Folha vem sendo colocada em xeque por vários fatos ou pessoas que questionam com frequencia e indignação crescentes sua conduta, seja pelos erros cometidos, seja pela resistência em reconhecê-los e corrigi-los. E nenhum outro jornal brasileiro perdeu tanta circulação nas últimas décadas, em números absolutos. Segundo levantamento recente da revista Meio & Mensagem, a Folha, que chegou a vender mais de 1 milhão de exemplares por dia, fechou o primeiro trimestre deste ano com uma circulação média diária de apenas 298.352 exemplares.

E não é que a Folha resolveu jogar lama na gente, menina? E o fez, repare só, com a sutileza própria – e, por isso mesmo, mais perversa – dos cirurgiões hábeis e dedicados. Gente acostumada com o trato da informação e perfeitamente habilitada para avaliar seus efeitos.

O texto é longo e continua. Você pode ler a íntegra aqui

http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=537IMQ007

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3 Respostas to “A guerra do jornalismo”

  1. Érica Says:

    O texto é realmente longo. Se nossos “jornais-referência” estão desta forma, nesta crescente derrocada, o que será do nosso jornalismo? É quase uma instituição falida, não? Não que eu creia que não existam bons órgãos de imprensa e jornalistas, mas eles acabam sendo engolidos por esta ganância e arrogância dos que são grandes apenas economicamente e deixam a cada dia de ser grandes intelectualmente ou em importância e influência em nossa sociedade.

  2. Ricardo Rayol Says:

    Provavelmente algum dePUTadO da esquerda ficou passado com as denuncias e pediu para seus jornalistas mandarem o cacete.

  3. Evaldo Novelini Says:

    Fabião,

    obrigado pela ótima dica de leitura. O texto é longo, realmente, mas vale muito a pena. Beijocas,

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