Síndrome de briga na escola

Já se passaram alguns dias do confronto entre Palmeiras e Sport, pela Copa Libertadores da América, e resolvi enfocar os embates por um outro ângulo. Por conta disso, não vou tecer comentários sobre a espetacular atuação de São Marcos. Nos links à direta, no “Pilulas Verdes”, tem gente mais gabaritada para isso.

Desde a Copa do Brasil do ano passado que se criou uma curiosa situação entre os dois times. As provocações de ambos os lados e as seguidas derrotas do Palmeiras criaram uma nova e inusitada rivalidade entre os clubes, acirrada pela troca de farpas ente o técnico palmeirense Vanderlei Luxemburgo e o vice-presidente do Sport, Guilherme Beltrão. Até aí, tudo bem. O problema foi que a imprensa, sedenta de sangue, resolveu colocar outro foco na disputa: uma inexistente rixa entre os povos de São Paulo e Pernambuco.

Guerra além das quatro linhas?Tudo começou quando alguns fóruns de torcedores, como era de se esperar, começaram a ficar cheios de insultos contra o time adversário. Em pouco tempo, o foco deixou de ser os clubes e o alvo passou a ser toda a população de um estado. “Sulistas idiotas”, “Pernambucanos babacas” e outros insultos começaram a surgir.

Evidentemente, tais xingamentos fazem parte de uma minoria de torcedores. Gente mais exaltada ou simplesmente encrenqueiros de internet, que bancam o valente nos escritos, mas não têm coragem sequer de colocar seus verdadeiros nomes nos fóruns. O problema foi que os meios de comunicação gostaram do assunto: com um certo estardalhaço, passaram a citar os insultos em matérias variadas.

Pronto, foi o que bastou para que uma disputa entre dois times se transformasse em canal para destilar ódio. E surpreendentemente, quem embarcou nessa de cabeça foi a torcida do Sport. Incitados pela diretoria do rubro-negro do Recife, os torcedores se diziam vítima de preconceito por parte dos estados do Sul e do Sudeste e ampliaram os insultos aos paulistas, chamando-os muitas vezes de “sulistas de merda”. Curioso é usar esta expressão para se queixar de preconceito.

O problema é que os jornais deram destaque demais aos insultos, que até então eram um caso isolado, e o transformaram em um caso sério. Motivado pelas notícias, muitos torcedores, especialmente pernambucanos, acreditaram na história de que “os paulistas nos odeiam” e engrossaram o coro da torcida do Sport. A Imprensa, estupidamente, se comportou como aqueles alunos que, à saída da escola, empurram dois coleguinhas que se estranharam no recreio, fazendo de tudo para que ambos saiam na porrada.

Em tempo: é claro que há por aqui preconceito contra nordestinos, mas o caso ocorrido na Libertadores beira à sandice. E a uma inexplicável mania de perseguição.

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2 Respostas to “Síndrome de briga na escola”

  1. Evaldo Novelini Says:

    Fabião,

    estava morrendo de saudades de um de seus textos indignados. Quando você coloca a malfadada imprensa brasileira no meio, eles ficam insuperáveis. Parabéns.

  2. Justiceiro Says:

    Até entendo, embora não aprove e em alguns casos repudie (a discriminação aos nordestinos é tão estúpida quanto a mania de perseguição de alguns torcedores do Sport) comentários mais ensandecidos de torcedores fanáticos. Mas a imprensa, que deveria se comportar de maneira mais adequada, novamente mostrou sua face. Não foram poucos os casos de jornalistas que puseram fogo mesmo. Resta saber se o interesse era apenas faturar audiência; afinal, convém lembrar que era o Palmeiras que estava na disputa e que era um bom negócio promover esse clima.

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