Archive for junho \27\UTC 2009

E se os mitos envelhecessem?

junho 27, 2009

O senhor Michael Jackson morreu e, como não poderia deixar de ser, se falou tanto de sua contribuição para a música pop e de seu astronômico sucesso no auge da carreira quanto da sucessiva onda de acusações e bizarrices. E, claro, as opiniões se dividiram? MJ merecia ser lembrado pelo que fez na música até 1987 ou pelo que fez fora dela?

Esse dilema, na verdade, me fez pensar em outra coisa: vale a pena para um mito viver muito? Sim, é um pensamento terrível e desagradável, mas havemos de convir: a maior parte dos grandes artistas não raro se perdem em sua vida pessoal. Michael Jackson se foi muito jovem, e mesmo assim arrumou confusão demais para tão pouco tempo. Imagine se durasse um pouquinho mais?

Vou mais além: o que aconteceria se alguns dos grandes ícones da música vivessem um pouquinho mais? Eis alguns prognósticos:

John Lennon

– Em 1982, Lennon volta à Inglaterra para protestar contra a Guerra das Malvinas, mas é solenemente ignorado. Resolve aparecer na avenida 9 de Julio, em Buenos Aires, para dar apoio aos oprimidos sul-americanos. Estes, no entanto, tomam o protesto como provocação e partem para a porrada. A tropa de choque chega a tempo de impedir um linchamento.

– Dois anos depois, após Paul McCartney e Michael Jackson gravarem juntos, Lennon resolve dar uma resposta à altura: convida a jovem Madonna para um disco em conjunto. A sugestão do ex-beatle é um disco conceitual chamado “Two Virgins – again”, em que ambos apareceriam nus na capa. Madonna recusa a sugestão e lança “Like a Virgin”. Lennon a processa por plágio, dias depois de tomar uma bota de Yoko Ono.

– Sem sua alma gêmea, o genial beatle perde o rumo: se afunda na cocaína e protagoniza uma série de escândalos em bares, discotecas e no Pentágono. Convidado para participar do Live Aid, em 1985, é expulso do projeto após tentar agredir Paul e chamar Bono Vox de “efeminado” e Freddie Mercury de “africano enrustido”. Seus últimos discos são ignorados pelos fãs e trucidados pela crítica.

– A redenção chega apenas no final dos anos 80, quando conhece Camilla, uma mulher por quem se apaixona. Ambos se casam em 1989, numa cerimônia que encantou o mundo. No entanto, em 1992, Lennon assiste na TV a divulgação de um diálogo gravando entre sua nova mulher e o príncipe Charles, em que este declarar querer ser o tampax da dita cuja. Dois dias depois, Lennon é encontrado morto em sua banheira, por overdose induzida. Ao lado, uma carta, com os dizeres: “Marat é a puta que o pariu!”

Cazuza

– Em 1986, Cazuza choca o País ao declarar que é portador do vírus da Aids. No entanto, exames confirmam que ele se enquadra entre os casos raros de portadores que não adquirem os sintomas da doença. Vida que segue.

– Em 1988, o artista grava seu melhor disco: “Ideologia”. No entanto, não consegue o reconhecimento devido. Os shows ficam vazios, a crítica classifica o álbum como “hipócrita” e diz que as letras são fruto da “culpa de um filhinho de papai”. Luiz Antônio Giron, que já havia dito que Rita Lee chegou à “menopausa criativa”, afirma que o disco deveria se chamar “Demagogia”.

– Apesar da crise na carreira, a vida de Cazuza continua como antes: sexo, drogas e rock’n roll. Muitas confusões em hotéis e bares. Mas por algum motivo, a antiga condescendência para o gênio do rock nacional dá lugar às notícias negativas na Imprensa. A revista “Veja” coloca o artista na capa, com o título: “Cazuza, um portador da AIDS barbariza em praça pública”. A matéria fica ainda mais apimentada quando vários amigos declaram ter sido infectados por Cazuza e o acusam de ter ocultado a todos que estava com a doença. Ney Matogrosso é o nome mais conhecido.

– Em 1993, uma empregada doméstica o acusa de o ter estuprado, ainda no final dos anos 70. O caso toma proporções gigantescas quando várias outras ex-empregadas da família do cantor aparecem com a mesma acusação. Mas os casos são arquivados quando o advogado consegue convencer o júri que o autor dos crimes era, na verdade, o ator Lauro Corona, falecido anos atrás.

– Em 1998, Cazuza e Frejat anunciam o retorno da formação clássica do Barão Vermelho. Juntos, gravam cinco discos: “Acústico MTV”, “MTV ao vivo”, “Acústico Volume 2”, “MTV ao vivo volume 2” e “Barão Vermelho e Titãs, juntos e ao vivo”. Em 2005, o Barão Vermelho encerra definitivamente as atividades, com a morte prematura de Frejat, vítima da AIDS. Cazuza morreria de overdose em 2007 mas, antes disso, gravaria mais um disco ao vivo, em que protagoniza duetos com as vozes gravadas de Frejat e Ney Matogrosso, em um disco que emocionou os fãs.

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O fim do diploma, ainda

junho 25, 2009

Jornalista, um loserEstava para escrever um texto sobre a novelização do jornalismo, puto que estou com a série de notícias sem nexo, ou simplesmente sem nenhum acontecimento relevante, que assolam desde os grandes jornalões, como a Folha, o Estado e O Globo, até os periódicos ditos “do interior”, incluindo aqui os diários de Mogi das Cruzes. Mas a decisão do STF de acabar com a obrigatoriedade do diploma fez com que eu não pensasse em outra coisa.

Não quis escrever sobre o assunto desde então porque a revolta era grande demais e certamente o texto teria muito mais palavrões e pragas rogadas do que qualquer outra coisa. Hoje, um pouco mais calmo (mas ainda devidamente puto), vou discorrer sobre os argumentos utilizados pelos defensores desta aberração recém-aprovada:

ARGUMENTO 1: Ah, mas o diploma é um obstáculo à liberdade de imprensa!

RESPOSTA: Não tem nada mais ridículo que gente que repete o que os outros falam e não pensa no que acabou de falar. Meu filho, pare e pense: estamos na era da internet. Qualquer analfabeto pode criar um blog, escrever o que der na telha, inclusive fazer algumas matérias e/ou colunas, se for o caso. De onde você tirou que o diploma atrapalha a liberdade de imprensa?

E mais: sabe porque muitas falcatruas não chegam ao público? Porque políticos e empresários aliciam jornais e revistas, para que não publiquem os podres. Em algumas cidades, inclusive na Grande São Paulo, o caminho é inverso: donos de jornais chantageiam políticos, ameaçando-os com dossiês fabricados pela redação: se não rolar grana, publica-se tudo. Os ameaçados cedem e a notícia terrível nunca é publicada. Agora, todo mundo acha que encher uma redação com pessoas não-formadas em jornalismo vai mudar isso.

ARGUMENTO 2: Ah, mas jornalismo não se aprende na faculdade. Jornalismo é vocação.

RESPOSTA: Medicina também é vocação. Quantos médicos já não conheci que me disseram sonhar com a profissão desde pequeno? Que pediam kits médicos de brinquedos na infância, que auscultavam o coração do pai e da mãe quando voltavam da escola? Isso é vocação. Agora, você se submeteria a uma cirurgia feita por esse “médico com vocação” se ele não tivesse feito curso de medicina?

ARGUMENTO 3: Se formar em jornalismo custa caro. O fim da exigência acabou com essa regra excludente.

RESPOSTA: Óbvio que é caro. Caro e difícil. Assim como é caro se formar em direito, em engenharia, medicina etc. Nem por isso se ouve falar em regras semelhantes para outros cursos. O problema aqui não é exatamente o custo da universidade, e sim a dificuldade que os estudantes da rede pública têm de encarar um vestibular numa USP ou Unesp da vida. Este é outro problema e o buraco, pode ter certeza, é muito mais embaixo.

ARGUMENTO 4: O STF acabou com os privilégios dos jornalistas, essa gente prepotente.

RESPOSTA: Jornalista não é só prepotente, é um belo de um filho da puta, também. Quem trabalha em uma redação tende a se tornar uma criatura egoísta, leva-e-traz e extremamente falsa. O que salva o jornalista de ir para o inferno sem escalas é, muitas vezes, a formação humanista que ele venha a receber nos bancos universitários. E querem acabar com isso. Aliás, porque para médico, engenheiro e advogado a exigência do diploma não é um privilégio?

Pra encerrar a postagem (mas não o assunto), alguns argumentos contra a decisão do STF:

– O piso salarial de jornalista é uma piada. Nenhum profissional, de nenhuma área, que tenha passado quatro anos em uma universidade, ganha tão pouco. Como se não bastasse, em muitas empresas se paga menos que o piso, um acinte às leis do País e um desrespeito com o profissional. Com a mudança (e o possível aumento da concorrência desleal), a tendência é que o salário caia ainda mais. Preparem-se para ver anúncios do tipo: “Precisa-se de repórter. Jornada de dez horas diárias. Salário: R$ 400,00”.

– Sem precisar de um curso universitário, os postulantes a uma vaga em jornal precisarão apenas de um curso de trainee, que nada mais é do que uma padronização do funcionário perfeito: um egoísta de mente corporativa, que diz amém para tudo o que o patrão fala pensando apenas no seu crescimento pessoal dentro da empresa. Alguém que não hesita em publicar que o rei está vestido, mesmo tento conferido com os próprios olhos que o rei está nu. A Folha tem feito isso para escolher seus profissionais e o resultado nós temos visto recentemente.

– Ou seja, o fim da obrigatoriedade tem como objetivo apenas atender às necessidades dos barões da imprensa, que continuarão a controlar a mídia da forma que bem entendem. Liberdade de expressão? Há!!

Na Sibéria não tem nada disso (3)

junho 23, 2009

(minissérie em seis capítulos)

UM MÊS DEPOIS, NOVOS PROBLEMAS

"Vou estar transferindo a ligação"– (atendente) Bom dia. Em que posso ajudá-lo?
– (otário) Cheguei de casa de madrugada e a internet não tava funcionando. E hoje pela manhã ela continua não funcionando.
– (atendente) Pois não, senhor. Qual o número de usuário?
– (otário) O número é tal. E antes que você me pergunte, o CPF é tal, o RG é tal e o endereço é tal.
– (atendente) Senhor, esses números não conferem.
– (otário) Como assim? Eu ligo toda semana pra vocês e passo sempre esses números. Porque a frescura agora?
– (atendente) Senhor, esse endereço consta como condomínio.
– (otário) Claro, meu filho. Porque eu moro nesse condomínio. Mas o problema é só no meu apartamento. É bloco tal, apartamento tal.
– (atendente) Mas eu preciso do CPF do síndico pra resolver esse problema.
– (otário) Nada disso. Toda semana a internet cai e eu tenho de ligar pra resolver esse problema. E sempre resolvo com meus dados. Agora você me vem com essa história? Eu tenho todos os meus dados aí. Protocolo e tal. Veja qual o problema e resolva pra mim, por favor.
– (atendente) Então aguarde na linha que eu vou lhe transferir para outro setor.
– (otário) Ah, não…
– (GRAVAÇÃO) … sua ligação é muito importante para nós…
– (otário) blé, blé, blé, blé, blé, blé, blé, blé…
– (atendente) Pois não, em que posso ajudá-lo?
– (otário) Minhainternetnãofuncionajápasseimilnumerosedizemquenão constadocadastro
– (atendente) Sim…
– (otário) pelamordedeusresolvemeuproblemajáligueimilvezesenuncadeuessechabu
– (atendente) Qual o número de usuário, por favor?
– (otário) OnúmerodeusuárioétaloCPFétal,oRGétaleoendereçoétal.
– (atendente) Ah, perfeito.
– (otário) Epelamordedeusnãotenhoocpfdosíndicoenuncapreciseipraconsertarainternet.
– (atendente) Ok. Vou ver o que posso fazer. Aguarde um momento.
– (otário) Tá bom…
– (atendente) Senhor. Tem um pequeno problema nesses dados. Vou precisar transferir para outro atendente
– (otário, quase desistindo) Tá bom, faz o que você quiser…
– (GRAVAÇÃO) …combo net. Internet, TV e telefone por apenas…
– (otário) Claro, tudo o que eu quero neste momento é um problema versão combo.
– (atendente) Pois não, em que posso ajudá-lo?

Quase chorando, expliquei o problema, pela enésima vez, para outro atendente. Que, evidentemente, usou o mesmo argumento dos demais. Mas nada que uma ameaça de cancelamento de serviço não resolvesse.

Outra imagem?

junho 19, 2009

Sim, outra imagem. Eu ia postar um texto por aqui, mas não podia perder a oportunidade de mostrar isso aqui…

Depois, eu é que sou maldoso...

Precisa comentar?

Roqueiros centenários

junho 17, 2009

Centenários 

Dizem que os astros de rock são imortais, que Elvis não morreu e o Kurt Cobain também não. Mas isso já é demais…

Menor, mas ainda assim superior

junho 12, 2009

Quando “O ano em que meus pais saíram de férias” chegou aos cinemas, a crítica encheu a película de elogios. De fato, estávamos diante de um dos melhores, se não o melhor filme nacional dos últimos anos. A unanimidade foi tão grande que, em dado momento, faltaram adjetivos originais para classificar a obra. Foi então que alguém se saiu com uma tirada genial: “É tão bom que parece filme argentino”.

De fato, há muito tempo não se vê uma série de filmes tão bons vindos de um mesmo lugar. A diferença entre os filmes brasileiros é gritante, e não se trata de aspectos técnicos, já que o cinema tupiniquim evoluiu consideravelmente neste quesito. Mas as histórias e a forma com que elas são contadas pelos argentinos são mesmo muito superiores. Mesmo nos filmes menores.

Um bom exemplo está em “A Janela”, de Carlos Sorín, ainda em cartaz nos cinemas de São Paulo. A história do filme é a mais singela possível. Um escritor octogenário, bastante doente, aguarda em seu sítio na Patagônia a visita do filho, um pianista de fama na Europa. Enquanto espera, tenta se lembro do rosto de uma moça, que apareceu em um sonho. Só isso. Mais nada.

Mesmo com tão pouco, Sorín consegue cativar. As paisagens repetitivas e melancólicas da patagônia ganham força e beleza à medida em que ela se integra com a história dos personagens, igualmente melancólicas e que também parecem ganhar peso, assim como outro filme seu: “Histórias Mínimas”, cujo nome diz tudo.

“A Janela” não tem aquela dramaticidade pentelha dos filmes brasileiros e nem aquelas simbologias chatinhas de filmes iranianos. E foge da cabecice de alguns filmes europeus e asiáticos. Mesmo não sendo um dos grandes filmes platinos, consegue cativar com uma boa história, boas idéias e uma singular dose de simplicidade.

Na Sibéria não tem nada disso (2)

junho 9, 2009

MAIS PROBLEMAS NA SEGUNDA SEMANA

– (atendente) Bom dia, em que posso ajudá-lo?
– (otário) Olha, minha internet caiu de novo. É a segunda vez em quinze dias. Vocês podem resolver isso pra mim, por favor?
– (atendente) Sim, claro. Qual o número de usuário?
– (otário) O número é tal
– (atendente) Perfeito. Qual o número do CPF
– (otário, desistindo de argumentar) Tá, meu CPF é tal, o RG é tal e o endereço é tal
– (atendente) Perfeito, senhor. Aguarde um momento…
– (otário)
– (atendente) Senhor, a sua internet está com um problema.
– (otário) Não diga, minha filha. Não teria sido exatamente por isso que eu liguei pra você?
– (atendente) O senhor ligou para religar a internet, não é mesmo?

Neste momento, eu deveria ter dito algo do tipo: “Não, moça, liguei pra te convidar pra ir ao cinema. Que hora cê larga, hein, mina?” Mas resolvi apenas dar um desanimado e longo suspiro e responder afirmativamente.

 – (atendente) Perfeito. Aguarde um instante que vou te encaminhar para um técnico.
– (otário) Tá bom!
– (GRAVAÇÃO) … aguarde que em breve iremos atendê-lo…
– (otário) Ahhhhhhhhhhhhhhhhh…
– (técnico) Pois não, em que posso te ajudar?
– (otário) A atendente me encaminhou porque minha internet não tá funcionando.
– (técnico) Correto. E ela não conseguiu resolver o problema?

Outra boa oportunidade perdida. A frase correta seria “Resolveu, sim. Mas eu a chamei pra ir ao cinema e ela disse que só vai se você for junto. Vamo nessa? Eu levo minha irmã de 14 anos pra te fazer companhia”.

 – (otário) Não, por isso ela me encaminhou.
– (técnico) Ok. Qual o número de usuário?
– (otário) Ué, eu acabei de passar esses números pra outra atendente. Porque tenho de passar toda hora essa droga de número para resolver um problema tão simples?
– (técnico) Senhor, é para a sua segurança…
– (otário) Ah, meu Deus. Tó, o número é tal.
– (técnico) Correto. E o do CPF?
– (otário) Ah, não, de novo não. Eu não vou ficar sendo transferido para tudo quando é lugar para vocês ficarem me pedindo tudo quanto é dado. Já passei esses números. Porque vocês simplesmente não resolvem meu problema?
– (técnico) Mas senhor, é para a sua segurança…
– (otário) Sabe o que vocês deviam fazer pra minha segurança? Manter essa porcaria de internet funcionando, para que eu não precise ficar ligando pra vocês a toda hora!!!

Claro que, neste momento, a ligação caiu. E o otário aqui teve de ligar de novo e passar novamente os dados. Quando passei os dados, a atendente soltou um desanimado “ah, é o senhor, senhor Fábio?” E finalmente resolveu meu problema. Mas claro, a internet caiu de novo em muito pouco tempo…

Na Sibéria não tem nada disso!

junho 3, 2009

(minissérie em intermináveis capítulos)

Estou fazendo esta postagem de um ciber. Por quê? Porque tive o azar de aceitar os serviços da Net, contratadas pelo condomínio onde moro, se Deus quiser não por muito tempo. Fazer uma única postagem sobre os lamentáveis serviços prestados seria pouco. Por isso, uma vez por semana (segunda ou terça-feira) vou postar um capítulo da terrível e agoniante novela em que se transformou a minha (inútil) tentativa de ter um serviço razoável de internet em casa.

PROBLEMA NA PRIMEIRA SEMANA

– (otário) Bom dia, estou com um problema na internet. Estou sem conexão em casa.
– (atendente) Pois não, senhor. Qual o seu número de usuário.
– (otário) Mas precisa de um número de usuário?
– (atendente) Sim, só conseguimos fazer o atendimento com esse número
– (otário) Mas pra que precisa desse número?
– (atendente) É para agilizar o serviço, senhor…
– (otário, ficando irritado) Tá, tá bom. O que eu preciso para fazer esse cadastro?
– (atendente) O senhor tem de me passar seu endereço, RG e CPF
– (otário) Tá bom, o endereço é tal, o CPF é tal e o RG é tal
– (atendente) Ok, senhor. Vou gerar o cadastro…
– (otário)
– (atendente) Senhor, o seu número de usuário é tal.
– (otário) Ok, muito obrigado. Então, sobre meu problema…
– (atendente) Sim, senhor. Aguarde que eu vou transferí-lo.
– (otário) Ei, mas não é você que…
– (GRAVAÇÃO) Aguarde que em breve iremos atendê-lo…
– (otário) Putaquipariu…
– (atendente) Bom dia, em que posso ajudar?
– (otário) Minha internet não tá funcionando, preciso que resolvam isso logo.
– (atendente) Sim, senhor. Qual seu número de usuário?
– (otário) Meu número é tal
– (atendente) Ah, pois não. Aguarde um momento…
– (otário)
– (atendente) Senhor, por favor, qual o seu CPF?
– (otário) Pra que você quer meu CPF?
– (atendente) Senhor, é para a sua segurança…
– (otário) Ué, mas pra já passei meu número de cadastro. Pra quê vocês precisam do CPF?
– (atendente) Senhor, é para a sua segurança…
– (otário) Minha filha, pra quê vocês inventam um número de usuário se vocês vão pedir todos os dados do mesmo jeito?
– (atendente, robótica) Senhor, é para a sua segurança…

Percebi que esses atendentes conseguiram um resposta padrão para qualquer tipo de pergunta. Ela poderia ser usada, por exemplo, por deputados acusados de desviar dinheiro público, para a mulher pega com a boca na botija com o Ricardão ou para o menino que quebrou o precioso vaso chinês comprado pela mãe em Xangai, de um mascate que alegou ser uma legítima peça da dinastia Ming.