Na Sibéria não tem nada disso!

(minissérie em intermináveis capítulos)

Estou fazendo esta postagem de um ciber. Por quê? Porque tive o azar de aceitar os serviços da Net, contratadas pelo condomínio onde moro, se Deus quiser não por muito tempo. Fazer uma única postagem sobre os lamentáveis serviços prestados seria pouco. Por isso, uma vez por semana (segunda ou terça-feira) vou postar um capítulo da terrível e agoniante novela em que se transformou a minha (inútil) tentativa de ter um serviço razoável de internet em casa.

PROBLEMA NA PRIMEIRA SEMANA

– (otário) Bom dia, estou com um problema na internet. Estou sem conexão em casa.
– (atendente) Pois não, senhor. Qual o seu número de usuário.
– (otário) Mas precisa de um número de usuário?
– (atendente) Sim, só conseguimos fazer o atendimento com esse número
– (otário) Mas pra que precisa desse número?
– (atendente) É para agilizar o serviço, senhor…
– (otário, ficando irritado) Tá, tá bom. O que eu preciso para fazer esse cadastro?
– (atendente) O senhor tem de me passar seu endereço, RG e CPF
– (otário) Tá bom, o endereço é tal, o CPF é tal e o RG é tal
– (atendente) Ok, senhor. Vou gerar o cadastro…
– (otário)
– (atendente) Senhor, o seu número de usuário é tal.
– (otário) Ok, muito obrigado. Então, sobre meu problema…
– (atendente) Sim, senhor. Aguarde que eu vou transferí-lo.
– (otário) Ei, mas não é você que…
– (GRAVAÇÃO) Aguarde que em breve iremos atendê-lo…
– (otário) Putaquipariu…
– (atendente) Bom dia, em que posso ajudar?
– (otário) Minha internet não tá funcionando, preciso que resolvam isso logo.
– (atendente) Sim, senhor. Qual seu número de usuário?
– (otário) Meu número é tal
– (atendente) Ah, pois não. Aguarde um momento…
– (otário)
– (atendente) Senhor, por favor, qual o seu CPF?
– (otário) Pra que você quer meu CPF?
– (atendente) Senhor, é para a sua segurança…
– (otário) Ué, mas pra já passei meu número de cadastro. Pra quê vocês precisam do CPF?
– (atendente) Senhor, é para a sua segurança…
– (otário) Minha filha, pra quê vocês inventam um número de usuário se vocês vão pedir todos os dados do mesmo jeito?
– (atendente, robótica) Senhor, é para a sua segurança…

Percebi que esses atendentes conseguiram um resposta padrão para qualquer tipo de pergunta. Ela poderia ser usada, por exemplo, por deputados acusados de desviar dinheiro público, para a mulher pega com a boca na botija com o Ricardão ou para o menino que quebrou o precioso vaso chinês comprado pela mãe em Xangai, de um mascate que alegou ser uma legítima peça da dinastia Ming.

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5 Respostas to “Na Sibéria não tem nada disso!”

  1. Maitê Says:

    Fábio, o mais bizarro é que eu nunca tive problemas com a Net. E eu era a única pessoa de Porto Alegre que não tinha problemas. Penso que poucas epssoas tinham o serviço no meu bairro. Daí não tinha tanto problema.
    Agora vou ter que pegar uma internet 3G. Tenho que descobrir uma que funcione.

    • Fábio Mendes Says:

      Maitê

      Talvez só você tivesse o serviço da NET em seu bairro. O que explicaria o caso quase que inacreditável. Valeria até mesmo um capítulo daquela série: “Além da Imaginação”

      O problema é que aqui no meu bairro eles detêm o monopólio, por isso são tão negligentes. Só que vou me mudar em breve para um lugar com opções. E, claro, não escolherei mais a net. Eles acham que estão levando vantagem, mas na verdade perderão um cliente.

  2. Érica França Says:

    Não consigo rir da situação por estar envolvida nela. Na próxima, a gente pendura o fulano de cabeça pra baixo na árvore enquanto pede a religação do serviço. E se ele perguntar porque fazemos isso, informamos que é para sua segurança.

  3. Bremm Says:

    Cheguei meio tarde por aqui. Da mesma forma que a moça chamada Maitê, logo acima, também sou de Porto Alegre e faço parte do chamado “nó CH” (que compreende os arredores ao norte do Iguatemi e Bourbon Shopping). Saindo do romantismo relacionado ao atendimento (robotizado) ao cliente, a parte técnica deles até é boa. O nível do pessoal que trabalha na rede (cabeamento, adequação etc.) não pode e nem deve ser comparado ao dos imbecis (um eufemismo para a profanidade que eu poderia usar agora) que te atendem pelo telefone.

    O suporte telefônico meia-boca, não só do Vírtua, mas de qualquer empresa de telefonia/internet no Brasil é uma tremenda piada de mau gosto.

    Voltando ao Vírtua (e procurando não fazer spam em blog alheio), de vez em quando resolvo escrever um artigo “malhando o Judas”. Porque nem o pessoal da infraestrutura sendo melhor que o do helpdesk consegue resolver alguns problemas que profissionais da área de TI (tal como eu) veem como sendo desastrosos para qualquer modalidade de comunicação de dados.

    Boa sorte aos NETS (eu bem que gostaria de deixar de ser um, e jamais voltar).

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