Menor, mas ainda assim superior

Quando “O ano em que meus pais saíram de férias” chegou aos cinemas, a crítica encheu a película de elogios. De fato, estávamos diante de um dos melhores, se não o melhor filme nacional dos últimos anos. A unanimidade foi tão grande que, em dado momento, faltaram adjetivos originais para classificar a obra. Foi então que alguém se saiu com uma tirada genial: “É tão bom que parece filme argentino”.

De fato, há muito tempo não se vê uma série de filmes tão bons vindos de um mesmo lugar. A diferença entre os filmes brasileiros é gritante, e não se trata de aspectos técnicos, já que o cinema tupiniquim evoluiu consideravelmente neste quesito. Mas as histórias e a forma com que elas são contadas pelos argentinos são mesmo muito superiores. Mesmo nos filmes menores.

Um bom exemplo está em “A Janela”, de Carlos Sorín, ainda em cartaz nos cinemas de São Paulo. A história do filme é a mais singela possível. Um escritor octogenário, bastante doente, aguarda em seu sítio na Patagônia a visita do filho, um pianista de fama na Europa. Enquanto espera, tenta se lembro do rosto de uma moça, que apareceu em um sonho. Só isso. Mais nada.

Mesmo com tão pouco, Sorín consegue cativar. As paisagens repetitivas e melancólicas da patagônia ganham força e beleza à medida em que ela se integra com a história dos personagens, igualmente melancólicas e que também parecem ganhar peso, assim como outro filme seu: “Histórias Mínimas”, cujo nome diz tudo.

“A Janela” não tem aquela dramaticidade pentelha dos filmes brasileiros e nem aquelas simbologias chatinhas de filmes iranianos. E foge da cabecice de alguns filmes europeus e asiáticos. Mesmo não sendo um dos grandes filmes platinos, consegue cativar com uma boa história, boas idéias e uma singular dose de simplicidade.

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2 Respostas to “Menor, mas ainda assim superior”

  1. Érica França Says:

    O que realmente me impressiona nos filmes argentinos é como histórias tão simples, bobas até, são retratadas de forma sensível, cativante, bonita. O que ocorre é que sempre nos identificamos. Os personagens dos filmes argentinos poderiam muito bem ser minha mãe, minha avó ou eu mesma. Isso não ocorre com os filmes brasileiros, embora tenham também se destacado. Beijão.

  2. Evaldo Novelini Says:

    “Nueve Reinas” foi meu filme favorito durante muito tempo. Uma pena Fabián Bielinsky ter morrido tão jovem.

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