Archive for agosto \28\UTC 2009

All Star, canções e romances

agosto 28, 2009

Num universo literário repleto de livros de auto ajuda, esoterismos baratos e “minutos de inteligência” que beiram a demência, a literatura contemporânea vai se afundando em obras cada vez mais esquecíveis.

Entrar em uma livraria e procurar algo novo, mas de qualidade, é tarefa inglória. Talvez por isso o melhor da produção atual possa ser encontrada por outros meios. A internet, claro, é um deles. E é por meio dessa ferramenta que podemos encontrar algumas pequenas jóias.

Como por exemplo “Algo no jeito como ela se move”, romance do escritor, dramaturgo e chapa Paulo Ferro Júnior, ou simplesmente Paulo F. O livro traz aqueles ingredientes da vida pelas quais todos nós já passamos: a euforia, expectativa por algo bacana e importante que está por vir, as desilusões, a sensação de perder o chão sob os pés. Tudo descrito de forma cativante e especial.

Ric, Sky e tantos outros personagens deste romance são tão palpáveis como as pessoas que você pode encontrar pela rua. Nem por isso menos complexas, perdidas que estão nos sonhos produzidos pela grande cidade onde vivem, enquanto curtem seus livros, canções e amores prediletos.

O livro está à venda apenas pela internet, por um preço mais que camarada. Se antes de comprá-lo você quiser dar uma conferida, as dez primeiras páginas, incluindo o prefácio, estão disponíveis neste link.

Para comprar, é só dar uma clicada aqui. O livro é sensacional, recomendo!

A revolta do Zen

agosto 26, 2009
Foto: Wilson Dias/ABr

Foto: Wilson Dias/ABr

Eduardo Suplicy é uma figura sui generis na política brasileira. De fala mansa, sempre muito tranquilo, chega a irritar os mais apressados e ansiosos. Especialmente quando leva alguns anos para completar um raciocínio e proferir uma frase, por mais simples que seja. Mas nas palestras que profere país afora, se torna praticamente um ídolo da juventude, ao lembrar os sonhos de um passado não tão distante e cantar músicas de Bob Dylan e Racionais MC’s. Sempre da forma mais esdrúxula possível.

Para muitos, Suplicy é a imagem pronta de um loser de escola. Um cara honesto que, por isso mesmo, é alvo de chacota. Eu mesmo chego a ter a impressão de que, um dia qualquer, algum senador do DEM vai colocar um bilhete escrito “me chute” em suas costas.

Por outro lado, sempre foi um cara que criticou abertamente as alianças espúrias do PT, o partido que ajudou a fundar. Enquanto seus velhos amigos lambiam o saco da escória do PMDB, ele se manteve à margem e não se escondeu. Ao contrário: fez questão de tornar pública sua opinião. Mesmo assim, se recusou a abandonar seu partido, alegando que precisava zelar por ele.

Pregando no deserto, infelizmente ele não conseguiu fazê-lo. Mas é emblemática a frase de Lula sobre ele, justamente quando o PT tentava se aproximar do PMDB. Alguns correligionários pediram que Suplicy participasse do processo mas o presidente da República recusou. “Não dá pra contar com o Suplicy porque ele segue apenas a consciência dele”, afirmou, como se isso fosse um pecado mortal, e não uma virtude cada vez mais rara hoje em dia.

No entanto, ontem o homem-paciência mostrou que tudo tem limite. Assim como muitos no Senado, ele subiu à tribuna para pedir a renúncia de José Sarney. Mas Suplicy não é um senador qualquer, e seus protestos teriam de se destacar pelo inusitado. Pois o homem surgiu armado de um cartão vermelho. Ergueu os braços com o acessório às mãos e fez a alegria dos fotógrafos e repórteres presentes. De quebra, bateu boca com o nojento Heráclito Fortes e demonstrou uma ira e revolta que nunca tinha presenciado partindo dele.

Por se tratar de Eduardo Suplicy, a teatralidade do gesto deixou de ser uma forma demagógica de chamar a atenção para se tornar apenas uma forma curiosa de demonstrar nojo pela situação atual do Senado. O senador paulista sempre se destacou pelas atitudes curiosas e, desta vez, não seria diferente. Porém, bem melhor que o cartão vermelho em si, foi presenciar o ódio sincero do sempre tranquilo senador. Desta forma, ele nos mostrou que, afinal, não estamos sozinhos em nossa ira.

Meu Twitter é aqui (2)

agosto 20, 2009

– O site da patroa está com nova promoção. Agora o prêmio é uma transformação visual para a mulherada. Cola lá: http://bit.ly/3VBJ3d

– Xuxa ganha Kikito em Gramado pelo conjunto da obra. O fim do mundo? Que nada! Vem aí a animação “Ivete Stellar e a Pedra da Luz”. Medo!!

– Falando em fim do mundo, aposto que o Paulo Coelho vai ser o primeiro brasileiro a ganhar o Nobel de Literatura. Aguardem e chorem!!

– Serra dá entrevista sobre todos os assuntos Brasil afora. Mas acreditem: ele NÃO está fazendo campanha antecipada à presidência.

– Depois do fim da obrigatoriedade do diploma, os salários para jornalistas caíram drasticamente. Em breve, trarei aqui as provas.

 – O History Channel praticamente virou um Discovery 2. Professores de História e afins estão a ponto de ficar órfãos.

Vanzolini e o fim da MPB

agosto 17, 2009

“Então eu queria deixar um testemunho, de um amor com a cidade e com o povo. Do povo, de cada um pessoalmente, eu não gosto, mas do povo no geral eu gosto muito”.

É com essa frase lapidar do velho zoólogo e compositor Paulo Vanzolini que tem início o documentário “Um Homem de Moral”, de Ricardo Dias sobre o próprio sambista. Não poderia ser melhor cartão de visitas para um filme interessantíssimo para quem gosta de samba e/ou se delicia com bons personagens reais retratados na telona. Nesta frase temos uma pequena síntese do trabalho: um belo filme sobre um personagem carismático e especial.

Paulo Vanzolini não é sambista profissional. Seu ganha-pão é a biologia. Mas com as músicas que compôs ganhou um espaço especial na música brasileira e sobretudo na paulista. Com clássicos como “Volta por Cima”, “Praça Clóvis” e “Ronda”, ele derrubaria a tese de Vinícius de Moraes de que São Paulo era o “túmulo do samba”.

Como cantor, Vanzolini era ótimo compositor...

Como cantor, Vanzolini era ótimo compositor...

O filme mostra cenas do cotidiano de Vanzolini, entrevistas em que ele como criou suas mais conhecidas canções e encontros musicais de todos os tipos. Entre uma cena e outra, aparecem trechos de espetáculos de anos anteriores feitos em homenagem ao cantor e cenas preciosas, como uma entrevista com seu amigo Adoniran Barbosa, falecido em 1982, e Paulinho Nogueira, também já falecido, interpretando “Valsa das 3 da manhã” .

“Um Homem de Moral” serviu não só para curtir um belíssimo filme, mas também para conhecer um pouco mais da obra do compositor, do qual sabia muito pouco. Serviu também para reforçar alguns conceitos, como o de grandes canções e compositores escasseiam com velocidade absurda, e que a MPB caminha célere para um fim indigno. Hoje só se vêem “filhos de peixe” sem criatividade alguma, cantores medíocres que se esmeram na arte da cópia e letristas metidos a Caetano Veloso – se o original é ruim, imaginem as cópias…

Ultimamente tenho me sentido um tiozinho, daqueles que só ouvem coisas velhas. Os sons novos são raros. Mas é de se pensar se isso é um reflexo da maturidade/velhice ou se é resultado da decadência musical de nossos dias.

Bom, vou pensar nisso ouvindo o tio Vanzolini, porque esse sabia das coisas.

Na Sibéria não tem nada disso (5)

agosto 3, 2009

(penúltimo capítulo da minissérie)

O DRAMA SE REPETE

Não bastou ir ao escritório da NET e entregar o comprovante de pagamento. Nos quase dois meses seguintes, a internet continuou sendo cortada, quase que semanalmente. E toda vez que eu ligava a desculpa era a mesma: “Não consta o pagamento de janeiro”. E eu sempre tinha de contar a história toda, passar os números de protocolo, xingar todo mundo etc. Num domingo, a internet caiu mais uma vez. No dia seguinte, liguei duas vezes. Na primeira ligação me disseram que um funcionário do departamento de cobrança ia retornar. Na segunda tentativa, disseram que o sinal ia ser reativado em no máximo 20 minutos. Evidentemente, não aconteceu nem uma coisa nem outra. Na terça-feira, terceiro dia seguido sem internet e já bufando de raiva, liguei novamente para os energúmenos.

– (otário) Olha, antes de mais nada vou logo avisando: liguei ontem duas vezes porque minha internet está desligada. Falaram que eu não paguei a conta de janeiro, mas já expliquei mil vezes: eu paguei a conta de janeiro junto com meu condomínio. Foi o último mês em que as contas vieram juntas. A partir de fevereiro a conta veio separada e paguei pelo boleto da NET. Mas em janeiro veio junto. Eu já fui no Procon, já levei os comprovantes de pagamento para o escritório da NET em Mogi e eles já tinham religado a internet. Por favor parem de desligar esse troço!!!
– (atendente) Ok, senhor. Aguarde um momento.
– (otário) Tá bom…
– (atendente) Senhor, não consta o pagamento de janeiro.
– (otário) Ô meu Deus do céu!!!! Eu já te expliquei o que aconteceu!!! Eu preciso que vocês liguem logo essa internet.
– (atendente) Mas senhor, esse problema quem tem de resolver é o departamento de cobrança.
– (otário) Ah, claro. Aliás, ontem eu liguei, passei meu telefone e ficaram de me ligar. Recebi o protocolo tal. Porque não me ligaram?
– (atendente) Olha, senhor, eu não sei… Para resolver esse problema o senhor tem de ligar para o número…
– (otário, irritado) Eu não vou ligar para lugar nenhum. Vocês ficaram de me ligar ontem, fiquei que nem um idiota esperando o dia inteiro e ninguém ligou pra mim nem religaram minha internet. Porque ninguém resolveu meu problema?
– (atendente) Senhor, é só o senhor ligar para o setor…
– (otário, muito irritado) Não, você não entendeu! Eu paguei a conta. E ainda me dei ao trabalho de ir até o escritório de vocês para levar um comprovante de pagamento, porque alguém desse setor não tem competência suficiente para dar conta de algo tão simples.
– (atendente) Senhor, é só ligar…
– (otário, irritadíssimo) Não, já perdi demais o meu tempo. Não vou ligar pra lugar nenhum. Ou você me transfere agora para o setor ou religa minha internet!!!

Claro que não religaram minha internet, mas ao menos me transferiram para uma “supervisora”. Tive de contar toda a história de novo…

 – (supervisora) Mas senhor Fábio, nós já lhe mandamos o boleto.
– (otário) Minha filha, eu já paguei essa merda, junto com o condomínio!!! Já expliquei mil vezes. Tenho todos os recibos, já levei o comprovante de janeiro para o escritório da NET. Porque tenho de me explicar toda semana e implorar para que vocês religuem essa bosta de conexão, que aliás só dá problema?
– (supervisora) Mas esse boleto não é referente ao mês anterior?
– (otário, já surtando) O condomínio é, mas a NET não. Tanto que recebemos um aviso da administradora do condomínio pedindo para que a gente não pagasse esse boleto que vocês enviaram para a gente em janeiro. A gente só começou a pagar quando a administradora passou a mandar o condomínio sem o valor da NET incluso.
– (supervisora) Mas consta um débito em nossa conta. O senhor tem de falar com o setor…
– (otário, surtado) CARALHO, NÃO VOU LIGAR PRA SETOR NENHUM!!! JÁ TIVE DE SAIR DE CASA VÁRIAS VEZES PRA CONFIRMAR QUE EU PAGUEI ESSA PORRA E MESMO ASSIM VOCÊS CORTARAM MINHA INTERNET!!! VOCÊS SÃO UNS INCOMPETENTES!!!
– (supervisora) Mas senhor…
– (otário) SENHOR O CARALHO!!!!  MINHA ÚNICA OBRIGAÇÃO É PAGAR ESSE LIXO DE INTERNET EM DIA. NUNCA DEIXEI DE PAGAR MENSALIDADE NENHUMA E A ÚNICA COISA QUE VOCÊS TÊM DE FAZER, QUE É MANTER MEU SINAL, VOCÊS NÃO FAZEM.
– (supervisora) O senhor tem de ligar para outro setor, então…
– (otário, totalmente surtado) JÁ PERDI TEMPO, DINHEIRO E PACIÊNCIA INDO ATÉ O ESCRITÓRIO DE VOCÊS, PARA COMPROVAR QUE EU PAGUEI ESSE LIXO DE INTERNET, E AGORA VOCÊ QUER QUE EU FIQUE LIGANDO, IMPLORANDO PRA VOCES CUMPRIREM COM SUA OBRIGAÇÃO? VOCÊS NÃO ESTÃO ME FAZENDO NENHUM FAVOR!!! SE EU TIVESSE MORANDO EM UMA ALDEIA DO CONGO EU NÃO TERIA TANTOS PROBLEMAS COM A INTERNET COMO TENHO COM VOCÊS, COM ESSA PORCARIA DE SERVIÇO QUE VOCÊS PRESTAM!!!

Conclusão: eles não resolveram meu problema. Decidi, depois de muitas tentativas, cancelar o serviço. Foi um pouco mais rápido, mas nem por isso menos doloroso.