Vanzolini e o fim da MPB

“Então eu queria deixar um testemunho, de um amor com a cidade e com o povo. Do povo, de cada um pessoalmente, eu não gosto, mas do povo no geral eu gosto muito”.

É com essa frase lapidar do velho zoólogo e compositor Paulo Vanzolini que tem início o documentário “Um Homem de Moral”, de Ricardo Dias sobre o próprio sambista. Não poderia ser melhor cartão de visitas para um filme interessantíssimo para quem gosta de samba e/ou se delicia com bons personagens reais retratados na telona. Nesta frase temos uma pequena síntese do trabalho: um belo filme sobre um personagem carismático e especial.

Paulo Vanzolini não é sambista profissional. Seu ganha-pão é a biologia. Mas com as músicas que compôs ganhou um espaço especial na música brasileira e sobretudo na paulista. Com clássicos como “Volta por Cima”, “Praça Clóvis” e “Ronda”, ele derrubaria a tese de Vinícius de Moraes de que São Paulo era o “túmulo do samba”.

Como cantor, Vanzolini era ótimo compositor...

Como cantor, Vanzolini era ótimo compositor...

O filme mostra cenas do cotidiano de Vanzolini, entrevistas em que ele como criou suas mais conhecidas canções e encontros musicais de todos os tipos. Entre uma cena e outra, aparecem trechos de espetáculos de anos anteriores feitos em homenagem ao cantor e cenas preciosas, como uma entrevista com seu amigo Adoniran Barbosa, falecido em 1982, e Paulinho Nogueira, também já falecido, interpretando “Valsa das 3 da manhã” .

“Um Homem de Moral” serviu não só para curtir um belíssimo filme, mas também para conhecer um pouco mais da obra do compositor, do qual sabia muito pouco. Serviu também para reforçar alguns conceitos, como o de grandes canções e compositores escasseiam com velocidade absurda, e que a MPB caminha célere para um fim indigno. Hoje só se vêem “filhos de peixe” sem criatividade alguma, cantores medíocres que se esmeram na arte da cópia e letristas metidos a Caetano Veloso – se o original é ruim, imaginem as cópias…

Ultimamente tenho me sentido um tiozinho, daqueles que só ouvem coisas velhas. Os sons novos são raros. Mas é de se pensar se isso é um reflexo da maturidade/velhice ou se é resultado da decadência musical de nossos dias.

Bom, vou pensar nisso ouvindo o tio Vanzolini, porque esse sabia das coisas.

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2 Respostas to “Vanzolini e o fim da MPB”

  1. Érica França Says:

    Então, temos algumas coisas em comum: eu também não conhecia (quase nada) o Vanzolini e também me sinto uma tiazinha. Fico ouvindo as velharias do Almir Sater e do prêmio-tiozinho-aur-concour Lô Borges.

    Adorei o filme e, ei, o Vanzolini não é biológo, é zoológico, rs.

    Beijos.

  2. ro druhens Says:

    Muito obrigada pelas visitas e comentários! De fato, as atualizações são raras por lá, mas, mais rara ainda é a “inspiração”…Abração.

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