Querem enganar a quem?

É impressão minha ou todo mundo pirou? Sim, porque nos meus constantes arroubos de otimismo, prefiro achar que caiu um parafuso da cabeça de cada indivíduo deste Brasil varonil do que achar que a hipocrisia virou epidemia ainda mais contagiosa e mortal que a dengue e a gripe suína juntas. E como não podia deixar de ser, eis que o esporte segue sendo contaminado por defensores da moral e dos bons costumes.

A primeira vítima da onda moralista foi o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo. Nos últimos dias ele foi enxovalhado pela imprensa esportiva por conta de um vídeo que vazou na internet, em que ele usa a frase “Vamos matar os bambis” em um evento da Mancha (Alvi)Verde. Claro, os arautos da ética já falaram que Belluzzo, logo ele, estava pregando a violência contra a torcida do São Paulo.

Na verdade, a alusão era apenas futebolística (na ocasião, o Palmeiras era líder isolado e o São Paulo tinha acabado de perder partida importante). Qualquer idiota sem más intenções perceberia que Belluzzo comemorava o fato de o Palmeiras estar muito perto do título àquele momento. Ah, mas usar a expressão “matar” é feio, incita a violência. Tá bom, cara pálida, então o que me diz de a própria imprensa esportiva utilizar as expressões “artilheiro” e “matador” há décadas para falar de jogadores que marcam muitos gols?

Evidentemente, os palmeirenses ficaram putos com a hipocrisia dos jornalistas. Mas infelizmente sofrem do mesmo mal. Ontem, vários ficaram putos pelo fato de o Corinthians ter “entregado” o jogo ao Flamengo. Ora, pílulas: se o Corinthians vencesse o Flamengo, deixaria São Paulo ou Palmeiras, seus maiores rivais, com chances enormes de ficar com o título brasileiro. Que reação vocês esperariam dos gambás? Será que, se estivéssemos no lugar deles, não faríamos o mesmo? Duvido muito que não.

Faço um paralelo com o comportamento dos torcedores do Internacional. Estes estão conformados com a perda do título. Afinal, eles precisam vencer e torcer para que o GRÊMIO vença o Flamengo no Maracanã. Quase impossível, não? E os colorados nem reclamam, certamente porque sabem que, se a situação fosse inversa, o Inter jamais se esforçaria para ganhar um jogo e dar o título ao maior rival.

Se tal atitude é condenável, e não deixa ser mesmo, são outros quinhentos. Agora, brincar de indignado a esta hora me deixa com muito mais asco que a atitude do Corinthians.

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5 Respostas to “Querem enganar a quem?”

  1. Amato Says:

    a verdade é uma só, meu caro Mendes: os jogadores do seu time são um bando de bichas pipoqueiras. Não fizeram a parte deles e agora a torcida tá querendo culpar o Corinthians pela perda da taça? só me faltava essa…
    Mas não se preocupa não. Daqui a pouquinho começa o Paulista. Esse eu acho que vocês levam, já que as nossas atenções estarão voltadas para a taça da Libertadores.

  2. Evaldo Novelini Says:

    Eu me divirto muito com essa fixação dos corintianos pela Libertadores. Outro dia ouvi uma piada extremamente preconceituosa, mas ao mesmo tempo muito engraçada. Tanto que gostaria de dividi-la aqui com vocês. Dizia que, em enquete sobre o maior desejo pessoal realizada entre presidiários, cinco por cento apontaram a liberdade imediata. Os outros 95% preferiram a conquista da primeira Taça Libertadores da América.

  3. Amato Says:

    E eu me divirto com essa mania dos palmeirenses de fugir das discussão sobre o futebol do time sempre com a mesma piadinha sobre a origem humilde da grande maioria dos torcedores do Corinthians. Paixão independe de raça ou condição social, meus caros. De modo que, do presidente da República ao presidiário, somos todos, simplesmente, corinthianos. E mais: apesar da rivalidade, o Palmeiras e sua torcida sempre contaram com o meu respeito. Mas depois deste ano – com esse time de pipoqueiros e a choradeira em torno da derrota do Corinthians para o Flamengo -, para mim vocês e aqueles bambis sãopaulinos são farinha do mesmo saco. Deem as mãos e assistam, rancorosos, no ano que vem o triunfo alvi-negro na Libertadores.

  4. Bury Says:

    E esses dias, no esgoto-mesa redonda da Band, Leandro Quesada, ao comentar o caso Belluzzo, disse que “gente muito inteligente no futebol não dá certo”. Complementaria a frase dizendo que as cavalgaduras, se derem alguma sorte, podem até participar de programas esportivos televisivos. E assim vamos!

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