E se os mitos envelhecessem? (2)

Tempos atrás, fiz um exercício de suposições sobre o que aconteceria com alguns mitos da música se eles não morressem tão cedo. A idéia era fazer outros textos em sequência, mas só agora tive a oportunidade de prosseguir.

Renato Russo
Depois de gravar o disco “A Tempestade”, Renato retoma sua carreira solo paralela. Em 1997, grava um disco só com músicas de compositores mineiros. A primeira canção de trabalho é “Ponta de Areia”, de Milton Nascimento. O arranjo “disco club” e o título dúbio transforma a nova versão em um hino gay, o que rende dissabores com Milton. Os dois acabam se estranhando em uma das edições do Vídeo Music Brasil, da MTV. Caetano Veloso e Chico Buarque defendem o mineiro e Renato Russo, revoltado, afirma que jamais voltará a cantar em português. E anuncia, ao vivo e sem consultar seus colegas de banda, o fim da Legião Urbana.

Agora sozinho, Renato Russo procura jovens músicos britânicos para montar uma banda indie. Conhece um talentoso rapaz chamado Stuart Murdoch e consegue uma vaguinha em seu grupo, o Belle & Sebastian. A parceria vai para o vinagre quando Renato sugere mudar o nome da banda para Eric Russel Band. O cantor brasileiro é expulso.

O pior ainda estaria por vir. Em 2000, queimado com as gravadoras, Renato surta quando ouve o novo disco do Belle and Sebastian: segundo ele, os trechos finais de “The Model” são um plágio à introdução de “Índios”, em sua versão acústica. Quando a banda britânica toca no Free Jazz, em 2001, Renato tenta invadir o palco para acertar contas com Murdoch e é surrado por seguranças.

Depois do vexame, Renato passa à reclusão e só aparece na mídia para esporádicas entrevistas. Em uma delas, no ano de 2005, anuncia estar gravando um novo disco, no estúdio instalado em sua casa, e que disponibilizará as canções gratuitamente pela internet. Mas antes de realizar seu intento, a casa é arrombada e vários bens são levados, inclusive um laptop com todas as músicas inéditas. Meses depois, o Capital Inicial lança o disco de inéditas “Música Urbana 3”, que logo faz grande sucesso. Dias depois, Renato Russo se suicida, deixando apenas um bilhete-trocadilho com os dizeres: “Banda de ladrões filhos da puta”.

Jim Morrisson
O ano é 1970. O cantor deixa definitivamente os Doors, que anunciam seu fim meses depois. Vivendo em Paris, o cantor passa longo tempo sem produzir nada, até que um belo dia convida John Lennon e Paul McCartney para trabalharem juntos. Só o segundo aceita. Surge “Live and Let Light My Fire”, disco com 5 músicas, sendo que apenas a faixa título tem menos de dez minutos. Todas as faixas têm leituras de poesias e grunhidos e o álbum se torna um completo fracasso.

Depois do mico gigantesco, Jim Morrisson resolve abandonar a carreira musical. Como havia torrado com drogas todo o seu dinheiro, passa a trabalhar como pequeno fornecedor de LSD e heroína em Los Angeles. Em poucos anos, se torna um dos maiores traficantes da costa oeste americana.

Em 1985, Morrison conhece um músico brasileiro que procura cocaína de qualidade para presentear seus colegas de banda. Depois de muita conversa, acabam decidindo gravar um disco juntos: no mês de setembro daquele mesmo ano, chega ao mundo “Sou Nós”, disco de rock repleto de letras de poesia concretista. A polícia invade a festa de lançamento do disco e prende Morrisson por tráfico de drogas, assim como seu parceiro no disco, Arnaldo Antunes.

O disco foi detonado pela crítica, mas a prisão jogou holofotes para a obra, que se tornou um sucesso no Brasil. Animado, Morrison resolve se instalar definitivamente no país e, após a libertação, convida Ronald Biggs e Serguei para montar uma banda. Ambos aceitam mas, no primeiro ensaio, Serguei mata Jim Morrisson com três tiros. “Antes de morrer, o cantor norte-americano ouviria do seu algoz. “Isso é por ter comido a Janis em 1969”.

Clique aqui e leia a primeira parte do texto

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4 Respostas to “E se os mitos envelhecessem? (2)”

  1. Evaldo Novelini Says:

    Conforta-me saber que Renato Manfredini já descansa em paz.

  2. Maitê Says:

    Bacana cara.

    Boa sorte com o frila.

  3. Fábio Shiraga Says:

    Pô, não rolava deixar o Renato Russo vivo ainda na tua história? risos… Eu acho que ia gostar de conhecer o trovador solitário.

    • Fábio Mendes Says:

      Cara, eu também gostaria de conhecer a figura. Mas convenhamos: ele só ia passar raiva neste mundo tosco em que vivemos. Melhor deixar ele descansar um pouco…

      Abraço, Xará!!!

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