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Vá ao teatro, mas não me convide (já estarei lá)

março 10, 2010

Meu caro amigo Paulo F continua em sua saga por um teatro bacana e sem frescuras. O que, diga-se, não é nada fácil. Afinal de contas, ele não é um autor badalado e tampouco conta no elenco de suas peças com algum global ou integrante do CQC. Como atrair as pessoas ao teatro, então? Com um trabalho de qualidade. E um bom exemplo está nas peças que ele encena no teatro Ruth Escobar, e que seguirão em cartaz até o dia 4 de abril.

Paulo F sabe como tratar as palavras, para dar a elas o peso ou a leveza necessária e para arrancar o riso ou a lágrima. Foi assim com suas peças anteriores: “Algo no Jeito Como ela se Move” e “São de Cera as Luzes da Cidade”. O mesmo acontece nas comédias com que tem trabalhado. Depois de dirigir “Mulheres, Bobeiras e um Ataque de Risos”, ele segue em cartaz com “Sedutor por Acaso”, escrita e dirigida por ele.

“Sedutor por acaso” mostra a história de Daniel, um rapaz tímido e inseguro, que curte uma longa fossa por ter sido abandonado por Linda, sua ex-namorada. As confusões em sua vida começam depois que ele é hipnotizado por seu analista e se transforma em um sedutor irresistível.

Paulo F. também está com outra peça, desta vez um infantil. “O Livro dos Sonhos” é uma interessante história sobre a importância dos livros, especialmente dedicado às crianças, hoje tão imersas na televisão e nos computadores. Nesta peça, a protagonista encontra personagens clássicos das histórias infantis, como o Capitão Gancho, o Coelho Branco (de “Alice no País das Maravilhas”) e Ariel, a pequena sereia, além de enfrentar o terrível Senhor dos Sonhos. O espetáculo utiliza recursos multimídia e efeitos especiais.

Não fique aí parado, encostado, enfurnado feito um bundão. Vai lá no Ruth Escobar! 

SAIBA MAIS

Sedutor por Acaso (comédia)
Texto e direção: Paulo F.
Teatro Ruth Escobar – Sala Miriam Muniz
Rua dos Ingleses, 209, Bela Vista, São Paulo-SP
Até: 4 de abril
Em cartaz: Sextas, às 21h30; Sábados, às 21 horas e Domingo, às 19 horas
Classificação etária: recomendada para maiores de 14 anos
Elenco: Aline Abovsky, Géssica Alvarenga, Júlia Mariano, Juliano Dip Lencioni, Paulo F. e Tadeu Pinheiro
Sinopse: Após uma experiência mal sucedida em sua sessão de terapia, um jovem nerd acaba se tornando um exímio conquistador, causando diversas confusões e maus entendidos em sua vida.
Duração: 60 minutos
Ingresso: R$ 30 
O Livro dos Sonhos (infantil)
Texto e direção: Paulo F.
Teatro Ruth Escobar – Sala Miriam Muniz
Rua dos Ingleses, 209, Bela Vista, São Paulo-SP
Até: 4 de abril
Classificação: Livre
Em cartaz: Sábados e domingos, às 17h40
Elenco: Maira Peres, Ferdi Mendonça e Flávia Suzuki
Sinopse: Para acabar com a tristeza que ameaça o mundo da imaginação, a pequena Lena viaja pelo mundo dos contos de fadas. O espetáculo utiliza recursos multimídia e efeitos especiais.
Duração: 50 minutos
Ingresso: R$ 20 (ou R$ 10 para crianças até 12 anos ou com até uma hora de antecedência)

Mais tensão, menos política

março 2, 2010

Este cara sim é workaholic. O resto é conversa!

“Guerra ao Terror” é um dos filmes indicados ao Oscar. Campeão de indicações (nove, o mesmo número de “Avatar”), o filme corre o risco de ficar de fora da disputa por conta de alguns vacilos de um dos produtores, Nicholas Chartier, que andou fazendo lobby escandaloso pelo filme.

Se isto realmente acontecer será um pena, pois este é um trabalho que joga uma lufada de ar no gênero dos filmes de guerra. Dirigido por Kathryn Bigelow, ele foge do padrão tradicional das películas sobre as guerras do Iraque e Afeganistão. Não há citações políticas evidentes e escancaradas durante o filme, não se faz defesa ostensiva ou crítica dura à intervenção norte-americana nestes países.

O filme conta a história de um esquadrão anti-bombas que atua no Iraque, às vésperas de seu retorno para casa. Um dos especialistas morre em ação e logo em seguida chega seu substituto: o maluco sargento William James, que trata de impor seu “estilo” logo no primeiro dia de trabalho.

Toda a história gira em torno do sargento James, de suas idiossincrasias e da maneira tensa com que se relaciona com os colegas de equipe. Tensão, aliás, sobra no filme, especialmente durante as missões do grupo. As cenas de ação são menos abundantes que em outros filmes do gênero, mas nem por isso o filme é morno.

“Guerra ao Terror” conseguiu um grande feito: tratar das loucuras do front sem tomar partido, coisa rara de se ver hoje em dia. Este é, disparado, o seu maior trunfo. Se o filme não for eliminado do Oscar, como se cogita, tem tudo para receber o devido reconhecimento.