Archive for the ‘Escolinha de crítico’ Category

Mais tensão, menos política

março 2, 2010

Este cara sim é workaholic. O resto é conversa!

“Guerra ao Terror” é um dos filmes indicados ao Oscar. Campeão de indicações (nove, o mesmo número de “Avatar”), o filme corre o risco de ficar de fora da disputa por conta de alguns vacilos de um dos produtores, Nicholas Chartier, que andou fazendo lobby escandaloso pelo filme.

Se isto realmente acontecer será um pena, pois este é um trabalho que joga uma lufada de ar no gênero dos filmes de guerra. Dirigido por Kathryn Bigelow, ele foge do padrão tradicional das películas sobre as guerras do Iraque e Afeganistão. Não há citações políticas evidentes e escancaradas durante o filme, não se faz defesa ostensiva ou crítica dura à intervenção norte-americana nestes países.

O filme conta a história de um esquadrão anti-bombas que atua no Iraque, às vésperas de seu retorno para casa. Um dos especialistas morre em ação e logo em seguida chega seu substituto: o maluco sargento William James, que trata de impor seu “estilo” logo no primeiro dia de trabalho.

Toda a história gira em torno do sargento James, de suas idiossincrasias e da maneira tensa com que se relaciona com os colegas de equipe. Tensão, aliás, sobra no filme, especialmente durante as missões do grupo. As cenas de ação são menos abundantes que em outros filmes do gênero, mas nem por isso o filme é morno.

“Guerra ao Terror” conseguiu um grande feito: tratar das loucuras do front sem tomar partido, coisa rara de se ver hoje em dia. Este é, disparado, o seu maior trunfo. Se o filme não for eliminado do Oscar, como se cogita, tem tudo para receber o devido reconhecimento.

E se os mitos envelhecessem? (2)

dezembro 9, 2009

Tempos atrás, fiz um exercício de suposições sobre o que aconteceria com alguns mitos da música se eles não morressem tão cedo. A idéia era fazer outros textos em sequência, mas só agora tive a oportunidade de prosseguir.

Renato Russo
Depois de gravar o disco “A Tempestade”, Renato retoma sua carreira solo paralela. Em 1997, grava um disco só com músicas de compositores mineiros. A primeira canção de trabalho é “Ponta de Areia”, de Milton Nascimento. O arranjo “disco club” e o título dúbio transforma a nova versão em um hino gay, o que rende dissabores com Milton. Os dois acabam se estranhando em uma das edições do Vídeo Music Brasil, da MTV. Caetano Veloso e Chico Buarque defendem o mineiro e Renato Russo, revoltado, afirma que jamais voltará a cantar em português. E anuncia, ao vivo e sem consultar seus colegas de banda, o fim da Legião Urbana.

Agora sozinho, Renato Russo procura jovens músicos britânicos para montar uma banda indie. Conhece um talentoso rapaz chamado Stuart Murdoch e consegue uma vaguinha em seu grupo, o Belle & Sebastian. A parceria vai para o vinagre quando Renato sugere mudar o nome da banda para Eric Russel Band. O cantor brasileiro é expulso.

O pior ainda estaria por vir. Em 2000, queimado com as gravadoras, Renato surta quando ouve o novo disco do Belle and Sebastian: segundo ele, os trechos finais de “The Model” são um plágio à introdução de “Índios”, em sua versão acústica. Quando a banda britânica toca no Free Jazz, em 2001, Renato tenta invadir o palco para acertar contas com Murdoch e é surrado por seguranças.

Depois do vexame, Renato passa à reclusão e só aparece na mídia para esporádicas entrevistas. Em uma delas, no ano de 2005, anuncia estar gravando um novo disco, no estúdio instalado em sua casa, e que disponibilizará as canções gratuitamente pela internet. Mas antes de realizar seu intento, a casa é arrombada e vários bens são levados, inclusive um laptop com todas as músicas inéditas. Meses depois, o Capital Inicial lança o disco de inéditas “Música Urbana 3”, que logo faz grande sucesso. Dias depois, Renato Russo se suicida, deixando apenas um bilhete-trocadilho com os dizeres: “Banda de ladrões filhos da puta”.

Jim Morrisson
O ano é 1970. O cantor deixa definitivamente os Doors, que anunciam seu fim meses depois. Vivendo em Paris, o cantor passa longo tempo sem produzir nada, até que um belo dia convida John Lennon e Paul McCartney para trabalharem juntos. Só o segundo aceita. Surge “Live and Let Light My Fire”, disco com 5 músicas, sendo que apenas a faixa título tem menos de dez minutos. Todas as faixas têm leituras de poesias e grunhidos e o álbum se torna um completo fracasso.

Depois do mico gigantesco, Jim Morrisson resolve abandonar a carreira musical. Como havia torrado com drogas todo o seu dinheiro, passa a trabalhar como pequeno fornecedor de LSD e heroína em Los Angeles. Em poucos anos, se torna um dos maiores traficantes da costa oeste americana.

Em 1985, Morrison conhece um músico brasileiro que procura cocaína de qualidade para presentear seus colegas de banda. Depois de muita conversa, acabam decidindo gravar um disco juntos: no mês de setembro daquele mesmo ano, chega ao mundo “Sou Nós”, disco de rock repleto de letras de poesia concretista. A polícia invade a festa de lançamento do disco e prende Morrisson por tráfico de drogas, assim como seu parceiro no disco, Arnaldo Antunes.

O disco foi detonado pela crítica, mas a prisão jogou holofotes para a obra, que se tornou um sucesso no Brasil. Animado, Morrison resolve se instalar definitivamente no país e, após a libertação, convida Ronald Biggs e Serguei para montar uma banda. Ambos aceitam mas, no primeiro ensaio, Serguei mata Jim Morrisson com três tiros. “Antes de morrer, o cantor norte-americano ouviria do seu algoz. “Isso é por ter comido a Janis em 1969”.

Clique aqui e leia a primeira parte do texto

Salve geral e a hipocrisia no cinema

outubro 29, 2009

Não se trata de nenhuma “apologia ao crime”, como muita gente andou dizendo por aí. Mas a verdade é que “Salve Geral”, do diretor Sérgio Rezende, age como verdadeiro advogado do diabo. Ou do PCC, ao justificar os atentados provocados pela facção criminosa por todo o Estado de São Paulo, em março de 2006.

O filme conta o drama da viúva Lúcia (Andréa Beltrão), professora de piano endividada que se acaba se envolvendo com pessoas ligadas ao PCC para proteger seu filho, preso por assassinato. Tal história corre em paralelo com o momento em que os líderes da facção começam a se articular para desafiar o governo estadual, com rebeliões e atentados a políticos e magistrados.

O filme segue a tendência recente do cinema nacional de enfocar a violência urbana, que surgiu com o sucesso de “Cidade de Deus”. Por isso mesmo, tem ação de sobra, momentos de forte tensão e um grande esforço para criar diálogos reais. Sem falar nas boas atuações do elenco, especialmente de Andréa Beltrão. O grande problema do filme é mesmo seu conteúdo político.

Se por um lado Rezende acerta ao apontar a corrupção do estado como um dos alimentos do PCC nos presídios, por outro idealiza de força estúpida a mobilização dos presos por, aham, “melhores condições”. A citação constante do lema do PCC – Paz, Justiça e Liberdade – colabora para criar uma imagem distorcida da situação. O resultado é que os líderes do grupo aparecem como grandes heróis revolucionários, enquanto alguns dos detentos vestem a pele de idealistas românticos. É de dar engulhos.

O filme embarca em uma triste tendência do cinema nacional recente: crítica social vazia e demagógica, para fazer média com o público. Defender bandidos, de uma hora para outra, se tornou pré-requisito para quem deseja mostrar a todo mundo sua “consciência social”. No fundo, são as mesmas pessoas que maltratam a empregada doméstica ou reclamam que os pretos “não conhecem seu lugar”. Então tá bom, né?

Waldick sem caetanismos

setembro 7, 2009
Waldick em seu habitat: o inferninho

Waldick em seu habitat: o inferninho

Faz um ano que assisti a “Waldick, Sempre no Meu Coração”, documentário sobre o cantor brega Waldick Soriano, durante a cobertura do Festival de Cinema e Meio Ambiente de Guararema. O filme, que entrou em cartaz na semana passada, marca a estréia da atriz Patrícia Pillar na direção e mostra o artista já combalido pelo câncer, que o mataria em 2008.

Fui para a exibição ao ar livre à espera de uma verdadeira bomba. Menos pela breguice extrema do biografado e mais pelo receio de caetanizarem o sujeito, assim como já fizeram com Odair José, Peninha e tantos outros, que de uma hora para outra viraram cult.

Na minha imaginação, o filme começaria com Caetano Veloso falando do quanto Waldick era injustiçado pelos “intelectuais da imprensa paulista” e como ele era um artista genuíno. Em seguida, apareceria o Tom Zé ou o Jorge Vercilo falando que ele é a “síntese do Brasil profundo” e que sua música era o retrato de um povo. Em dado momento, apareceria o Hermano Vianna ou coisa que o valha dizendo que Waldick Soriano lembrava Johnny Cash. Para encerrar o filme, várias bandas de rock descoladas fariam covers de “Eu não sou cachorro, não” e “Perfume de Gardênia”. Tétrico, pra dizer o mínimo.

Filme de Patrícia Pillar é um registro honesto sobre Waldick

Filme de Patrícia Pillar é um registro honesto sobre Waldick

Mas, graças a Deus, não foi nada disso o que vi em Guararema. O ambiente retratado no filme é uma cópia perfeita de seu personagem principal: ou seja, brega até a medula. Brega são as músicas, os locais onde Waldick se apresenta. Brega são seus fãs e, principalmente, boa parte das mulheres com quem se relacionou e que aparecem no filme.

Patrícia Pillar acompanha Waldick em vários shows. Nas cidades pequenas, ele canta na praça central, sempre lotada. Nas metrópoles, se apresenta em boates de quinta categoria, com aquele clima indefectível de inferninho, ainda mais realçado pelas suas músicas.

Entre uma apresentação e outra, a vida pessoal de Waldick vai se delineando na tela: boêmio e com fama de conquistador, o cantor vive sozinho no final da vida, por escolha própria, se afastando dos antigos amores e mesmo da família. Há cenas dele com seu filho, com quem tem uma relação tensa. Em dado momento, ele vira as costas, ignorando as queixas do filho, e começa a tomar um copão de uísque.

Os depoimentos dos fãs proporcionam os melhores momentos do filme: tiozinhos chapados se emocionam ao falar do ídolo. Prostitutas colocam vinis de Waldick para tocar enquanto esperam clientes na porta de casa. E por aí vai.

Ainda aparecem velhinhas acabadas lembrando de seu namoro com Waldick numa distante juventude, além da última grande paixão do artista, lamentando sua opção por continuar como um lobo solitário, mesmo corroído pelo câncer.

Patrícia Pillar estreou bem na direção, com um filme direto, sem frescuras, e que mostra o crepúsculo de um cabra macho, numa época em que, aliás, os homens vivem um tenebroso fim de feira.

Vanzolini e o fim da MPB

agosto 17, 2009

“Então eu queria deixar um testemunho, de um amor com a cidade e com o povo. Do povo, de cada um pessoalmente, eu não gosto, mas do povo no geral eu gosto muito”.

É com essa frase lapidar do velho zoólogo e compositor Paulo Vanzolini que tem início o documentário “Um Homem de Moral”, de Ricardo Dias sobre o próprio sambista. Não poderia ser melhor cartão de visitas para um filme interessantíssimo para quem gosta de samba e/ou se delicia com bons personagens reais retratados na telona. Nesta frase temos uma pequena síntese do trabalho: um belo filme sobre um personagem carismático e especial.

Paulo Vanzolini não é sambista profissional. Seu ganha-pão é a biologia. Mas com as músicas que compôs ganhou um espaço especial na música brasileira e sobretudo na paulista. Com clássicos como “Volta por Cima”, “Praça Clóvis” e “Ronda”, ele derrubaria a tese de Vinícius de Moraes de que São Paulo era o “túmulo do samba”.

Como cantor, Vanzolini era ótimo compositor...

Como cantor, Vanzolini era ótimo compositor...

O filme mostra cenas do cotidiano de Vanzolini, entrevistas em que ele como criou suas mais conhecidas canções e encontros musicais de todos os tipos. Entre uma cena e outra, aparecem trechos de espetáculos de anos anteriores feitos em homenagem ao cantor e cenas preciosas, como uma entrevista com seu amigo Adoniran Barbosa, falecido em 1982, e Paulinho Nogueira, também já falecido, interpretando “Valsa das 3 da manhã” .

“Um Homem de Moral” serviu não só para curtir um belíssimo filme, mas também para conhecer um pouco mais da obra do compositor, do qual sabia muito pouco. Serviu também para reforçar alguns conceitos, como o de grandes canções e compositores escasseiam com velocidade absurda, e que a MPB caminha célere para um fim indigno. Hoje só se vêem “filhos de peixe” sem criatividade alguma, cantores medíocres que se esmeram na arte da cópia e letristas metidos a Caetano Veloso – se o original é ruim, imaginem as cópias…

Ultimamente tenho me sentido um tiozinho, daqueles que só ouvem coisas velhas. Os sons novos são raros. Mas é de se pensar se isso é um reflexo da maturidade/velhice ou se é resultado da decadência musical de nossos dias.

Bom, vou pensar nisso ouvindo o tio Vanzolini, porque esse sabia das coisas.

John Willians é o cara!!!!

julho 20, 2009

Estava eu conversando com a patroa enquanto assistíamos a uns DVDs e eis que, num dos extras, aparece uma entrevista com John Willians, responsável pelas trilhas sonoras das trilogias “Star Wars” e “Indiana Jones”. Na minha modestíssima opinião, os temas originais estão entre os melhores da história de cinema: são empolgantes, muito bem executados, mas principalmente, se tornaram peças indissociáveis de seus filmes. Alguém consegue pensar nesses filmes sem que as canções-tema venham imediatamente à memória, e vice-versa?

Com o avanço da conversa, percebemos que tais qualidades têm surgido com frequencia cada vez menor. Boas trilhas existem, claro, mas nada que se torne uma marca registrada tão forte. Tanto que tivemos que queimar massa cinzenta para lembrar de outros trabalhos. Demorou, mas acabamos fazendo uma lista de Top Ten:

10) 2001: Uma odisséia no espaço: O número dez da lista, admitamos, foge um pouco das regras da lista (canções compostas exclusivamente para um filme). Mas a impactante “Thus Spoke Zarathustra”, de Richard Strauss, se tornou praticamente um personagem do filme dirigido por Stanley Kubrick. Hoje, a canção virou alvo de citações diversas em séries, em outros filmes e até em blasfemos comerciais de fogão no Brasil, sempre tendo como base a película de 1969. Strauss talvez ficasse muito puto, mas a verdade é que o tema foi vítima de uma curiosa apropriação indevida.

9) Superman – O Filme: Demorou um pouco para nos lembrarmos de outros temas clássicos para esta lista, mas quando a memória começou a esquentar, percebemos que dois mestres teriam seus nomes repetidos várias vezes. Um deles é Spielberg. O outro é ninguém menos que John Willians, que também assinou a trilha de Superman (dirigido por Richard Donner) e compôs sua música-tema. Willians, aliás, trabalhou na maior parte dos filmes de Spielberg, incluindo alguns que não estão na lista, mas também possuem grandes trilhas, como “Jurassic Park” e “A Lista de Schindler”

8) … E o Vento Levou: Para fãs de Trash 80’s e afins, a famosa canção composta por Max Steiner se reduziu ao tema de amor do Professor Girafales e da Dona Florinda. Mas para muitas gerações ela é a marca registrada do filme “… E o Vento Levou”, responsável por décadas pela maior bilheteria da história do cinema. O austríaco já era um famoso compositor de trilhas, responsável por musicar clássicos como o faroeste “Cimarron” e o primeiro “King Kong”, quando foi encarregado de compor os temas do épico sobre a Guerra de Secessão norte-americana. Steiner ainda seria responsável pela adaptação orquestral de outra canção que integra a lista.

7) Tubarão: Quem nunca se arrepiou com as ótimas cenas de suspense deste filme de 1975, devidamente acompanhadas de sua sensacional música-tema? Esta é mais uma das muitas parcerias entre Steven Spielberg e John Willians, sendo a mais antiga delas a fazer parte deste Top Ten. Em uma época em que os filmes-catástrofe eram moda, a dupla fez com que o filme atingisse um patamar superior, em parte graças ao aspecto musical.

6) Casablanca: A exemplo do que acontece em “2001”, aqui temos outra apropriação indevida, a belíssima canção “As Time Goes By”, de Herman Hupfeld. Mas o filme de Michael Curtiz praticamente abduziu a canção, que mais parece ter sido composta especialmente para ele, casando-se com perfeição com todo o ambiente anos 40 do filme e com as frases que também entraram para história do cinema (inclusive a célebre “Play it again, Sam”, que em nenhum momento é dita no filme). Max Steiner, autor do tema de “… E o Vento Levou”, ficou encarregado dos arranjos da versão orquestrada da música.

5) Psicose: Ok, não é bem uma “música-tema”, mas se a cena do chuveiro deste grande filme de Alfred Hitchcock tornou-se antológica, é graças ao seu não menos inesquecível fundo musical, que praticamente se tornou a trilha sonora original do medo. Tente ouvir esta música como fundo de alguma cena bonitinha e lúdica e verá como você ficará apavorado até mesmo com um inofensivo campo de flores. Cortesia de Bernard Herrmann.

4) O Poderoso Chefão: Se essa lista fosse sobre as melhores trilhas sonoras, Nino Rota certamente teria outros filmes citados. Mas foi na trilogia de Francis Ford Coppola que o genial parceiro de Fellini conseguiu criar um tema tão forte quando os inesquecíveis personagens da trilogia. E olha que estamos falando de filmes que têm Marlon Brando, Robert de Niro e Al Pacino representando os protagonistas. O ponto negativo para a canção-tema é que ela já havia aparecido em um antigo filme de Fellini, precisando ser adaptada para fazer parte da série sobre os mafiosos italianos.

3) ET, o Extraterrestre: Olha a dupla aqui de novo!!!! Em mais um filme de Spielberg, John Willians mostra como sabe criar canções que marcam profunda e definitivamente os filmes para o quais foram compostos. A cena em que Elliot e seus amigos conseguem voar em suas bicicletas para salvar o ET da polícia está, sem dúvida nenhuma, entre as maiores da história. E a canção-tema é parte indissociável deste quadro. Por tudo isso, o pódio é de Willians!!!

2) Star Wars, Uma Nova Esperança: Se eu não tinha dúvida de quais eram as duas melhores trilhas para esta lista, confesso que passei um bom tempo pensando quem ficaria com a medalha de prata. E a escolhida foi Star Wars por um motivo simples: a série criada por George Lucas é espetacular em todos os sentidos. E por mais brilhante que seja a música, ela não supera outros elementos da história, como as referências mitológicas, as personagens e armas fantásticas. De qualquer forma, ouvir a música, executada pelo orquestra sinfônica de Londres, logo após o “A Long Time Ago in a Galaxy Far, Far Away…”, é de arrepiar. Em tempo: quem apresentou John Willians para Lucas foi Spielberg.

1) Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida: No final dos anos 70 e início dos 80, a dupla Steven Spielberg e George Lucas começava a dar as cartas no cinema norte-americano. Aqui, eles trabalham juntos, o primeiro como diretor e o segundo na produção. Mais uma vez, John Willians é responsável pela trilha, e realiza um trabalho matador. É praticamente impossível dissociar a imagem de Indiana Jones da magnífica canção-tema. Assim como não dá para ouví-la sem se lembrar das empolgantes aventuras do arqueólogo bom de briga e fã de confusão. O final de “Indiana Jones e a Última Cruzada” é um bom exemplo de porque este tema é inesquecível.

Evidentemente, há outros filmes com canções tão importantes quanto. E muita gente vai lembrar de alguns ótimos exemplares, como “Golpe de Mestre”, “Star Trek”, “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, “De Volta para o Futuro” e tantos outros.

E se os mitos envelhecessem?

junho 27, 2009

O senhor Michael Jackson morreu e, como não poderia deixar de ser, se falou tanto de sua contribuição para a música pop e de seu astronômico sucesso no auge da carreira quanto da sucessiva onda de acusações e bizarrices. E, claro, as opiniões se dividiram? MJ merecia ser lembrado pelo que fez na música até 1987 ou pelo que fez fora dela?

Esse dilema, na verdade, me fez pensar em outra coisa: vale a pena para um mito viver muito? Sim, é um pensamento terrível e desagradável, mas havemos de convir: a maior parte dos grandes artistas não raro se perdem em sua vida pessoal. Michael Jackson se foi muito jovem, e mesmo assim arrumou confusão demais para tão pouco tempo. Imagine se durasse um pouquinho mais?

Vou mais além: o que aconteceria se alguns dos grandes ícones da música vivessem um pouquinho mais? Eis alguns prognósticos:

John Lennon

– Em 1982, Lennon volta à Inglaterra para protestar contra a Guerra das Malvinas, mas é solenemente ignorado. Resolve aparecer na avenida 9 de Julio, em Buenos Aires, para dar apoio aos oprimidos sul-americanos. Estes, no entanto, tomam o protesto como provocação e partem para a porrada. A tropa de choque chega a tempo de impedir um linchamento.

– Dois anos depois, após Paul McCartney e Michael Jackson gravarem juntos, Lennon resolve dar uma resposta à altura: convida a jovem Madonna para um disco em conjunto. A sugestão do ex-beatle é um disco conceitual chamado “Two Virgins – again”, em que ambos apareceriam nus na capa. Madonna recusa a sugestão e lança “Like a Virgin”. Lennon a processa por plágio, dias depois de tomar uma bota de Yoko Ono.

– Sem sua alma gêmea, o genial beatle perde o rumo: se afunda na cocaína e protagoniza uma série de escândalos em bares, discotecas e no Pentágono. Convidado para participar do Live Aid, em 1985, é expulso do projeto após tentar agredir Paul e chamar Bono Vox de “efeminado” e Freddie Mercury de “africano enrustido”. Seus últimos discos são ignorados pelos fãs e trucidados pela crítica.

– A redenção chega apenas no final dos anos 80, quando conhece Camilla, uma mulher por quem se apaixona. Ambos se casam em 1989, numa cerimônia que encantou o mundo. No entanto, em 1992, Lennon assiste na TV a divulgação de um diálogo gravando entre sua nova mulher e o príncipe Charles, em que este declarar querer ser o tampax da dita cuja. Dois dias depois, Lennon é encontrado morto em sua banheira, por overdose induzida. Ao lado, uma carta, com os dizeres: “Marat é a puta que o pariu!”

Cazuza

– Em 1986, Cazuza choca o País ao declarar que é portador do vírus da Aids. No entanto, exames confirmam que ele se enquadra entre os casos raros de portadores que não adquirem os sintomas da doença. Vida que segue.

– Em 1988, o artista grava seu melhor disco: “Ideologia”. No entanto, não consegue o reconhecimento devido. Os shows ficam vazios, a crítica classifica o álbum como “hipócrita” e diz que as letras são fruto da “culpa de um filhinho de papai”. Luiz Antônio Giron, que já havia dito que Rita Lee chegou à “menopausa criativa”, afirma que o disco deveria se chamar “Demagogia”.

– Apesar da crise na carreira, a vida de Cazuza continua como antes: sexo, drogas e rock’n roll. Muitas confusões em hotéis e bares. Mas por algum motivo, a antiga condescendência para o gênio do rock nacional dá lugar às notícias negativas na Imprensa. A revista “Veja” coloca o artista na capa, com o título: “Cazuza, um portador da AIDS barbariza em praça pública”. A matéria fica ainda mais apimentada quando vários amigos declaram ter sido infectados por Cazuza e o acusam de ter ocultado a todos que estava com a doença. Ney Matogrosso é o nome mais conhecido.

– Em 1993, uma empregada doméstica o acusa de o ter estuprado, ainda no final dos anos 70. O caso toma proporções gigantescas quando várias outras ex-empregadas da família do cantor aparecem com a mesma acusação. Mas os casos são arquivados quando o advogado consegue convencer o júri que o autor dos crimes era, na verdade, o ator Lauro Corona, falecido anos atrás.

– Em 1998, Cazuza e Frejat anunciam o retorno da formação clássica do Barão Vermelho. Juntos, gravam cinco discos: “Acústico MTV”, “MTV ao vivo”, “Acústico Volume 2”, “MTV ao vivo volume 2” e “Barão Vermelho e Titãs, juntos e ao vivo”. Em 2005, o Barão Vermelho encerra definitivamente as atividades, com a morte prematura de Frejat, vítima da AIDS. Cazuza morreria de overdose em 2007 mas, antes disso, gravaria mais um disco ao vivo, em que protagoniza duetos com as vozes gravadas de Frejat e Ney Matogrosso, em um disco que emocionou os fãs.

Menor, mas ainda assim superior

junho 12, 2009

Quando “O ano em que meus pais saíram de férias” chegou aos cinemas, a crítica encheu a película de elogios. De fato, estávamos diante de um dos melhores, se não o melhor filme nacional dos últimos anos. A unanimidade foi tão grande que, em dado momento, faltaram adjetivos originais para classificar a obra. Foi então que alguém se saiu com uma tirada genial: “É tão bom que parece filme argentino”.

De fato, há muito tempo não se vê uma série de filmes tão bons vindos de um mesmo lugar. A diferença entre os filmes brasileiros é gritante, e não se trata de aspectos técnicos, já que o cinema tupiniquim evoluiu consideravelmente neste quesito. Mas as histórias e a forma com que elas são contadas pelos argentinos são mesmo muito superiores. Mesmo nos filmes menores.

Um bom exemplo está em “A Janela”, de Carlos Sorín, ainda em cartaz nos cinemas de São Paulo. A história do filme é a mais singela possível. Um escritor octogenário, bastante doente, aguarda em seu sítio na Patagônia a visita do filho, um pianista de fama na Europa. Enquanto espera, tenta se lembro do rosto de uma moça, que apareceu em um sonho. Só isso. Mais nada.

Mesmo com tão pouco, Sorín consegue cativar. As paisagens repetitivas e melancólicas da patagônia ganham força e beleza à medida em que ela se integra com a história dos personagens, igualmente melancólicas e que também parecem ganhar peso, assim como outro filme seu: “Histórias Mínimas”, cujo nome diz tudo.

“A Janela” não tem aquela dramaticidade pentelha dos filmes brasileiros e nem aquelas simbologias chatinhas de filmes iranianos. E foge da cabecice de alguns filmes europeus e asiáticos. Mesmo não sendo um dos grandes filmes platinos, consegue cativar com uma boa história, boas idéias e uma singular dose de simplicidade.

Crítico musical e o humor involuntário

maio 27, 2009

Comer Caetano? Tô fora!!!O grande Walter Carrilho fez uma postagem hilária desancando a última obra sanitária de Caetano Veloso, “Zii e Zie” (Que porra é essa? Nome de videogame da Nintendo?), aproveitando também para esculhambar com os críticos musicais mela-cueca. No texto, ele pinça algumas das mais absurdas resenhas escritas sobre o disco, com os devidos comentários acerca das notas, digamos, eruditas.

 Dei muita risada com as frases, mas uma me chamou a atenção: falava sobre “devoração gozosa” e “levar ao âmago da criação de Caetano”. Achei que de onde veio essa teria muito mais. E resolvi procurar o texto, que está transcrito aí embaixo. Algumas recomendações são importantes. 1) Evite ler quando o chefe estiver por perto. O texto é garantia de risadas, e elas podem não ser bem recebidas; 2) O texto está na íntegra, justamente para ninguém lincar no texto original. Seria dar publicidade demais para tal cretino. 3) Procurem o “Dicionário do Crítico Metido a Besta”. Você vai precisar dele.

Que Caetano Veloso é atemporal e multimídia, que sua obra se renova a cada trabalho, que suas opiniões podem ser por vezes controversas e, quem sabe, acintosamente “erráticas”, que sua presença é fundamental para a compreensão da história cultural do país, tudo isso e mais um pouco constituem fatores de conhecimento geral, mesmo para aqueles que se Não é assim que vão comer Caetano...dizem enfastiados do artista mas que, às escuras, busca Caetano em suas inúmeras interfaces – e, saiba-se, temos “Caetanos” para todos os gostos, como na canção antropofágica de Adriana Calcanhoto para o poeta – Vamos comer Caetano?

Sim, porque só uma “devoração” gozosa é capaz de nos levar ao âmago da criação de Caetano, principalmente desse “novo” que se apresenta em Zii e Zie (Universal Music), recente álbum que expõe algumas de suas composições experimentadas anteriormente na internet (em blogs e sites).

E agora adjuntas a um bojo de outras canções que, ao serem contempladas na ordem seqüencial do disco, traçam conceitualmente um quadro de nossa condição humana atual, a do homem contemporâneo diante de uma realidade universal, cerceado pela necessidade de uma atitude que, simbolicamente, torna-se cada vez mais inatingível.

Numa tênue contigüidade experimental similar ao antológico Cê, de 2006, o novo Zii e Zie se amplia em diferentes abordagens temáticas, conseguindo explorar nuances anímicas constantes na obra do compositor – a presença do amor, do erotismo, do desejo -, porém articuladas, e vinculadas, a temas densamente políticos e sociais, como em Perdeu, na qual se pari, cospi e expeli “um deus, um bicho, um homem”, personagem assumidamente situado entre a mítica pândega e a marginalidade destino-único da vida real, sem a alegoria de um Meu Guri, de Chico Buarque, cujas temáticas se assemelham, mas em Perdeu com foco condicionado distanciadamente, como numa narrativa filmográfica.

Flashs e retratos nesse mesmo viés temático reaparecem na corrosiva Falso Leblon, na qual o interlocutor se desnorteia entre “ecstasy (bala), balada”, “drogas” e a “vã cocaína” à qual se nega, inventário obscuro que se contrapõe ao idílico teor poético do refrão: “Ai amor /Chuva num canto de praia no fim / Da manhã / E depois de amanhã?”. A “Pasárgada, “Youkali”, ou a “Maracangalha” do poeta se revela como uma ponta de expectação no caos de uma Leblon falseada.

Cosmovisão? Guantánamo?Mas a acidez crítica dessa cosmovisão atinge seu ápice em A Base de Guantánamo, na qual Caetano traz à tona, e ao conhecimento de novas gerações, a existência duradoura da base naval criada pelos norte-americanos, no sudeste de Cuba (antes da entrada de Fidel Castro – a ocupação fora em 1903), onde prisioneiros iraquianos, do Afeganistão, entre outros, mantêm-se exilados e torturados, com seus direitos humanos desacatados pelas forças norte-americanas (tampouco a ONU consegue intervir nessa nevralgia histórica). Se em Haiti, política canção em parceria com Gilberto Gil (de 1993), a narrativa fazia emergir a realidade miserável tragicamente elidida pela soleira americana numa comparativa equivalência com a terra brasilis, A Base de Guantánamo sinteticamente anuncia a tônica histórica quase como um depoimento confessional, crua e curta, seguido de um refrão que, inevitavelmente, reitera-se numa ação hipnotizante.

A tessitura já desgastada pelo “simbólico” não abala o compositor, que penetra nas nervruras impactantes de uma situação histórica cruelmente real e impensável. O dramaturgo alemão Bertolt Brecht perguntara: “em tempos sombrios se cantará também?” E a resposta do escritor, muitas décadas depois, conjumina com a de Caetano: “também se cantará sobre os tempos sombrios”.

Sem perder a ternura, mas mantendo o estoicismo por ser um dos principais pensadores de nossa geração, Caetano consegue matizar o CD com leves canções, não como uma forma de atenuar a tensão temática trabalhada nas referidas, mas sim para reiterar que sua fala poética é por demais abrangente diante do turbilhão-mundo que se perfaz sob seus olhos, captando belezas e horrores, proezas e façanhas, contradições e verossimilhanças.

Deste modo, faz coexistirem “meninas pretas de biquini amarelo” com moças “em aparição transatlântica”, dá razão ao roqueiro Lobão em sua sentença “chega de verdade” atribuída à mulher, diz desentender uma canção de Madona, desacredita em Deus “diferentemente de Osama e Condolezza”, e dependura oniricamente, nos arcos da velha Lapa, Guinga, Pedro Sá e o presidente Lula, num matulão que só mesmo Caetano, sempre jovem e aguçadamente atento, pode sentenciar ao pronunciar “amar nosso tempo”.

E num arremate não menos poético, reverencia e traz de volta à nossa memória a grande Clementina de Jesus, foz-matricial de toda uma negritude desfeita no fazimento do Brasil, ao regravar os sambas Ingenuidade (do desconhecido Serafim Adriano) e Incompatibilidade de Gênios (de João Bosco e Aldir Blanc), duas peças emblemáticas da obra de Rainha Quelé.

Levado e acompanhado pela bandaCÊ, em arrojados e modernos arranjos de Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado (além do próprio autor), Caetano Veloso consegue transar sambas e rocks, legando mais um antológico disco para nossa atual carente cultura brasileira.

Alguém entendeu alguma coisa. Eu também não…

Beavis & Butt-head 2009

maio 20, 2009

Huh huh... huh huh...(Butt-Head) Que banda é essa?
(Beavis) Goldfrapp
(Butt-Head) Que viagem. Que povo riponga.
(Beavis) É verdade.
(Butt-Head) Mas o som é bem legal.
(Beavis) E olha só esse povo com essas fantasias. Os caras ganham pra se fantasiar e fazer macaquices no palco.
(Butt-Head) Pois é. O Goldfrapp é uma mistura de Belle and Sebastian com Mutantes e Sítio do Pica-Pau amarelo!!!

(Butt-Head) The Felling… Nossa, essas bandas são todas parecidas
(Beavis) Pois é. Todo mundo soando igual
(Butt-Head) E vestindo tudo igual, também. Todo mundo de preto e branco
(Beavis) E todos são viadinhos magrelos
(Butt-Head) Que banda é essa? É indie, né? Se bem que, com esses cabelinhos, estão mais pra emo
(Beavis) É mesmo. Indie ou emo?
(vocalista) Meu pai me trazia aqui pra Glastonbury quando eu era pequeno. Acho que vou chorar…
(Beavis & Butt-Head) É EMO!!!

(vocalista) Vamos dividir o público em duas partes. O pessoal da direita começa a cantar.
(Beavis) Putaquipariu. Que merda é essa? Até banda de pagode deve fazer isso.
(Butt-Head) Até Rio Negro & Solimões faz isso.
(Beavis) Banda escrota…
(Butt-Head) Acho que além de levar pra Glastonbury, o pai dele o levava pra Fapija, em Jacareí.