Archive for the ‘Grandes Momentos do Jornalismo’ Category

Morumbi derrubará a Pauliceia da Copa 2014

junho 20, 2010

Há muito tempo queria voltar a escrever sobre a escolha do estádio do Morumbi como sede paulista para a Copa de 2014. Muito tempo se passou e os fatos correram e atropelaram uns aos outros. Agora, só se fala na decisão da Fifa/CBF de que o estádio não abrigará nenhum jogo da Copa. Evidentemente, o assunto não será esquecido tão cedo, pois a repercussão continua grande. E, como não poderia deixar de ser, a imprensa esportiva tem criticado furiosamente a Fifa e a CBF pela decisão. Com isso, acho pertinente fazer algumas rápidas, mas importantes observações acerca do chororô generalizado que surgiu na imprensa paulista desde então.

A primeira delas é que choveram críticas à eliminação do Morumbi. E a principal alegação dos defensores do estádio é que, por causa disso, a cidade de São Paulo não abrigará a abertura da Copa, e talvez nenhum outro jogo. O comentário é típico de quem analisa os fatos de forma superficial e não se aprofunda nele. Ninguém percebeu que acontece justamente o contrário: a insistência em emplacar o Morumbi, sim, é que pode condenar a cidade ao ostracismo durante a Copa. E, pelo visto, é o que pode realmente acontecer, dados os atuais acontecimentos.

Quem já foi ao menos UMA vez ao estádio são-paulino para assistir a uma partida sabe que ele é horrível e mal planejado. Do anel inferior, não se vê quase nada. No anel intermediário, o que não faltam são pontos cegos. E no anel superior, só o que se vê são 25 pontinhos correndo de um lado para o outro, mal dá para reconhecer os jogadores ou mesmo o trio de arbitragem.

Como já tinha visto jogos no Pacaembu e Palestra Itália, estádios com ótima visibilidade, sempre atribuí a deficiência do Morumbi ao seu tamanho imponente. Mas tive uma grande surpresa no ano passado, quando visitei o Maracanã, um estádio muito maior que o Morumbi: a visibilidade é perfeita, mostrando que o problema do estádio paulista, definitivamente, não é o tamanho.

Qualquer pessoa com um mínimo de isenção teria desconfiado que havia algo errado quando o Morumbi entregou SEIS projetos diferentes para a Fifa. Se precisaram de tantas versões novas é porque as anteriores eram defeituosas. E das duas, uma: ou os projetos previam apenas alterações estéticas ou eram faraônicas o suficiente para que todos percebessem sua inviabilidade financeira.

Não demorou muito para que alguns viessem falar em “decisão política”, ignorando o fato de o estádio ser muito ruim. Lógico que houve decisão política, já que a diretoria do SPFC anda em atrito com Ricardo Teixeira, o capo da CBF. Mas isso não muda o fato principal: o estádio não tem a menor condição de abrigar um jogo de Copa. Mesmo que a CBF defendesse com unhas e dentes o Morumbi, uma hora a Fifa perceberia o engodo e todos teriam de ceder à realidade. Antes agora do que mais tarde, quando haveria menos tempo ainda para buscar uma alternativa.

A imprensa esportiva paulista colocou venda nos olhos e agiu com parcialidade absoluta. Ninguém fez o que se espera de um jornalismo correto: apurar e analisar os fatos. Ninguém fez uma matéria isenta sobre as qualidades e defeitos do estádio, ninguém citou a ausência de estacionamentos, as péssimas condições estruturais do estádio e, o mais importante, a dificuldade financeira que o clube teria para adequar sua casa ao mundial.

Se esqueceram também que os projetos apresentados à Fifa eram apenas uma pequena variação do famigerado “Morumbi, Século XXI”. Para quem não lembra ou não sabe do que se trata, eu explicarei. O tal “Morumbi, Século XXI” surgiu no início dos anos 90 e era à primeira vista um ambicioso trabalho para tornar o local um estádio de Primeiro Mundo. Os esboços previam até a cobertura total do estádio, mas na verdade tinha como único objetivo arrecadar recursos, públicos inclusive, para fazer reformas básicas no estádio. Na época, o local sofria com graves problemas estruturais, que podiam resultar até mesmo em interdições parciais. Ou tragédias como a que ocorreu na Fonte Nova.  Na época, o clube era presidido pelo Mesquita Pimenta, aquele que depois foi defenestrado do SPFC após escândalos de corrupção.

Cansei de falar, em blogs, conversas de bar ou no trabalho, que o Morumbi é um caso clássico de estádio inviável. Tava mais que na cara que seria muito mais barato construir uma arena nova em folha que reformar o local. Mas foi preciso apresentar um estudo técnico para que alguns acreditassem. E, mesmo assim, alguns se recusam a aceitar a realidade.

E é aí que entram os deturpadores da verdade, gente que só se importa com o próprio benefício. Essas pessoas quiseram colocar o Morumbi na Copa a qualquer custo, sem se importar com a cidade de São Paulo, que é o que realmente importa. Quando perceberam que o Morumbi não teria muita chance, tentaram adiar o fim melancólico, cientes de que quanto mais insistissem, menos tempo haveria para apresentar uma segunda opção. Insistiram ao máximo no seu estádio para inviabilizar todas as outras alternativas.

E para quê? Para prejudicar a cidade de São Paulo e posarem de vítimas. Então, quando Belo Horizonte ou Brasília fossem anunciadas como local de abertura, eles iriam espernear e alegar que a CBF destruiu os sonhos de São Paulo.

Mas quem analisou o caso desde o início sabe que não é verdade. Os dirigentes do São Paulo Futebol Clube sabotaram a cidade para fazer valer seus interesses. Já que eles não conseguiram seu principal objetivo (obter recursos públicos para reformar completamente seu estádio), se contentam em tirar a Copa da cidade.

Tudo seria diferente se os responsáveis pela escolha do estádio tivessem tomado uma posição firme e dissessem, desde o início, que o Morumbi não tinha condições de receber a Copa. Porque então procurariam uma alternativa viável em tempo hábil. Agora, pode ser tarde demais.

Obrigado, dirigentes do São Paulo Futebol Clube. Graças a vocês, a maior cidade do país pode ficar fora da Copa!

O jornalismo em tópicos

fevereiro 8, 2010

Esqueça o jornalismo investigativo, “new jornalism” e quetais. A forma de se fazer notícia no Brasil é peculiar e se divide em várias categorias, todas pitorescas. Conheça algumas delas:

Jornalismo Manoel Carlos
Já perceberam como jornal adora uma novela? Todos ficam esticando por semanas – às vezes por meses – um assunto que deveria ganhar repercussão por, no máximo, cinco dias. Ninguém aguenta mais, mas todos os veículos prolongam os temas com pautas sensacionais do tipo. “Garota assassinada era fã de Britney Spears”, “Deputado acusado de corrupção trabalhou como garçom na juventude” ou “Na várzea, Ronaldo fez muitos gols como o da semana passada”. Os editores só esqueceram de uma coisa: novela era longa nos anos 60, quando não existia nada para se fazer à noite.

Over mídia
Sou de um tempo em que “drama” era ficar sem os movimentos da perna em razão de um acidente e “tragédia” era perder toda a família numa chacina ou deslizamento de terra. Mas algo mudou de uns anos para cá: ou estes termos foram banalizados pela mídia ou os valores mudaram a ponto de os problemas acima se tornarem pequenos. Afinal, “drama” mesmo quem passou foi Bruno Senna, que corre o risco de não correr a Fórmula 1 este ano. Que o digam os incontáveis jornais e revistas que usaram a expressão para falar sobre o caso.

Jornalismo Você S/A
Esta não é uma crítica à publicação. Afinal de contas, por mais chata que seja, a revista é segmentada e apenas cumpre seu papel de atender bem seu público alvo (não, meu filho, não foi uma insinuação. Eu realmente quis dizer que esse povo é chato). Assim como uma revista sobre celebridades usa expressões como “fashion”, “poderosa”, “adoro” e afins, a Você S/A vai nos entupir de palavras modernosas como “networking”. Foda é você ver aspones bancando o executivo e anunciando que precisam de profissionais para um “job”. Daí assessor de imprensa vira “analista de comunicação” e o faxineiro vira “gestor de limpeza”. Agora imaginem as matérias produzidas num ambiente assim…

Escolinha Matinas Suzuki
O jornalista supracitado é conhecido por ser um dos artífices da “Revolução dos Menudos”, como ficou conhecido o processo de reformulação da Folha de S. Paulo nos anos 80. Sempre me chamou a atenção a postura do japa nas fotos: de terno e gravata, impecável e sempre de braços cruzados, mais parecendo um executivo que um jornalista. Desde então, editores e donos de jornais pagam de CEOs da casa do caralho, com a mesma pose. É da escolinha Matinas Suzuki que também sai a turma do Você S/A, descrita aí acima, que tenta encaixar expressões como “brainstorm” em um texto sobre acidente de trânsito ou o novo disco da Beyoncé.

Ejaculação precoce
Belo dia, uma grossa nuvem de fumaça sobe aos céus de São Paulo. Jornalistas, em todo o canto, começam a correr atrás de informações para soltar a matéria. Logo, chega à internet a primeira notícia sobre o assunto. Descobriram a causa da fumaça: queda de avião. Palmas para o autor, assinou um furo nacional. O jornalista mostrou rapidez, requisito fundamental para os corridos e dinâmicos dias de hoje. Será? Nem tanto. Poucos minutos depois, chega à tona a verdadeira notícia: o que de fato ocorrera foi um incêndio numa fábrica de colchões. Percebem a diferença entre uma coisa e outra? Dá pra acreditar que o primeiro jornalista REALMENTE apurou a notícia? Se isso é jornalismo, eu sou uma morsa.

Pré-fabricado
Nestes tempos internéticos, virou moda falar em “control C + control V” para falar sobre a triste mania de apenas copiar as matérias alheias. É o tal do “Jornalismo Google”, outra expressão muito usada. No meu tempo de faculdade, quando a internet engatinhava e ainda havia máquinas de escrever no campus, a expressão era “Gilette Press”. Mas pior que copiar matérias é quando conceitos são copiados. Sabe aquela frase que alguém fala e é imediatamente copiada à exaustão, sem que ninguém pare para pensar no que significa aquela frase? Leia qualquer página em qualquer jornal e você lerá toneladas de exemplos.

A arte da superação

outubro 22, 2009

Quando eu já começava a pensar que as capas da Veja eram as piores da imprensa brasileira, eis que uma outra turma chega disposta a usurpar o trono da “indispensável”.

 

E vocês da Época, querem um bom conselho, também?

MUDEM DE PROFISSÃO!!!

O jornalista, depois do fim

outubro 13, 2009

Se você, pessoa feliz e distraída, acha realmente que o fim do diploma vai contribuir para a liberdade de imprensa, veja só o tipo de anúncio de emprego que já começou a surgir depois da ação do nosso querido STF:

Veja bem: não é estágio, mas o salário é menor que o piso da profissão

Veja bem: não é estágio, mas o salário é menor que o piso da profissão

Eu que não ia ser louco de trabalhar com um chefe que ganhasse um salário destes...

Eu que não ia ser louco de trabalhar com um chefe que ganhasse um salário destes...

O pior de tudo é que no questionário para a segunda vaga há uma questão singela: “Como você espera se manter motivado?” Boa pergunta. Com um salário de merda desses, eu também gostaria de saber.

A realidade paralela de Veja

setembro 29, 2009

Não é de hoje que o Brasil sofre com o mau jornalismo, seja em política, cultura, esportes ou qualquer outro assunto. Matérias mal escritas, apuradas nas coxas ou simplesmente tendenciosas sempre foram maioria, e não é de hoje. Mas há algum tempo que caminhamos para um terrível caminho: o do jornalismo de ficção. E não, não falo de “new jornalism”, Tom Wolfe, Gay Talese e afins. Me refiro à ficção, mesmo. A matérias que criam realidades paralelas e contam fatos inexistentes, em vez de focarem acontecimentos reais.

A revista Veja tem sido a expressão máxima deste tipo de jornalismo. Nas páginas do maior semanário do País, a notícia é alvo de uma impiedosa mutação genética. Seus editores e repórteres nunca pareceram se preocupar com a falta de exatidão nas informações, as barrigas gigantescas ou as contradições latentes. Mas desta vez eles extrapolaram os limites do bom senso.

A capa desta semana fala sobre a posição brasileira frente ao golpe de Estado em Honduras. Para quem não sabe, o Brasil foi o país que tomou a posição mais firme em relação à deposição ilegal do presidente Manuel Zelaya: se colocou frontalmente contra o fato e ainda acolheu o sujeito em sua embaixada em Tegucigalpa, o que tem rendido dissabores com os golpistas.

Como toda posição firme, o asilo político oferecido por Lula e pelo ministro Celso Amorim é polêmico e, por isso mesmo, passível de críticas. A Veja teve uma ótima oportunidade para fazer uma grande matéria sobre o assunto, com notícias reais, mostrando o quadro real de Honduras, criticando a ação do Brasil se assim prefere. Mas a revista preferiu investir na realidade paralela. Quem ler a reportagem sobre o assunto, verá que Honduras é um país que passa por uma transição democrática, que destituiu seu presidente de forma legal e que o novo governo é alvo da intransigência do Brasil, que está “na contramão do mundo”. E que Lula teria “quebrado sua tradição diplomática” por influência de, vejam só, Hugo Chávez. Depois de tanta ficção, vamos aos fatos:

1) Lula não quebrou tradição nenhuma. O Brasil sempre foi chegado em oferecer asilo pra meio mundo, inclusive criminosos, como Ronald Biggs, e ditadores sanguinários, como o general paraguaio Alfredo Stroessner. Porque não o faria a um presidente deposto ilegalmente?

Zelaya2) É bem verdade que Zelaya, como muitos outros presidentes latino-americanos, aprontou das suas. Desafiou as forças dominantes de seu país com um histrionismo patético e não conseguiu o apoio político e popular para alterar a constituição. Daí a achar que o golpe de estado foi uma ação legítima vai uma grande, uma enorme distância.

3) Nenhum país sério reconheceu o novo governo de Honduras. Os grande veículos de comunicação do mundo tratam o caso como golpe de fato. O jornal britânico “The Independent”, chama o atual presidente de “impostor”. Onde está a propalada “contramão do mundo”?

4) Dizer que o Brasil foi pressionado por Chávez no caso Honduras é como dizer que o Brasil tem mais poder político que os EUA, já que Obama não reconheceu o novo governo hondurenho, mas até agora ficou na dele. E, sim, Chávez é um chato de galochas. Mas reconhecer um governo golpista só pra contrariá-lo seria o cúmulo da infantilidade.

5) Até mesmo publicações hostis ao governo Lula, como a Folha de S. Paulo, tratam Honduras como um país sob golpe de estado. Aqui e ali surgem críticas à ação do Brasil, mas em nenhum momento tentam legalizar a situação hondurenha ou criar uma situação inexistente.

Essa reportagem mostra o quanto a Veja perdeu o senso de ridículo. Ela definitivamente abandonou o jornalismo e todas as responsabilidades advindas do fato de ser a revista de maior circulação no país e também a única fonte de informação para muita gente. São fatos como esse que dão força à tese de que, pior que não ler nenhum jornal ou revista, é ler apenas um.

A Copa de 2014 e o jornalismo acrítico

setembro 11, 2009

Tá difícil...Acompanhar a imprensa esportiva hoje em dia é um esforço de paciência e boa vontade. Ao ler uma matéria em qualquer veículo, você vai encontrar reportagens com um peso e duas medidas, acusações sem provas e matérias abordando apenas um lado da noticia. E então surge a dúvida: os jornalistas estão cada vez mais despreparados ou eles são simplesmente tendenciosos mesmo?

Estas dúvidas ganharam ainda força com o início dos preparativos do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014. A cidade de São Paulo enfrenta problemas sérios por conta do local escolhido para receber os jogos, o estádio Cícero Pompeu de Toledo, mais conhecido como Morumbi.

O estádio do São Paulo Futebol Clube foi construído numa época em que era praxe construir praças de esporte gigantescas, com capacidade de público gigantesca, mas sem muitas preocupações com o conforto e/ou segurança. Além disso, tem graves desvantagens em relação a seus contemporâneos: não possui áreas livres em seu entorno, o que torna praticamente inviável atender a algumas exigências básicas da Fifa, como ampla área para estacionamento. E há muito tempo não vê uma reforma decente.

A solução seria apresentar um arrojado e caríssimo plano de reestruturação do estádio, com o apoio da iniciativa privada. O problema é que com o dinheiro necessário para tal reforma seria possível construir uma arena novinha em folha.

A cobertura é praticamente a única grande intervenção no incompleto projeto do Morumbi

A cobertura é praticamente a única grande intervenção no incompleto projeto do Morumbi

Sem outra saída, a diretoria do São Paulo tentou jogar o pó pra baixo do tapete: divulgou aos quatro ventos um projeto mal-feito porém chamativo, declarou que tinha cumprido 85% das exigências da Fifa para a Copa e que tinha condições de receber o jogo de abertura. Para completar, o presidente do clube, Juvenal Juvêncio, afirmou que tudo seria custeado com ajuda da iniciativa privada, já que várias empresas disputavam a primazia de tocar as obras.

E aí reside o problema. Nenhum jornalista questionou a diretoria do São Paulo sobre estes 85%. Ninguém averiguou quais itens estavam faltando no projeto e porque eles não estavam incluídos, tampouco sobre a ausência do estacionamento na documentação, algo difícil de ser ignorado.

Semanas depois, Juvenal Juvêncio veio a público alegar que o clube não teria condições de tocar o projeto sem contar com empréstimos do BNDES. Mas onde estavam as várias empresas que pretendiam reformar o Morumbi para a Copa? Bom, nenhum jornalista se deu ao trabalho de perguntar.

Em várias ocasiões, dirigentes da Fifa alegaram que a documentação enviada pelo São Paulo estava incompleta. Juvenal Juvêncio, porém, insistia no erro: dizia que o estádio estava 85% adequado e mais não dizia. Os repórteres, preguiçosos, se limitavam a defender o ponto de vista do dirigente brasileiro, sem checar os fatos e ver quem estava com a razão.

A situação chegou a um nível insustentável esta semana, quando Jérôme Valcke, o poderoso secretário-geral da Fifa, afirmou com todas as letras que o Morumbi não tinha a menor condição de receber a abertura da Copa e que a cidade de São Paulo deveria começar a procurar uma outra opção.

Juca Kfouri, aquele, saiu em defesa do São Paulo

Juca Kfouri, aquele, saiu em defesa do São Paulo

E o que fizeram os jornalistas? Em vez de questionarem a veracidade das declarações anteriores do presidente são-paulino, resolveram atacar Valcke, como se ele tivesse algum interesse em preterir este ou aquele estádio. Juca Kfouri, moralista de plantão, chegou a dizer, com todas as letras, em seu visitado blog, que o secretário-geral da Fifa estava “sabotando” o Morumbi.

A verdade é que os jornalistas de São Paulo, por bairrismo ou algum outro motivo desconhecido, defenderam o Morumbi de forma assustadoramente acrítica. E sequer se tocaram que, ao insistir em uma barca furada, a maior cidade do País corre sério risco de não sediar a abertura da Copa ou nenhum outro jogo importante.

Grandes momentos do jornalismo esportivo (2)

julho 10, 2009

Quem tem acompanhado a novela “Palmeiras-Muricy” viu que rolou todo tipo de especulações: só faltou dizer que Muricy iria ao Verdão como auxiliar de Luiz Felipe Scolari. Para falar a verdade, essas falsas notícias em jornais nem me incomodam mais, tão frequentes se tornaram. Agora, tem gente que abusa do direito de especular.

Sinceramente: o que esperar de um site editado por um renomado apresentador de rádio e TV (Milton Neves) que publica uma matéria escrita por um jornalista, mas ao mesmo tempo cria uma enquete sobre a veracidade da própria matéria? Estamos realmente afundando.

O fim do diploma, ainda

junho 25, 2009

Jornalista, um loserEstava para escrever um texto sobre a novelização do jornalismo, puto que estou com a série de notícias sem nexo, ou simplesmente sem nenhum acontecimento relevante, que assolam desde os grandes jornalões, como a Folha, o Estado e O Globo, até os periódicos ditos “do interior”, incluindo aqui os diários de Mogi das Cruzes. Mas a decisão do STF de acabar com a obrigatoriedade do diploma fez com que eu não pensasse em outra coisa.

Não quis escrever sobre o assunto desde então porque a revolta era grande demais e certamente o texto teria muito mais palavrões e pragas rogadas do que qualquer outra coisa. Hoje, um pouco mais calmo (mas ainda devidamente puto), vou discorrer sobre os argumentos utilizados pelos defensores desta aberração recém-aprovada:

ARGUMENTO 1: Ah, mas o diploma é um obstáculo à liberdade de imprensa!

RESPOSTA: Não tem nada mais ridículo que gente que repete o que os outros falam e não pensa no que acabou de falar. Meu filho, pare e pense: estamos na era da internet. Qualquer analfabeto pode criar um blog, escrever o que der na telha, inclusive fazer algumas matérias e/ou colunas, se for o caso. De onde você tirou que o diploma atrapalha a liberdade de imprensa?

E mais: sabe porque muitas falcatruas não chegam ao público? Porque políticos e empresários aliciam jornais e revistas, para que não publiquem os podres. Em algumas cidades, inclusive na Grande São Paulo, o caminho é inverso: donos de jornais chantageiam políticos, ameaçando-os com dossiês fabricados pela redação: se não rolar grana, publica-se tudo. Os ameaçados cedem e a notícia terrível nunca é publicada. Agora, todo mundo acha que encher uma redação com pessoas não-formadas em jornalismo vai mudar isso.

ARGUMENTO 2: Ah, mas jornalismo não se aprende na faculdade. Jornalismo é vocação.

RESPOSTA: Medicina também é vocação. Quantos médicos já não conheci que me disseram sonhar com a profissão desde pequeno? Que pediam kits médicos de brinquedos na infância, que auscultavam o coração do pai e da mãe quando voltavam da escola? Isso é vocação. Agora, você se submeteria a uma cirurgia feita por esse “médico com vocação” se ele não tivesse feito curso de medicina?

ARGUMENTO 3: Se formar em jornalismo custa caro. O fim da exigência acabou com essa regra excludente.

RESPOSTA: Óbvio que é caro. Caro e difícil. Assim como é caro se formar em direito, em engenharia, medicina etc. Nem por isso se ouve falar em regras semelhantes para outros cursos. O problema aqui não é exatamente o custo da universidade, e sim a dificuldade que os estudantes da rede pública têm de encarar um vestibular numa USP ou Unesp da vida. Este é outro problema e o buraco, pode ter certeza, é muito mais embaixo.

ARGUMENTO 4: O STF acabou com os privilégios dos jornalistas, essa gente prepotente.

RESPOSTA: Jornalista não é só prepotente, é um belo de um filho da puta, também. Quem trabalha em uma redação tende a se tornar uma criatura egoísta, leva-e-traz e extremamente falsa. O que salva o jornalista de ir para o inferno sem escalas é, muitas vezes, a formação humanista que ele venha a receber nos bancos universitários. E querem acabar com isso. Aliás, porque para médico, engenheiro e advogado a exigência do diploma não é um privilégio?

Pra encerrar a postagem (mas não o assunto), alguns argumentos contra a decisão do STF:

– O piso salarial de jornalista é uma piada. Nenhum profissional, de nenhuma área, que tenha passado quatro anos em uma universidade, ganha tão pouco. Como se não bastasse, em muitas empresas se paga menos que o piso, um acinte às leis do País e um desrespeito com o profissional. Com a mudança (e o possível aumento da concorrência desleal), a tendência é que o salário caia ainda mais. Preparem-se para ver anúncios do tipo: “Precisa-se de repórter. Jornada de dez horas diárias. Salário: R$ 400,00”.

– Sem precisar de um curso universitário, os postulantes a uma vaga em jornal precisarão apenas de um curso de trainee, que nada mais é do que uma padronização do funcionário perfeito: um egoísta de mente corporativa, que diz amém para tudo o que o patrão fala pensando apenas no seu crescimento pessoal dentro da empresa. Alguém que não hesita em publicar que o rei está vestido, mesmo tento conferido com os próprios olhos que o rei está nu. A Folha tem feito isso para escolher seus profissionais e o resultado nós temos visto recentemente.

– Ou seja, o fim da obrigatoriedade tem como objetivo apenas atender às necessidades dos barões da imprensa, que continuarão a controlar a mídia da forma que bem entendem. Liberdade de expressão? Há!!

Roqueiros centenários

junho 17, 2009

Centenários 

Dizem que os astros de rock são imortais, que Elvis não morreu e o Kurt Cobain também não. Mas isso já é demais…

Shrek Terceiro e Fiona

maio 25, 2009

Tenho sérias restrições ao pessoal do PT. E não tenho dúvidas que algum espertinho realmente imaginou: “puxa vida, de repente seria uma boa tentar um terceiro mandato para o Lula”. Até acho que esse espertinho tenha falado sobre a idéia genial para alguns amigos, que também curtiram o negócio. Mas duvido que tenha ido muito além disso. Isto posto, digo que me incomoda bastante a enxurrada de matérias sobre o assunto, como se não tivesse nada mais importante para enfocar no noticiário.

As reportagens sobre as “manobras para emplacar um terceiro mandato” (ou algo que o valha) têm um indisfarçável tom de factóide. Não há nenhum debate sobre o assunto. Ninguém faz nenhum tipo de articulação no Congresso. Nenhum documento bombástico ou gravações a respeito vieram à tona. De onde eles tiraram essa idéia, então? Claro, do próprio Lula, que nega o interesse. Mas depois os jornais estampam: “Lula nega terceiro mandato”, como se tivesse sido pego com a boca na botija e tentando se desvencilhar.

No dia 20, o jornal “Estado de S. Paulo” enfocou o assunto de novo. Em Pequim, questionou Lula que, claro, negou. Mas para não cair na mesmice, o jornal vinculou um outro assunto a este, de forma um tanto heterodoxa: a doença da ministra Dilma Roussef, desde já candidata à presidência pelo PT para 2010. Veja como ficou a chamada no site do jornal.

Mas não aprendeu ainda a fazer círculo? 

Curioso, né? “Lula nega 3º mandato – ‘Dilma está bem’”. Ou seja: a Dilma não vai piorar, logo será nossa candidata. Por isso, não preciso me candidatar pela terceira vez. A chamada faz crer que o PT apenas desistiu do terceiro mandato porque teria encontrado a candidata perfeita. Incrível como a imprensa consegue dar vida a um assunto inexistente.

E, com a mesma habilidade, deixa outros casos morrerem. Vide a própria reeleição, em 1998, e as acusações de compra de votos para a aprovação do mesmo.

Em tempo: tanto PT quanto PSDB não têm candidatos viáveis, apenas prováveis. Emplacar Dilma será tão duro quando emplacar José Serra. A briga vai ser feia entre os dois. Tão feia quanto eles próprios.