Archive for the ‘Os horrores do telemarketing’ Category

Na Sibéria não tem nada disso (6)

setembro 24, 2009

CAPÍTULO FINAL? 

– (atendente) Bom dia…
– (otário) Péssimo dia. Quero cancelar minha internet porque vocês não têm competência para mantê-la funcionando. E nem pra registrar os pagamentos de mensalidade que eu faço para vocês. Paguei todas as contas e vocês ainda ficam com história de que não paguei a do mês de janeiro.
– (atendente) Perfeito. Qual o número do cliente?
– (otário) É tal.
– (atendente) E o número do protocolo?
– (otário) Ah, meu Deus. É tal.
– (atendente) Perfeito. Qual a razão de o senhor pedir o cancelamento?
– (otário) Preciso repetir ainda, meu filho? Vocês não conseguem manter minha internet funcionando por mais de um mês seguido. Depois não conseguem registrar meus pagamentos e vêm me cobrar por algo que eu já paguei. Depois eu levo o comprovante e mesmo assim vocês cortam minha internet quase toda semana. Você ainda me pergunta porque eu quero cancelar essa porcaria de internet? Escreve aí: “o cliente quer cancelar porque acha o serviço uma merda”!!!
– (atendente) Perfeito. Aguarde um momento…

Fiquei uns quinze minutos esperando, até que a linha caiu. Liguei de novo. Respirei fundo enquanto ligava novamente. Outro rapaz atendeu e tive de passar pelo mesmo diálogo, até chegar ao ponto em que estávamos antes da linha cair. Inclusive esperar mais uns 15, 20 minutos.

 – (atendente) Senhor Fábio, ainda consta um débito aqui.
– (otário, irritado) Eu já expliquei pra você, eu paguei essa conta e inclusive já levei o comprovante. Cansei de explicar isso pra vocês. Toda semana é a mesma coisa. Por isso que vou cancelar.
– (atendente) Correto, senhor. Mas vou explicar porque a sua conexão foi desligada.
– (otário, mais irritado) Eu já sei porque desligaram. Não quero mais saber de nada. Quero que você cancele minha conta e pronto.
– (atendente) Tudo bem, senhor, mas é que tem uma razão para a linha ter sido desligada.
– (otário) Sim, eu sei. E eu já expliquei porque vocês precisam religar. Mas não adianta. Já liguei várias vezes ontem, hoje também e não resolvem meu problema.
– (atendente) Senhor, mas a justificativa é que…
– (otário, agora falando pausadamente) Meu amigo, são 9h10. Estou ligando pra vocês desde umas 8h15. Estou há praticamente uma hora pedindo pra vocês religarem minha internet e não ligam. Já paguei as contas, já levei comprovante e nem isso adiantou. Pra que eu vou ficar com um serviço que não presta? Agora eu tô pedindo pra vocês cancelarem e você me vem com justificativa? Olha, de desculpas, assim como de boas intenções, o inferno está cheio.
– (atendente) Mas…
– (otário, ainda falando pausadamente) Vamos fazer o seguinte: você cancela minha conta, eu não preciso mais ficar gritando na sua orelha, você vai poder atender outras pessoas e eu vou cuidar da minha vida. E todos nós ficamos felizes para sempre. Que tal?
– (atendente) Correto, senhor. Vou cancelar. Aguarde um momento.
– (otário) Tá bom…
– (atendente) Senhor, o pedido de cancelamento já está cadastrado. No dia 22 iremos retirar o equipamento da internet.
– (otário) Como assim, dia 22?
– (atendente) É que só temos esse dia disponível.
– (otário) Quer dizer que eu tenho de me adequar à agenda de vocês porque vocês não têm ninguém pra fazer esse trabalho outro dia? Não vou deixar de fazer meus compromissos porque vocês só podem vir nesse dia. Hoje ainda é dia 2!!!!
– (atendente) Mas então o senhor marca outra data.
– (otário) Ah, tá bom. Marca pro dia 22. Se eu não puder, eu ligo. Obrigado por nada.

 Quando sai o próximo trem pra Vladivostok?

Na Sibéria não tem nada disso (5)

agosto 3, 2009

(penúltimo capítulo da minissérie)

O DRAMA SE REPETE

Não bastou ir ao escritório da NET e entregar o comprovante de pagamento. Nos quase dois meses seguintes, a internet continuou sendo cortada, quase que semanalmente. E toda vez que eu ligava a desculpa era a mesma: “Não consta o pagamento de janeiro”. E eu sempre tinha de contar a história toda, passar os números de protocolo, xingar todo mundo etc. Num domingo, a internet caiu mais uma vez. No dia seguinte, liguei duas vezes. Na primeira ligação me disseram que um funcionário do departamento de cobrança ia retornar. Na segunda tentativa, disseram que o sinal ia ser reativado em no máximo 20 minutos. Evidentemente, não aconteceu nem uma coisa nem outra. Na terça-feira, terceiro dia seguido sem internet e já bufando de raiva, liguei novamente para os energúmenos.

– (otário) Olha, antes de mais nada vou logo avisando: liguei ontem duas vezes porque minha internet está desligada. Falaram que eu não paguei a conta de janeiro, mas já expliquei mil vezes: eu paguei a conta de janeiro junto com meu condomínio. Foi o último mês em que as contas vieram juntas. A partir de fevereiro a conta veio separada e paguei pelo boleto da NET. Mas em janeiro veio junto. Eu já fui no Procon, já levei os comprovantes de pagamento para o escritório da NET em Mogi e eles já tinham religado a internet. Por favor parem de desligar esse troço!!!
– (atendente) Ok, senhor. Aguarde um momento.
– (otário) Tá bom…
– (atendente) Senhor, não consta o pagamento de janeiro.
– (otário) Ô meu Deus do céu!!!! Eu já te expliquei o que aconteceu!!! Eu preciso que vocês liguem logo essa internet.
– (atendente) Mas senhor, esse problema quem tem de resolver é o departamento de cobrança.
– (otário) Ah, claro. Aliás, ontem eu liguei, passei meu telefone e ficaram de me ligar. Recebi o protocolo tal. Porque não me ligaram?
– (atendente) Olha, senhor, eu não sei… Para resolver esse problema o senhor tem de ligar para o número…
– (otário, irritado) Eu não vou ligar para lugar nenhum. Vocês ficaram de me ligar ontem, fiquei que nem um idiota esperando o dia inteiro e ninguém ligou pra mim nem religaram minha internet. Porque ninguém resolveu meu problema?
– (atendente) Senhor, é só o senhor ligar para o setor…
– (otário, muito irritado) Não, você não entendeu! Eu paguei a conta. E ainda me dei ao trabalho de ir até o escritório de vocês para levar um comprovante de pagamento, porque alguém desse setor não tem competência suficiente para dar conta de algo tão simples.
– (atendente) Senhor, é só ligar…
– (otário, irritadíssimo) Não, já perdi demais o meu tempo. Não vou ligar pra lugar nenhum. Ou você me transfere agora para o setor ou religa minha internet!!!

Claro que não religaram minha internet, mas ao menos me transferiram para uma “supervisora”. Tive de contar toda a história de novo…

 – (supervisora) Mas senhor Fábio, nós já lhe mandamos o boleto.
– (otário) Minha filha, eu já paguei essa merda, junto com o condomínio!!! Já expliquei mil vezes. Tenho todos os recibos, já levei o comprovante de janeiro para o escritório da NET. Porque tenho de me explicar toda semana e implorar para que vocês religuem essa bosta de conexão, que aliás só dá problema?
– (supervisora) Mas esse boleto não é referente ao mês anterior?
– (otário, já surtando) O condomínio é, mas a NET não. Tanto que recebemos um aviso da administradora do condomínio pedindo para que a gente não pagasse esse boleto que vocês enviaram para a gente em janeiro. A gente só começou a pagar quando a administradora passou a mandar o condomínio sem o valor da NET incluso.
– (supervisora) Mas consta um débito em nossa conta. O senhor tem de falar com o setor…
– (otário, surtado) CARALHO, NÃO VOU LIGAR PRA SETOR NENHUM!!! JÁ TIVE DE SAIR DE CASA VÁRIAS VEZES PRA CONFIRMAR QUE EU PAGUEI ESSA PORRA E MESMO ASSIM VOCÊS CORTARAM MINHA INTERNET!!! VOCÊS SÃO UNS INCOMPETENTES!!!
– (supervisora) Mas senhor…
– (otário) SENHOR O CARALHO!!!!  MINHA ÚNICA OBRIGAÇÃO É PAGAR ESSE LIXO DE INTERNET EM DIA. NUNCA DEIXEI DE PAGAR MENSALIDADE NENHUMA E A ÚNICA COISA QUE VOCÊS TÊM DE FAZER, QUE É MANTER MEU SINAL, VOCÊS NÃO FAZEM.
– (supervisora) O senhor tem de ligar para outro setor, então…
– (otário, totalmente surtado) JÁ PERDI TEMPO, DINHEIRO E PACIÊNCIA INDO ATÉ O ESCRITÓRIO DE VOCÊS, PARA COMPROVAR QUE EU PAGUEI ESSE LIXO DE INTERNET, E AGORA VOCÊ QUER QUE EU FIQUE LIGANDO, IMPLORANDO PRA VOCES CUMPRIREM COM SUA OBRIGAÇÃO? VOCÊS NÃO ESTÃO ME FAZENDO NENHUM FAVOR!!! SE EU TIVESSE MORANDO EM UMA ALDEIA DO CONGO EU NÃO TERIA TANTOS PROBLEMAS COM A INTERNET COMO TENHO COM VOCÊS, COM ESSA PORCARIA DE SERVIÇO QUE VOCÊS PRESTAM!!!

Conclusão: eles não resolveram meu problema. Decidi, depois de muitas tentativas, cancelar o serviço. Foi um pouco mais rápido, mas nem por isso menos doloroso.

Na Sibéria não tem nada disso (4)

julho 6, 2009

(minissérie em seis capítulos)

O PIOR AINDA ESTAVA POR VIR

As coisas pareciam, finalmente, ter mudado. Enviaram para mim um novo número de usuário, que surpreendentemente dispensava os demais dados. Deve ter sido o equivalente à invenção da penicilina para eles. E a internet ficou um tempo sem cair. Mas quando voltou a cair…

– (otário) Boa tarde. Minha internet caiu.
– (atendente) Pois não. Qual seu número de usuário?
– (otário) É o número tal.
– (atendente) Perfeito. Aguarde um momento que vou resolver o problema.
– (otário)
– (atendente) Senhor, consta um débito em seu cadastro.
– (otário) Débito? Como assim? Eu paguei todas as mensalidades.
– (atendente) Não consta aqui o pagamento referente ao mês de janeiro.
– (otário) Como assim? Estamos em abril!!! Vocês ficam três meses sem me avisar desse débito e vão cortando?

Nesse momento, ela disse algo como “Sim, senhor. É o procedimento”. E eu, inconformado com a negligência deles, corri para a gaveta de contas, para me certificar que tinha pago essa conta. E tinha mesmo.

– (otário) Olha aqui, estou com a conta de janeiro na mão. E ela foi paga. Que história é essa de não constar o pagamento?
– (atendente) Senhor, o boleto da NET que foi enviado ao senhor não foi pago.
– (otário) Mas eu não pago pelo boleto da NET!!! Eu pago junto com o condomínio. Não tem como eu pagar separadamente!!!
– (atendente) Mas o boleto foi enviado pela NET para o senhor…
– (otário) Ou seja, para que vocês não cortem a minha internet eu tenho de pagar a mesma conta duas vezes?
– (atendente) Mas senhor, o boleto foi enviado pela NET para o senhor…
– (otário) Então é isso? Eu pago a internet em dia, mesmo assim vocês cortam a conexão e dizem que eu tinha de pagar em um boleto que vocês enviam, sendo que eu já paguei a conta?
– (atendente) Mas senhor, o boleto foi…

Não esperei a resposta, até porque já sabia qual era. Tive de ir para o Procon, enfrentar uma fila enorme. Por fim, fui orientado a ir ao escritório da NET, procurar a funcionária Bruna, entregar a ela uma cópia do boleto pago e esperar a religação automática do sinal.

Tudo isso aconteceu, como previsto, no dia 6 de abril. E, para me certificar de que não haveria novos problemas, fiquei com uma outra cópia do boleto, assinada pela funcionária.

Mas o enrosco só havia começado…

Na Sibéria não tem nada disso (3)

junho 23, 2009

(minissérie em seis capítulos)

UM MÊS DEPOIS, NOVOS PROBLEMAS

"Vou estar transferindo a ligação"– (atendente) Bom dia. Em que posso ajudá-lo?
– (otário) Cheguei de casa de madrugada e a internet não tava funcionando. E hoje pela manhã ela continua não funcionando.
– (atendente) Pois não, senhor. Qual o número de usuário?
– (otário) O número é tal. E antes que você me pergunte, o CPF é tal, o RG é tal e o endereço é tal.
– (atendente) Senhor, esses números não conferem.
– (otário) Como assim? Eu ligo toda semana pra vocês e passo sempre esses números. Porque a frescura agora?
– (atendente) Senhor, esse endereço consta como condomínio.
– (otário) Claro, meu filho. Porque eu moro nesse condomínio. Mas o problema é só no meu apartamento. É bloco tal, apartamento tal.
– (atendente) Mas eu preciso do CPF do síndico pra resolver esse problema.
– (otário) Nada disso. Toda semana a internet cai e eu tenho de ligar pra resolver esse problema. E sempre resolvo com meus dados. Agora você me vem com essa história? Eu tenho todos os meus dados aí. Protocolo e tal. Veja qual o problema e resolva pra mim, por favor.
– (atendente) Então aguarde na linha que eu vou lhe transferir para outro setor.
– (otário) Ah, não…
– (GRAVAÇÃO) … sua ligação é muito importante para nós…
– (otário) blé, blé, blé, blé, blé, blé, blé, blé…
– (atendente) Pois não, em que posso ajudá-lo?
– (otário) Minhainternetnãofuncionajápasseimilnumerosedizemquenão constadocadastro
– (atendente) Sim…
– (otário) pelamordedeusresolvemeuproblemajáligueimilvezesenuncadeuessechabu
– (atendente) Qual o número de usuário, por favor?
– (otário) OnúmerodeusuárioétaloCPFétal,oRGétaleoendereçoétal.
– (atendente) Ah, perfeito.
– (otário) Epelamordedeusnãotenhoocpfdosíndicoenuncapreciseipraconsertarainternet.
– (atendente) Ok. Vou ver o que posso fazer. Aguarde um momento.
– (otário) Tá bom…
– (atendente) Senhor. Tem um pequeno problema nesses dados. Vou precisar transferir para outro atendente
– (otário, quase desistindo) Tá bom, faz o que você quiser…
– (GRAVAÇÃO) …combo net. Internet, TV e telefone por apenas…
– (otário) Claro, tudo o que eu quero neste momento é um problema versão combo.
– (atendente) Pois não, em que posso ajudá-lo?

Quase chorando, expliquei o problema, pela enésima vez, para outro atendente. Que, evidentemente, usou o mesmo argumento dos demais. Mas nada que uma ameaça de cancelamento de serviço não resolvesse.

Na Sibéria não tem nada disso (2)

junho 9, 2009

MAIS PROBLEMAS NA SEGUNDA SEMANA

– (atendente) Bom dia, em que posso ajudá-lo?
– (otário) Olha, minha internet caiu de novo. É a segunda vez em quinze dias. Vocês podem resolver isso pra mim, por favor?
– (atendente) Sim, claro. Qual o número de usuário?
– (otário) O número é tal
– (atendente) Perfeito. Qual o número do CPF
– (otário, desistindo de argumentar) Tá, meu CPF é tal, o RG é tal e o endereço é tal
– (atendente) Perfeito, senhor. Aguarde um momento…
– (otário)
– (atendente) Senhor, a sua internet está com um problema.
– (otário) Não diga, minha filha. Não teria sido exatamente por isso que eu liguei pra você?
– (atendente) O senhor ligou para religar a internet, não é mesmo?

Neste momento, eu deveria ter dito algo do tipo: “Não, moça, liguei pra te convidar pra ir ao cinema. Que hora cê larga, hein, mina?” Mas resolvi apenas dar um desanimado e longo suspiro e responder afirmativamente.

 – (atendente) Perfeito. Aguarde um instante que vou te encaminhar para um técnico.
– (otário) Tá bom!
– (GRAVAÇÃO) … aguarde que em breve iremos atendê-lo…
– (otário) Ahhhhhhhhhhhhhhhhh…
– (técnico) Pois não, em que posso te ajudar?
– (otário) A atendente me encaminhou porque minha internet não tá funcionando.
– (técnico) Correto. E ela não conseguiu resolver o problema?

Outra boa oportunidade perdida. A frase correta seria “Resolveu, sim. Mas eu a chamei pra ir ao cinema e ela disse que só vai se você for junto. Vamo nessa? Eu levo minha irmã de 14 anos pra te fazer companhia”.

 – (otário) Não, por isso ela me encaminhou.
– (técnico) Ok. Qual o número de usuário?
– (otário) Ué, eu acabei de passar esses números pra outra atendente. Porque tenho de passar toda hora essa droga de número para resolver um problema tão simples?
– (técnico) Senhor, é para a sua segurança…
– (otário) Ah, meu Deus. Tó, o número é tal.
– (técnico) Correto. E o do CPF?
– (otário) Ah, não, de novo não. Eu não vou ficar sendo transferido para tudo quando é lugar para vocês ficarem me pedindo tudo quanto é dado. Já passei esses números. Porque vocês simplesmente não resolvem meu problema?
– (técnico) Mas senhor, é para a sua segurança…
– (otário) Sabe o que vocês deviam fazer pra minha segurança? Manter essa porcaria de internet funcionando, para que eu não precise ficar ligando pra vocês a toda hora!!!

Claro que, neste momento, a ligação caiu. E o otário aqui teve de ligar de novo e passar novamente os dados. Quando passei os dados, a atendente soltou um desanimado “ah, é o senhor, senhor Fábio?” E finalmente resolveu meu problema. Mas claro, a internet caiu de novo em muito pouco tempo…

Na Sibéria não tem nada disso!

junho 3, 2009

(minissérie em intermináveis capítulos)

Estou fazendo esta postagem de um ciber. Por quê? Porque tive o azar de aceitar os serviços da Net, contratadas pelo condomínio onde moro, se Deus quiser não por muito tempo. Fazer uma única postagem sobre os lamentáveis serviços prestados seria pouco. Por isso, uma vez por semana (segunda ou terça-feira) vou postar um capítulo da terrível e agoniante novela em que se transformou a minha (inútil) tentativa de ter um serviço razoável de internet em casa.

PROBLEMA NA PRIMEIRA SEMANA

– (otário) Bom dia, estou com um problema na internet. Estou sem conexão em casa.
– (atendente) Pois não, senhor. Qual o seu número de usuário.
– (otário) Mas precisa de um número de usuário?
– (atendente) Sim, só conseguimos fazer o atendimento com esse número
– (otário) Mas pra que precisa desse número?
– (atendente) É para agilizar o serviço, senhor…
– (otário, ficando irritado) Tá, tá bom. O que eu preciso para fazer esse cadastro?
– (atendente) O senhor tem de me passar seu endereço, RG e CPF
– (otário) Tá bom, o endereço é tal, o CPF é tal e o RG é tal
– (atendente) Ok, senhor. Vou gerar o cadastro…
– (otário)
– (atendente) Senhor, o seu número de usuário é tal.
– (otário) Ok, muito obrigado. Então, sobre meu problema…
– (atendente) Sim, senhor. Aguarde que eu vou transferí-lo.
– (otário) Ei, mas não é você que…
– (GRAVAÇÃO) Aguarde que em breve iremos atendê-lo…
– (otário) Putaquipariu…
– (atendente) Bom dia, em que posso ajudar?
– (otário) Minha internet não tá funcionando, preciso que resolvam isso logo.
– (atendente) Sim, senhor. Qual seu número de usuário?
– (otário) Meu número é tal
– (atendente) Ah, pois não. Aguarde um momento…
– (otário)
– (atendente) Senhor, por favor, qual o seu CPF?
– (otário) Pra que você quer meu CPF?
– (atendente) Senhor, é para a sua segurança…
– (otário) Ué, mas pra já passei meu número de cadastro. Pra quê vocês precisam do CPF?
– (atendente) Senhor, é para a sua segurança…
– (otário) Minha filha, pra quê vocês inventam um número de usuário se vocês vão pedir todos os dados do mesmo jeito?
– (atendente, robótica) Senhor, é para a sua segurança…

Percebi que esses atendentes conseguiram um resposta padrão para qualquer tipo de pergunta. Ela poderia ser usada, por exemplo, por deputados acusados de desviar dinheiro público, para a mulher pega com a boca na botija com o Ricardão ou para o menino que quebrou o precioso vaso chinês comprado pela mãe em Xangai, de um mascate que alegou ser uma legítima peça da dinastia Ming.