Posts Tagged ‘cinema’

Mais tensão, menos política

março 2, 2010

Este cara sim é workaholic. O resto é conversa!

“Guerra ao Terror” é um dos filmes indicados ao Oscar. Campeão de indicações (nove, o mesmo número de “Avatar”), o filme corre o risco de ficar de fora da disputa por conta de alguns vacilos de um dos produtores, Nicholas Chartier, que andou fazendo lobby escandaloso pelo filme.

Se isto realmente acontecer será um pena, pois este é um trabalho que joga uma lufada de ar no gênero dos filmes de guerra. Dirigido por Kathryn Bigelow, ele foge do padrão tradicional das películas sobre as guerras do Iraque e Afeganistão. Não há citações políticas evidentes e escancaradas durante o filme, não se faz defesa ostensiva ou crítica dura à intervenção norte-americana nestes países.

O filme conta a história de um esquadrão anti-bombas que atua no Iraque, às vésperas de seu retorno para casa. Um dos especialistas morre em ação e logo em seguida chega seu substituto: o maluco sargento William James, que trata de impor seu “estilo” logo no primeiro dia de trabalho.

Toda a história gira em torno do sargento James, de suas idiossincrasias e da maneira tensa com que se relaciona com os colegas de equipe. Tensão, aliás, sobra no filme, especialmente durante as missões do grupo. As cenas de ação são menos abundantes que em outros filmes do gênero, mas nem por isso o filme é morno.

“Guerra ao Terror” conseguiu um grande feito: tratar das loucuras do front sem tomar partido, coisa rara de se ver hoje em dia. Este é, disparado, o seu maior trunfo. Se o filme não for eliminado do Oscar, como se cogita, tem tudo para receber o devido reconhecimento.

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Salve geral e a hipocrisia no cinema

outubro 29, 2009

Não se trata de nenhuma “apologia ao crime”, como muita gente andou dizendo por aí. Mas a verdade é que “Salve Geral”, do diretor Sérgio Rezende, age como verdadeiro advogado do diabo. Ou do PCC, ao justificar os atentados provocados pela facção criminosa por todo o Estado de São Paulo, em março de 2006.

O filme conta o drama da viúva Lúcia (Andréa Beltrão), professora de piano endividada que se acaba se envolvendo com pessoas ligadas ao PCC para proteger seu filho, preso por assassinato. Tal história corre em paralelo com o momento em que os líderes da facção começam a se articular para desafiar o governo estadual, com rebeliões e atentados a políticos e magistrados.

O filme segue a tendência recente do cinema nacional de enfocar a violência urbana, que surgiu com o sucesso de “Cidade de Deus”. Por isso mesmo, tem ação de sobra, momentos de forte tensão e um grande esforço para criar diálogos reais. Sem falar nas boas atuações do elenco, especialmente de Andréa Beltrão. O grande problema do filme é mesmo seu conteúdo político.

Se por um lado Rezende acerta ao apontar a corrupção do estado como um dos alimentos do PCC nos presídios, por outro idealiza de força estúpida a mobilização dos presos por, aham, “melhores condições”. A citação constante do lema do PCC – Paz, Justiça e Liberdade – colabora para criar uma imagem distorcida da situação. O resultado é que os líderes do grupo aparecem como grandes heróis revolucionários, enquanto alguns dos detentos vestem a pele de idealistas românticos. É de dar engulhos.

O filme embarca em uma triste tendência do cinema nacional recente: crítica social vazia e demagógica, para fazer média com o público. Defender bandidos, de uma hora para outra, se tornou pré-requisito para quem deseja mostrar a todo mundo sua “consciência social”. No fundo, são as mesmas pessoas que maltratam a empregada doméstica ou reclamam que os pretos “não conhecem seu lugar”. Então tá bom, né?

Waldick sem caetanismos

setembro 7, 2009
Waldick em seu habitat: o inferninho

Waldick em seu habitat: o inferninho

Faz um ano que assisti a “Waldick, Sempre no Meu Coração”, documentário sobre o cantor brega Waldick Soriano, durante a cobertura do Festival de Cinema e Meio Ambiente de Guararema. O filme, que entrou em cartaz na semana passada, marca a estréia da atriz Patrícia Pillar na direção e mostra o artista já combalido pelo câncer, que o mataria em 2008.

Fui para a exibição ao ar livre à espera de uma verdadeira bomba. Menos pela breguice extrema do biografado e mais pelo receio de caetanizarem o sujeito, assim como já fizeram com Odair José, Peninha e tantos outros, que de uma hora para outra viraram cult.

Na minha imaginação, o filme começaria com Caetano Veloso falando do quanto Waldick era injustiçado pelos “intelectuais da imprensa paulista” e como ele era um artista genuíno. Em seguida, apareceria o Tom Zé ou o Jorge Vercilo falando que ele é a “síntese do Brasil profundo” e que sua música era o retrato de um povo. Em dado momento, apareceria o Hermano Vianna ou coisa que o valha dizendo que Waldick Soriano lembrava Johnny Cash. Para encerrar o filme, várias bandas de rock descoladas fariam covers de “Eu não sou cachorro, não” e “Perfume de Gardênia”. Tétrico, pra dizer o mínimo.

Filme de Patrícia Pillar é um registro honesto sobre Waldick

Filme de Patrícia Pillar é um registro honesto sobre Waldick

Mas, graças a Deus, não foi nada disso o que vi em Guararema. O ambiente retratado no filme é uma cópia perfeita de seu personagem principal: ou seja, brega até a medula. Brega são as músicas, os locais onde Waldick se apresenta. Brega são seus fãs e, principalmente, boa parte das mulheres com quem se relacionou e que aparecem no filme.

Patrícia Pillar acompanha Waldick em vários shows. Nas cidades pequenas, ele canta na praça central, sempre lotada. Nas metrópoles, se apresenta em boates de quinta categoria, com aquele clima indefectível de inferninho, ainda mais realçado pelas suas músicas.

Entre uma apresentação e outra, a vida pessoal de Waldick vai se delineando na tela: boêmio e com fama de conquistador, o cantor vive sozinho no final da vida, por escolha própria, se afastando dos antigos amores e mesmo da família. Há cenas dele com seu filho, com quem tem uma relação tensa. Em dado momento, ele vira as costas, ignorando as queixas do filho, e começa a tomar um copão de uísque.

Os depoimentos dos fãs proporcionam os melhores momentos do filme: tiozinhos chapados se emocionam ao falar do ídolo. Prostitutas colocam vinis de Waldick para tocar enquanto esperam clientes na porta de casa. E por aí vai.

Ainda aparecem velhinhas acabadas lembrando de seu namoro com Waldick numa distante juventude, além da última grande paixão do artista, lamentando sua opção por continuar como um lobo solitário, mesmo corroído pelo câncer.

Patrícia Pillar estreou bem na direção, com um filme direto, sem frescuras, e que mostra o crepúsculo de um cabra macho, numa época em que, aliás, os homens vivem um tenebroso fim de feira.

Vanzolini e o fim da MPB

agosto 17, 2009

“Então eu queria deixar um testemunho, de um amor com a cidade e com o povo. Do povo, de cada um pessoalmente, eu não gosto, mas do povo no geral eu gosto muito”.

É com essa frase lapidar do velho zoólogo e compositor Paulo Vanzolini que tem início o documentário “Um Homem de Moral”, de Ricardo Dias sobre o próprio sambista. Não poderia ser melhor cartão de visitas para um filme interessantíssimo para quem gosta de samba e/ou se delicia com bons personagens reais retratados na telona. Nesta frase temos uma pequena síntese do trabalho: um belo filme sobre um personagem carismático e especial.

Paulo Vanzolini não é sambista profissional. Seu ganha-pão é a biologia. Mas com as músicas que compôs ganhou um espaço especial na música brasileira e sobretudo na paulista. Com clássicos como “Volta por Cima”, “Praça Clóvis” e “Ronda”, ele derrubaria a tese de Vinícius de Moraes de que São Paulo era o “túmulo do samba”.

Como cantor, Vanzolini era ótimo compositor...

Como cantor, Vanzolini era ótimo compositor...

O filme mostra cenas do cotidiano de Vanzolini, entrevistas em que ele como criou suas mais conhecidas canções e encontros musicais de todos os tipos. Entre uma cena e outra, aparecem trechos de espetáculos de anos anteriores feitos em homenagem ao cantor e cenas preciosas, como uma entrevista com seu amigo Adoniran Barbosa, falecido em 1982, e Paulinho Nogueira, também já falecido, interpretando “Valsa das 3 da manhã” .

“Um Homem de Moral” serviu não só para curtir um belíssimo filme, mas também para conhecer um pouco mais da obra do compositor, do qual sabia muito pouco. Serviu também para reforçar alguns conceitos, como o de grandes canções e compositores escasseiam com velocidade absurda, e que a MPB caminha célere para um fim indigno. Hoje só se vêem “filhos de peixe” sem criatividade alguma, cantores medíocres que se esmeram na arte da cópia e letristas metidos a Caetano Veloso – se o original é ruim, imaginem as cópias…

Ultimamente tenho me sentido um tiozinho, daqueles que só ouvem coisas velhas. Os sons novos são raros. Mas é de se pensar se isso é um reflexo da maturidade/velhice ou se é resultado da decadência musical de nossos dias.

Bom, vou pensar nisso ouvindo o tio Vanzolini, porque esse sabia das coisas.

John Willians é o cara!!!!

julho 20, 2009

Estava eu conversando com a patroa enquanto assistíamos a uns DVDs e eis que, num dos extras, aparece uma entrevista com John Willians, responsável pelas trilhas sonoras das trilogias “Star Wars” e “Indiana Jones”. Na minha modestíssima opinião, os temas originais estão entre os melhores da história de cinema: são empolgantes, muito bem executados, mas principalmente, se tornaram peças indissociáveis de seus filmes. Alguém consegue pensar nesses filmes sem que as canções-tema venham imediatamente à memória, e vice-versa?

Com o avanço da conversa, percebemos que tais qualidades têm surgido com frequencia cada vez menor. Boas trilhas existem, claro, mas nada que se torne uma marca registrada tão forte. Tanto que tivemos que queimar massa cinzenta para lembrar de outros trabalhos. Demorou, mas acabamos fazendo uma lista de Top Ten:

10) 2001: Uma odisséia no espaço: O número dez da lista, admitamos, foge um pouco das regras da lista (canções compostas exclusivamente para um filme). Mas a impactante “Thus Spoke Zarathustra”, de Richard Strauss, se tornou praticamente um personagem do filme dirigido por Stanley Kubrick. Hoje, a canção virou alvo de citações diversas em séries, em outros filmes e até em blasfemos comerciais de fogão no Brasil, sempre tendo como base a película de 1969. Strauss talvez ficasse muito puto, mas a verdade é que o tema foi vítima de uma curiosa apropriação indevida.

9) Superman – O Filme: Demorou um pouco para nos lembrarmos de outros temas clássicos para esta lista, mas quando a memória começou a esquentar, percebemos que dois mestres teriam seus nomes repetidos várias vezes. Um deles é Spielberg. O outro é ninguém menos que John Willians, que também assinou a trilha de Superman (dirigido por Richard Donner) e compôs sua música-tema. Willians, aliás, trabalhou na maior parte dos filmes de Spielberg, incluindo alguns que não estão na lista, mas também possuem grandes trilhas, como “Jurassic Park” e “A Lista de Schindler”

8) … E o Vento Levou: Para fãs de Trash 80’s e afins, a famosa canção composta por Max Steiner se reduziu ao tema de amor do Professor Girafales e da Dona Florinda. Mas para muitas gerações ela é a marca registrada do filme “… E o Vento Levou”, responsável por décadas pela maior bilheteria da história do cinema. O austríaco já era um famoso compositor de trilhas, responsável por musicar clássicos como o faroeste “Cimarron” e o primeiro “King Kong”, quando foi encarregado de compor os temas do épico sobre a Guerra de Secessão norte-americana. Steiner ainda seria responsável pela adaptação orquestral de outra canção que integra a lista.

7) Tubarão: Quem nunca se arrepiou com as ótimas cenas de suspense deste filme de 1975, devidamente acompanhadas de sua sensacional música-tema? Esta é mais uma das muitas parcerias entre Steven Spielberg e John Willians, sendo a mais antiga delas a fazer parte deste Top Ten. Em uma época em que os filmes-catástrofe eram moda, a dupla fez com que o filme atingisse um patamar superior, em parte graças ao aspecto musical.

6) Casablanca: A exemplo do que acontece em “2001”, aqui temos outra apropriação indevida, a belíssima canção “As Time Goes By”, de Herman Hupfeld. Mas o filme de Michael Curtiz praticamente abduziu a canção, que mais parece ter sido composta especialmente para ele, casando-se com perfeição com todo o ambiente anos 40 do filme e com as frases que também entraram para história do cinema (inclusive a célebre “Play it again, Sam”, que em nenhum momento é dita no filme). Max Steiner, autor do tema de “… E o Vento Levou”, ficou encarregado dos arranjos da versão orquestrada da música.

5) Psicose: Ok, não é bem uma “música-tema”, mas se a cena do chuveiro deste grande filme de Alfred Hitchcock tornou-se antológica, é graças ao seu não menos inesquecível fundo musical, que praticamente se tornou a trilha sonora original do medo. Tente ouvir esta música como fundo de alguma cena bonitinha e lúdica e verá como você ficará apavorado até mesmo com um inofensivo campo de flores. Cortesia de Bernard Herrmann.

4) O Poderoso Chefão: Se essa lista fosse sobre as melhores trilhas sonoras, Nino Rota certamente teria outros filmes citados. Mas foi na trilogia de Francis Ford Coppola que o genial parceiro de Fellini conseguiu criar um tema tão forte quando os inesquecíveis personagens da trilogia. E olha que estamos falando de filmes que têm Marlon Brando, Robert de Niro e Al Pacino representando os protagonistas. O ponto negativo para a canção-tema é que ela já havia aparecido em um antigo filme de Fellini, precisando ser adaptada para fazer parte da série sobre os mafiosos italianos.

3) ET, o Extraterrestre: Olha a dupla aqui de novo!!!! Em mais um filme de Spielberg, John Willians mostra como sabe criar canções que marcam profunda e definitivamente os filmes para o quais foram compostos. A cena em que Elliot e seus amigos conseguem voar em suas bicicletas para salvar o ET da polícia está, sem dúvida nenhuma, entre as maiores da história. E a canção-tema é parte indissociável deste quadro. Por tudo isso, o pódio é de Willians!!!

2) Star Wars, Uma Nova Esperança: Se eu não tinha dúvida de quais eram as duas melhores trilhas para esta lista, confesso que passei um bom tempo pensando quem ficaria com a medalha de prata. E a escolhida foi Star Wars por um motivo simples: a série criada por George Lucas é espetacular em todos os sentidos. E por mais brilhante que seja a música, ela não supera outros elementos da história, como as referências mitológicas, as personagens e armas fantásticas. De qualquer forma, ouvir a música, executada pelo orquestra sinfônica de Londres, logo após o “A Long Time Ago in a Galaxy Far, Far Away…”, é de arrepiar. Em tempo: quem apresentou John Willians para Lucas foi Spielberg.

1) Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida: No final dos anos 70 e início dos 80, a dupla Steven Spielberg e George Lucas começava a dar as cartas no cinema norte-americano. Aqui, eles trabalham juntos, o primeiro como diretor e o segundo na produção. Mais uma vez, John Willians é responsável pela trilha, e realiza um trabalho matador. É praticamente impossível dissociar a imagem de Indiana Jones da magnífica canção-tema. Assim como não dá para ouví-la sem se lembrar das empolgantes aventuras do arqueólogo bom de briga e fã de confusão. O final de “Indiana Jones e a Última Cruzada” é um bom exemplo de porque este tema é inesquecível.

Evidentemente, há outros filmes com canções tão importantes quanto. E muita gente vai lembrar de alguns ótimos exemplares, como “Golpe de Mestre”, “Star Trek”, “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, “De Volta para o Futuro” e tantos outros.

Menor, mas ainda assim superior

junho 12, 2009

Quando “O ano em que meus pais saíram de férias” chegou aos cinemas, a crítica encheu a película de elogios. De fato, estávamos diante de um dos melhores, se não o melhor filme nacional dos últimos anos. A unanimidade foi tão grande que, em dado momento, faltaram adjetivos originais para classificar a obra. Foi então que alguém se saiu com uma tirada genial: “É tão bom que parece filme argentino”.

De fato, há muito tempo não se vê uma série de filmes tão bons vindos de um mesmo lugar. A diferença entre os filmes brasileiros é gritante, e não se trata de aspectos técnicos, já que o cinema tupiniquim evoluiu consideravelmente neste quesito. Mas as histórias e a forma com que elas são contadas pelos argentinos são mesmo muito superiores. Mesmo nos filmes menores.

Um bom exemplo está em “A Janela”, de Carlos Sorín, ainda em cartaz nos cinemas de São Paulo. A história do filme é a mais singela possível. Um escritor octogenário, bastante doente, aguarda em seu sítio na Patagônia a visita do filho, um pianista de fama na Europa. Enquanto espera, tenta se lembro do rosto de uma moça, que apareceu em um sonho. Só isso. Mais nada.

Mesmo com tão pouco, Sorín consegue cativar. As paisagens repetitivas e melancólicas da patagônia ganham força e beleza à medida em que ela se integra com a história dos personagens, igualmente melancólicas e que também parecem ganhar peso, assim como outro filme seu: “Histórias Mínimas”, cujo nome diz tudo.

“A Janela” não tem aquela dramaticidade pentelha dos filmes brasileiros e nem aquelas simbologias chatinhas de filmes iranianos. E foge da cabecice de alguns filmes europeus e asiáticos. Mesmo não sendo um dos grandes filmes platinos, consegue cativar com uma boa história, boas idéias e uma singular dose de simplicidade.

A realidade como em um sonho (ou pesadelo)

abril 27, 2009

Assistir a filmes dirigidos e produzidos por israelenses e palestinos é uma experiência interessante. Não só pela oportunidade de conhecer linguagens de uma cinematografia diferente, mas também para conhecer abordagens diferentes do complicado conflito árabe-israelense (os descolados assistem para dizer que “desprezam os enlatados” ou alguma bobagem do tipo).

 

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Assim é com os filmes do Amos Gitai ou experiências bacanas como “Paradise Now”. O mesmo se aplica a “Valsa com Bashir”, excelente animação do israelense Ari Folman. A obra chama a atenção pela forma como aborda a terrível invasão do Líbano, ocorrida no início dos anos 80. Em primeiro lugar, ao optar pela animação, e em segundo por dar a ela um tom de documentário, inclusive com depoimentos incluídos durante o filme.

O filme conta a história de um diretor de cinema que combateu no Líbano e, em dado momento, se vê angustiado com a falta de lembranças sobre eventos da guerra. Para recuperá-las, passa a procurar antigos colegas do front e, à medida que vai retomando lembranças, descobre porque a sua mente lhe pregou uma peça.

 

1A obra é permeada por depoimentos, lembranças difusas e alucinações. E em cada uma delas salta aos olhos a qualidade visual, enquadramentos e foco, tratados em dados momentos como se fosse um filme convencional, em outros com a velocidade e colorido próprios de uma animação.

“Valsa com Bashir” vale ainda para analisar o conflito visto do lado israelense. Ou melhor: dos vários lados, uma vez que o velho maniqueísmo “bem contra o mal” vai por terra a cada segundo.