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Salve geral e a hipocrisia no cinema

outubro 29, 2009

Não se trata de nenhuma “apologia ao crime”, como muita gente andou dizendo por aí. Mas a verdade é que “Salve Geral”, do diretor Sérgio Rezende, age como verdadeiro advogado do diabo. Ou do PCC, ao justificar os atentados provocados pela facção criminosa por todo o Estado de São Paulo, em março de 2006.

O filme conta o drama da viúva Lúcia (Andréa Beltrão), professora de piano endividada que se acaba se envolvendo com pessoas ligadas ao PCC para proteger seu filho, preso por assassinato. Tal história corre em paralelo com o momento em que os líderes da facção começam a se articular para desafiar o governo estadual, com rebeliões e atentados a políticos e magistrados.

O filme segue a tendência recente do cinema nacional de enfocar a violência urbana, que surgiu com o sucesso de “Cidade de Deus”. Por isso mesmo, tem ação de sobra, momentos de forte tensão e um grande esforço para criar diálogos reais. Sem falar nas boas atuações do elenco, especialmente de Andréa Beltrão. O grande problema do filme é mesmo seu conteúdo político.

Se por um lado Rezende acerta ao apontar a corrupção do estado como um dos alimentos do PCC nos presídios, por outro idealiza de força estúpida a mobilização dos presos por, aham, “melhores condições”. A citação constante do lema do PCC – Paz, Justiça e Liberdade – colabora para criar uma imagem distorcida da situação. O resultado é que os líderes do grupo aparecem como grandes heróis revolucionários, enquanto alguns dos detentos vestem a pele de idealistas românticos. É de dar engulhos.

O filme embarca em uma triste tendência do cinema nacional recente: crítica social vazia e demagógica, para fazer média com o público. Defender bandidos, de uma hora para outra, se tornou pré-requisito para quem deseja mostrar a todo mundo sua “consciência social”. No fundo, são as mesmas pessoas que maltratam a empregada doméstica ou reclamam que os pretos “não conhecem seu lugar”. Então tá bom, né?

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