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Meu dia de torcedor coxinha

junho 17, 2013
"Nossa, vou postar minha foto no Instagram agora mesmo!"

“Nossa, vou postar minha foto no Instagram agora mesmo!”

Antes de mais nada, é preciso dizer: sempre sonhei em assistir a um jogo de Copa do Mundo, seja aqui ou no exterior. Quando era criança, simulava como seria o mundial em terras brasileiras, selecionando os estádios, criando sedes e subsedes.

O tempo passou. O Brasil, a Fifa e a Copa do Mundo mudaram. Para melhor e para pior em muitos aspectos. Uma destas mudanças afetou diretamente quem curte futebol no Brasil. Ingressos caros, torcida domada, patriotismo artificial etc.

Nem por isso me furtei a assistir a uma partida. A primeira providência foi ver a Copa das Confederações, importante sob vários aspectos, especialmente como teste, dentro e fora dos campos. Sem falar que talvez seja difícil ir a um jogo da Copa do Mundo, por vários motivos.

Por isso, assisti no último domingo a México x Itália, no estádio do Maracanã. Não foi apenas o Fábio trintão, casado e pai de família que viu o jogo no estádio. Foi também o jornalista que quis ver tudo com seus próprios olhos: se o estádio ficou legal, se o público é mesmo elitizado, se ver o jogo na arquibancada está sem graça e se a estrutura oferecida é o que prometem. E, claro, era também a criança realizando o velho sonho.

Impressões de um coxinha honorário

Um torcedor coxinha que se preze tem de levar a patroa ao estádio. Afinal, é futebol para a família. Evidentemente, nunca levei namorada, ficante ou pretendente para ver jogos comigo. Ela certamente fugiria de mim horrorizada antes dos cinco minutos de partida. E quem vai ao estádio torcer por seu time pode imaginar a razão.

Fomos eu e Érica para o Rio de Janeiro no dia do jogo. Logo de cara, um aspecto positivo. Descemos no aeroporto Santos Dumont, já informados de que os organizadores pensavam em criar um ponto de retirada de ingressos ali. Havíamos agendado a retirada no hotel Windsor Guanabara, no centro da cidade, e precisaríamos pegar um metrô. Se houvesse uma fila grande, perderíamos tempo precioso. Havia notícias de que no Galeão as pessoas levaram mais de três horas para pegarem seus tíquetes.

Mas o posto no Santos Dumont realmente estava aberto. A fila era minúscula e pegamos o ingresso em menos de 10 minutos. O único senão foi uma funcionária, desatenta, que nos disse que precisaríamos mostrar um comprovante de residência para provarmos que éramos residentes no Brasil. Claro que isso não era necessário.

Paulistas e palmeirenses

IMG_0914Pegamos o ingresso, fomos para o hotel e largamos nossas coisas lá. Fui para o jogo com minha camisa azul do Palmeiras (sim, a que homenageia o velho Palestra Itália). Mas, só para não ceder totalmente ao sistema, torci para o México.

E aqui entra um fato curioso: os palmeirenses foram em peso ao Maracanã. Mais de 6 mil pessoas saíram de São Paulo para ver a partida. A maioria, torcedores do alviverde, como foi possível perceber visualmente. Em alguns momentos, havia mais pessoas com camisas do Palmeiras do que da seleção brasileira ou mesmo do Fluminense e Botafogo.

No metrô, tudo tranquilo. Três estações foram destinadas como pontos de partida para o estádio (Maracanã e São Cristóvão, na Linha Verde, e São Francisco Xavier, na Linha Vermelha). Havia recomendações para descer em um determinado ponto, de acordo com o seu setor no estádio. Mas não havia impedimentos para que se escolhesse outro caminho. Como bom coxinha, segui o roteiro preestabelecido.

Descemos na Estação São Cristóvão e foi então que eu e Érica quase deixamos de ir ao Estádio. Havia ali um grupo de manifestantes protestando contra os altos gastos com a Copa das Confederações. Nosso coração balançou. Embora não sejamos contra a realização dos torneios, sabemos o quando houve de autoritarismo e intransigência na organização, fora os gastos abusivos. E defendemos o direito de protestar, ainda mais em um momento em que as autoridades usam de violência para calar os opositores. Mas fraquejamos e fomos ao Maracanã.

No Estádio

Para entrar, tudo tranquilo. Mesmo com muita gente um tanto confusa (a grande maioria jamais havia visto um jogo no Maracanã. Talvez sequer em qualquer estádio), os voluntários e funcionários trabalharam bem. O único problema foi no acesso aos deficientes, por onde alguns desavisados (inclusive nós) tentaram passar.

Como estamos em um estádio moderno, em um torneio da Fifa, todo cuidado com a segurança era pouco. Havia detectores de metal e o procedimento para a entrada era o mesmo exigido nos aeroportos. O policiamento era intenso, mas não ameaçador. A imagem truculenta ficou com os soldados destacados para impedir que os manifestantes chegassem perto. Lá fora, havia agentes das polícias Civil e Militar, além da Força Nacional, Tropa de Choque e Guarda Municipal, ameaçadores.

Ao entrar, nos deparamos com aquilo que havíamos lido tanto nos últimos dias: o abusivo preço dos lanches e bebidas. Cachorro-quente a R$ 8, um latão de Brahma custando NOVE DILMAS (a Budweiser era R$ 12)! Pegamos uma lata de Coca, uma cerveja e uma garrafa de água. Morreu em R$ 21. Mas coxinha que é coxinha paga com gosto, afinal, é um ambiente familiar.

E era mesmo. Muitos casais, crianças e famílias inteiras foram ao estádio em peso. Muitos, de fato, nunca haviam visto uma partida de futebol em um estádio. Estavam ali para conhecer o Maracanã, seja para visitar um cartão postal, seja para saber como ficou após a reforma. Sem falar nos turistas e nos (poucos) mexicanos e italianos que foram de fato torcer por sua seleção.

“E você, Fábio? O que achou?”

Novo estádio é bonito, mas não é mais o Maracanã

Novo estádio é bonito, mas não é mais o Maracanã

Que não é mais o Maracanã. Sem discurseira contra o futebol moderno, sem reclamar da realização da Copa, sem saudosismo. É lindo, moderno, confortável. Mas não é mais o Mário Filho. Mesmo quem não tenha visto um jogo no velho Maraca sabe disso. Hoje é um estádio padronizado, muito parecido com os outros desta Copa. Uma arena, enfim, com todo o simbolismo que essa palavra traz. Não lembra em nada o velho estádio.

O público que foi ao jogo também não. E por isso pude presenciar algumas bizarrices. A primeira delas foi ouvir de torcedores sentados logo atrás de mim uma reclamação: “Porra, o telão tá com defeito”. Sim, amigos: os caras queriam era ver o jogo por um dos quatro gigantescos e modernos telões, instalados em setores estratégicos. Olhar pro campo durante a partida deve ser coisa de ralé, mesmo.

Veio o intervalo e resolvi dar um mijão. Foi então que constatei algo que me deixou estarrecido: O BANHEIRO EXALAVA UM INTENSO AROMA DE EUCALIPTO! Não, meu amigo, não era cheiro forte de desinfetante barato. Era um aromatizante fino, algo que nunca senti nem em shopping center. Achei aquilo tão bizarro quanto aparecer um anão trepando com a mulher barbada, ambos devidamente nus, em um comício político. Saí de lá tão atordoado com o cheiro quanto com a inusitada constatação.

Durante a partida, mais curiosidades. Como se sabe, todos ficam sentadinhos no novo estádio. Os assentos são fixos, você não pode simplesmente sentar em qualquer lugar. Couberam a mim e à Érica as cadeiras 1 e 2 da fileira L, no bloco 229 do nível 2. Mas houve momentos de resistência. Alguns gaiatos tentaram sentar nas escadas, mas foram convencidos a saírem de lá.

De resto, é o que se imagina. A maior parte das pessoas mal olhava para o estádio. Eles ficavam conversando, quase nunca sobre futebol. Os assuntos variavam entre a última viagem para Ilhabela, as vicissitudes amorosas de si e de outrem e amenidades diversas. Érica, que sempre se emputece com quem vai ao cinema para não assistir aos filmes, se impacientou: “O pessoal vem aqui para tudo, menos para ver um jogo de futebol, né?”. Puxado.

Deslocado

A verdade é que me senti um estranho no ninho. Ninguém gritava, ninguém vibrava. As pessoas se animavam apenas em alguns momentos de ataque das duas equipes ou em algum lance do Balotelli, a grande vedete da partida. Nos momentos em que me levantei e xinguei o juiz e os bandeirinhas (uma atitude saudável de qualquer torcedor comum), me olharam como se eu estivesse fazendo um strip tease e balançando a pança na arquibancada. Os olhares de reprovação foram fulminantes.

O único momento verdadeiramente futebolístico foi quando flamenguistas e vascaínos entoaram alguns dos cânticos típicos das torcidas locais, nada que qualquer carioca não saiba. Mas valeu pela disputa entre as duas grandes torcidas do Rio. Quando a Itália marcou o gol da vitória, foi puxado o coro: “Uh, terror, Balotelli é matador”. Legal, mas nada demais.

Na saída, tudo azul novamente: todos saíram rápida e tranquilamente do estádio, sem incidentes. No metrô, mais uma prova da elitização do público: 90% das pessoas que pegaram o transporte público seguiram para a zona sul. Pouco antes de chegar à estação, vimos novamente os manifestantes, que cantavam o hino nacional. E aqui, um momento interessante: em nenhum momento eles hostilizaram os torcedores. Muito pelo contrário: chamaram a todos a também protestar. “Vem pra rua”, diziam. Quase ficamos novamente. Mas havia um avião a pegar e uma filha a esperar. E muita história para contar.

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O fim de uma era

janeiro 4, 2012

É o fim de uma era. Não só para os palmeirenses, mas para qualquer pessoa que ama o futebol, que vibra com a raça de alguém que entra em campo com VERDADEIRO amor à camisa.

É o fim de uma era para aquele cara que xinga o goleiro desgraçadocuzãofilhodaputa que defendeu o pênalti do seu ídolo, mas que no íntimo sempre admirou o algoz. Para quem está cansado de ídolos de barro ou fabricado por marqueteiros.

É o fim de uma era para quem se indignou com atleta fazendo videozinho dizendo que quer voltar a jogar no mesmo clube que deixou para ganhar uns trocados a mais. Para quem acha o cúmulo jogador fraudar documento para dar a impressão de que recebeu proposta do exterior.

É o fim de uma era para quem sempre admirou os atletas autênticos, que falam os maiores absurdos quando estão com a cabeça quente, mas sempre admitem seus erros. Para aquele que é capaz de ver um jogo entre duas equipes que detesta apenas para ver um único jogador.

É o fim de uma era para o torcedor, de qualquer clube, que sempre sonhou em ter no seu time um atleta, surgido nas categorias de base, subir ao time principal e lá permanecer até o final de sua carreira, apenas e tão somente por ser seu time de coração!

MARCOS, NÃO É SOMENTE O PALMEIRAS QUE SENTIRÁ SUA FALTA, É TODO O FUTEBOL BRASILEIRO! Obrigado por tudo, inclusive pelas falhas!

Querem enganar a quem?

novembro 30, 2009

É impressão minha ou todo mundo pirou? Sim, porque nos meus constantes arroubos de otimismo, prefiro achar que caiu um parafuso da cabeça de cada indivíduo deste Brasil varonil do que achar que a hipocrisia virou epidemia ainda mais contagiosa e mortal que a dengue e a gripe suína juntas. E como não podia deixar de ser, eis que o esporte segue sendo contaminado por defensores da moral e dos bons costumes.

A primeira vítima da onda moralista foi o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo. Nos últimos dias ele foi enxovalhado pela imprensa esportiva por conta de um vídeo que vazou na internet, em que ele usa a frase “Vamos matar os bambis” em um evento da Mancha (Alvi)Verde. Claro, os arautos da ética já falaram que Belluzzo, logo ele, estava pregando a violência contra a torcida do São Paulo.

Na verdade, a alusão era apenas futebolística (na ocasião, o Palmeiras era líder isolado e o São Paulo tinha acabado de perder partida importante). Qualquer idiota sem más intenções perceberia que Belluzzo comemorava o fato de o Palmeiras estar muito perto do título àquele momento. Ah, mas usar a expressão “matar” é feio, incita a violência. Tá bom, cara pálida, então o que me diz de a própria imprensa esportiva utilizar as expressões “artilheiro” e “matador” há décadas para falar de jogadores que marcam muitos gols?

Evidentemente, os palmeirenses ficaram putos com a hipocrisia dos jornalistas. Mas infelizmente sofrem do mesmo mal. Ontem, vários ficaram putos pelo fato de o Corinthians ter “entregado” o jogo ao Flamengo. Ora, pílulas: se o Corinthians vencesse o Flamengo, deixaria São Paulo ou Palmeiras, seus maiores rivais, com chances enormes de ficar com o título brasileiro. Que reação vocês esperariam dos gambás? Será que, se estivéssemos no lugar deles, não faríamos o mesmo? Duvido muito que não.

Faço um paralelo com o comportamento dos torcedores do Internacional. Estes estão conformados com a perda do título. Afinal, eles precisam vencer e torcer para que o GRÊMIO vença o Flamengo no Maracanã. Quase impossível, não? E os colorados nem reclamam, certamente porque sabem que, se a situação fosse inversa, o Inter jamais se esforçaria para ganhar um jogo e dar o título ao maior rival.

Se tal atitude é condenável, e não deixa ser mesmo, são outros quinhentos. Agora, brincar de indignado a esta hora me deixa com muito mais asco que a atitude do Corinthians.

Palmeiras, um time de bambis?

outubro 26, 2009

bambisDurante muitos anos, minha diversão era irritar meu irmão são-paulino falando do São Paulo de 2001. Naquela época, bastava eu falar que o São Paulo era “um time de bambis” para ele vociferar em alto volume. E, depois de soltar seu rosário de impropérios, ele resmungava, bem baixinho. “Vou falar o quê? São um bando de bambis, mesmo. Time filho da puta…”

 

A equipe em questão era, ao menos no papel, um timaço. Tinha três jogadores que hoje estão na seleção brasileira: Luiz Fabiano, Kaká e Julio Baptista. Outros viviam bom momento, como França, Beletti e Gustavo Nery. Era time para ganhar vários títulos, mas tudo o que conseguiu foi um magro torneio Rio-São Paulo. De impactante, o único legado que deixou foi o estigma de freguês do Corinthians, que perdura até hoje. Foi nessa época que surgiu a famosa piadinha de que o estádio do Morumbi era o salão de festas do Corinthians. Restou também a pecha de time pipoqueiro: geralmente o time ia muito bem nas fases iniciais e capotava em qualquer jogo importante que aparecesse pela frente.

Pois bem: oito anos se passaram e tem um time disposto a ocupar o lugar dos são-paulinos: o Palmeiras. Uma equipe que tem Marcos, Pierre, Diego Souza, Cleiton Xavier e Vagner Love, além de Muricy no banco, lidera um campeonato com cinco pontos de vantagem sobre o segundo colocado e joga essa vantagem no lixo é um time que não merece respeito. Levando-se em conta que o clube não vence tal campeonato desde 1994, a coisa fica ainda mais séria.

Há quem diga: “ah, mas queda de rendimento é normal”. Sim, é normal: quando a causa é cansaço físico, problemas táticos ou simplesmente nervosismo. Mas não é o caso. Também não é dinheiro o problema: os salários têm sido pagos em dia e a premiação já foi fechada há muito tempo.

O que temos no Palmeiras é uma guerrinha de egos inadmissível até mesmo para ambientes tradicionalmente carregados de vaidade, como desfiles de moda, redações jornalísticas ou quetais. A chegada de Vagner Love fez com que jogadores como Cleiton Xavier e Diego Souza fossem corroídos pelo ciúme. E agora um não passa a bola para o outro.

Ciúme? Sim, ciúme. E como você chamaria um ser humano do sexo masculino de nutre ciúmes de outro ser do mesmo sexo: de bambi, oras!!!!

O Palmeiras pode ser campeão do mundo 70 vezes, pode ficar 134 anos ou 13 mil jogos sem perder do São Paulo, vencer cinco libertadores seguidas sem perder um jogo ou espancar todos os jogadores do Boca Juniors em plena Bombonera, mas se não ganhar esse Brasileirão vai se sacramentar para sempre como o time bambi, o time de bundas-moles, o time de garotas afetadas que não liga em perder o campeonato mais ganho da história do futebol, desde que apareça mais na TV do que aquela outra mocréia que joga no ataque. E nunca mais nenhum palmeirense vai ter moral ou razão para chamar um são-paulino de bambi.

Grandes momentos do jornalismo esportivo (2)

julho 10, 2009

Quem tem acompanhado a novela “Palmeiras-Muricy” viu que rolou todo tipo de especulações: só faltou dizer que Muricy iria ao Verdão como auxiliar de Luiz Felipe Scolari. Para falar a verdade, essas falsas notícias em jornais nem me incomodam mais, tão frequentes se tornaram. Agora, tem gente que abusa do direito de especular.

Sinceramente: o que esperar de um site editado por um renomado apresentador de rádio e TV (Milton Neves) que publica uma matéria escrita por um jornalista, mas ao mesmo tempo cria uma enquete sobre a veracidade da própria matéria? Estamos realmente afundando.

Síndrome de briga na escola

maio 18, 2009

Já se passaram alguns dias do confronto entre Palmeiras e Sport, pela Copa Libertadores da América, e resolvi enfocar os embates por um outro ângulo. Por conta disso, não vou tecer comentários sobre a espetacular atuação de São Marcos. Nos links à direta, no “Pilulas Verdes”, tem gente mais gabaritada para isso.

Desde a Copa do Brasil do ano passado que se criou uma curiosa situação entre os dois times. As provocações de ambos os lados e as seguidas derrotas do Palmeiras criaram uma nova e inusitada rivalidade entre os clubes, acirrada pela troca de farpas ente o técnico palmeirense Vanderlei Luxemburgo e o vice-presidente do Sport, Guilherme Beltrão. Até aí, tudo bem. O problema foi que a imprensa, sedenta de sangue, resolveu colocar outro foco na disputa: uma inexistente rixa entre os povos de São Paulo e Pernambuco.

Guerra além das quatro linhas?Tudo começou quando alguns fóruns de torcedores, como era de se esperar, começaram a ficar cheios de insultos contra o time adversário. Em pouco tempo, o foco deixou de ser os clubes e o alvo passou a ser toda a população de um estado. “Sulistas idiotas”, “Pernambucanos babacas” e outros insultos começaram a surgir.

Evidentemente, tais xingamentos fazem parte de uma minoria de torcedores. Gente mais exaltada ou simplesmente encrenqueiros de internet, que bancam o valente nos escritos, mas não têm coragem sequer de colocar seus verdadeiros nomes nos fóruns. O problema foi que os meios de comunicação gostaram do assunto: com um certo estardalhaço, passaram a citar os insultos em matérias variadas.

Pronto, foi o que bastou para que uma disputa entre dois times se transformasse em canal para destilar ódio. E surpreendentemente, quem embarcou nessa de cabeça foi a torcida do Sport. Incitados pela diretoria do rubro-negro do Recife, os torcedores se diziam vítima de preconceito por parte dos estados do Sul e do Sudeste e ampliaram os insultos aos paulistas, chamando-os muitas vezes de “sulistas de merda”. Curioso é usar esta expressão para se queixar de preconceito.

O problema é que os jornais deram destaque demais aos insultos, que até então eram um caso isolado, e o transformaram em um caso sério. Motivado pelas notícias, muitos torcedores, especialmente pernambucanos, acreditaram na história de que “os paulistas nos odeiam” e engrossaram o coro da torcida do Sport. A Imprensa, estupidamente, se comportou como aqueles alunos que, à saída da escola, empurram dois coleguinhas que se estranharam no recreio, fazendo de tudo para que ambos saiam na porrada.

Em tempo: é claro que há por aqui preconceito contra nordestinos, mas o caso ocorrido na Libertadores beira à sandice. E a uma inexplicável mania de perseguição.